Novo regulamento do Ministério da Saúde também reduz prazos de impedimento após alguns procedimentos e amplia medidas de segurança nas transfusões
Pessoas com 70 anos ou mais que estejam saudáveis e sejam consideradas aptas na avaliação clínica já podem doar sangue no Brasil. A mudança entrou em vigor nesta quarta-feira (30), com a atualização do regulamento técnico da hemoterapia pelo Ministério da Saúde.
A alteração foi estabelecida pela Portaria GM/MS 11.685/2026, publicada em julho. Para doar, a pessoa precisa passar pela avaliação clínica do serviço de hemoterapia e respeitar os intervalos e a frequência de doações definidos para essa faixa etária.
“O novo regulamento atualiza os critérios de aptidão para doadores voluntários, reforça a segurança das transfusões e a rastreabilidade do sangue e orienta os serviços de hemoterapia de acordo com os avanços laboratoriais e o cenário epidemiológico atual”, explica o Ministério da Saúde.
Segundo o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales, as novas regras ampliam o grupo de pessoas que podem doar sangue sem deixar de considerar os critérios de segurança para doadores e pacientes.
“Incentivamos a população brasileira a procurar os serviços de hemoterapia, com a certeza de que será acolhida com todo o cuidado e a segurança necessários e de que cada doação será utilizada de forma responsável e cientificamente adequada para ajudar a salvar vidas em todo o país”, afirma.
Prazo após procedimentos
O novo regulamento também diminui o período de espera para pessoas que passaram por exames, utilizaram medicamentos ou realizaram procedimentos estéticos com microagulhamento.
A doação poderá ocorrer após sete dias quando procedimentos como tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimentos e aplicação de botox forem realizados em local que cumpra as normas de segurança. Quando não for possível fazer essa avaliação, o prazo de impedimento será de quatro meses.
No caso de piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada.
Teste de malária
Entre as mudanças voltadas à segurança das transfusões está a obrigatoriedade do teste de malária em 100% dos exames de triagem. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o primeiro país a adotar a medida de forma obrigatória.
“O NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, já é utilizado para identificar HIV e hepatites B e C e passa a detectar também o parasita causador da malária. Assim, o período de impedimento para pessoas que se deslocaram para municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, o prazo poderia chegar a 12 meses”, diz o MS.
A atualização também adota o padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas e amostras. A medida amplia a rastreabilidade do sangue desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos, com o objetivo de reduzir erros de identificação.
Outra mudança permite que o prazo de validade do concentrado de plaquetas passe de cinco para sete dias, desde que sejam adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas.
“A mudança contribui para reduzir perdas desse hemocomponente, utilizado principalmente no atendimento a pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outras condições que exigem transfusões frequentes.”
Doação de sangue no Brasil
Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3,26 milhões de coletas de sangue, segundo o Ministério da Saúde. A taxa foi de 15,29 doações por mil habitantes, a maior desde o período da pandemia.
Os dados apontam recuperação gradual das doações depois da redução registrada em 2020.
Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto. O documento também pode ser apresentado em formato digital.
Adolescentes a partir de 16 anos podem se candidatar à doação, desde que tenham autorização do responsável.
Quem pretende doar deve procurar o hemocentro mais próximo para consultar os horários de atendimento e passar pela triagem. Nessa etapa, os profissionais avaliam as condições de saúde e verificam se a pessoa está apta a realizar a doação.
*Com informações e imagem de Agência Brasil
















