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Retorno às aulas é oportunidade para identificar alterações visuais que podem interferir no aprendizado e no desenvolvimento infantil

Com a retomada da rotina escolar no segundo semestre, pais e professores ganham uma nova oportunidade para observar um aspecto que muitas vezes passa despercebido: a saúde ocular de crianças e adolescentes. Dificuldades para enxergar podem permanecer silenciosas por anos e acabar associadas a falta de atenção, desinteresse ou dificuldades de aprendizagem.

A visão tem papel essencial no processo de aprendizado, especialmente durante a infância, fase em que o sistema visual ainda está em desenvolvimento. Por isso, o diagnóstico precoce de alterações oculares pode evitar prejuízos no rendimento escolar e no desenvolvimento da criança.

Segundo a oftalmopediatra Dra. Carla Simão Batich, do H.Olhos, muitas crianças não conseguem identificar que possuem algum problema de visão, pois não têm uma referência de como seria enxergar de outra forma.

“A criança nasce aprendendo a enxergar. Se ela apresenta algum problema visual desde cedo, tende a acreditar que aquela é a forma normal de ver o mundo. Como não possui um parâmetro de comparação, muitas vezes não reclama nem consegue explicar que está enxergando com dificuldade. É justamente por isso que os adultos precisam estar atentos aos sinais e manter o acompanhamento oftalmológico em dia”, explica a especialista.

Entre os problemas mais frequentes na infância estão os erros refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Essas alterações prejudicam a formação adequada das imagens e podem comprometer atividades escolares quando não são corrigidas.

Além disso, condições como estrabismo e ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, também precisam de acompanhamento, já que o tratamento tende a apresentar melhores resultados quando iniciado precocemente.

“A miopia faz com que a criança tenha dificuldade para enxergar objetos distantes, enquanto a hipermetropia pode causar esforço visual até mesmo para atividades de perto. Já o astigmatismo provoca imagens borradas em diferentes distâncias. São alterações que, na maioria das vezes, podem ser corrigidas com o uso de óculos, desde que sejam identificadas no momento adequado”, esclarece a especialista.

Sinais de alerta no dia a dia

Como os problemas de visão nem sempre são percebidos pela própria criança, alguns comportamentos podem indicar a necessidade de uma avaliação oftalmológica. Entre os sinais estão aproximar o rosto de livros, cadernos ou telas, apertar os olhos para enxergar, inclinar a cabeça com frequência, evitar atividades de leitura, apresentar dores de cabeça após as aulas, lacrimejamento constante e dificuldade para copiar conteúdos da lousa.

“Nem sempre o baixo rendimento escolar está relacionado a dificuldades de aprendizagem. Muitas vezes, a criança simplesmente não consegue enxergar o que o professor escreve ou faz um esforço tão grande para focar que termina a aula cansada e com dor de cabeça. Observar essas mudanças de comportamento pode fazer toda a diferença para um diagnóstico precoce”, alerta a médica.

Outro ponto de atenção para especialistas é o aumento do tempo de exposição às telas. Celulares, tablets e computadores passaram a fazer parte da rotina de muitas crianças e adolescentes, tanto para atividades escolares quanto para momentos de lazer.

“O excesso de telas não é o responsável por todas as doenças oculares, mas favorece sintomas como fadiga visual, ressecamento dos olhos e diminuição da frequência do piscar. Além disso, estudos mostram que permanecer muito tempo em ambientes fechados e dedicar poucas horas às atividades ao ar livre está associado ao aumento da progressão da miopia em crianças predispostas”, ressalta a oftalmopediatra.

Acompanhamento preventivo

A especialista reforça que a consulta oftalmológica não deve ocorrer apenas quando surgem sintomas. O acompanhamento periódico permite identificar alterações ainda nas fases iniciais e aumenta as chances de tratamento adequado.

“Esperar a criança reclamar nem sempre é a melhor estratégia, porque muitas delas não percebem que existe um problema. A avaliação oftalmológica faz parte dos cuidados preventivos com a saúde infantil e pode evitar impactos importantes no desenvolvimento visual, no aprendizado e na qualidade de vida”, orienta.

Para a Dra. Carla Simão Batich, o período de volta às aulas também é uma oportunidade para aproximar famílias e escolas na observação de possíveis mudanças no comportamento dos estudantes.

“Pais e professores convivem diariamente com a criança e costumam ser os primeiros a notar mudanças de comportamento. Quando existe suspeita de dificuldade para enxergar, a recomendação é procurar avaliação especializada o quanto antes. O diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para preservar a saúde ocular e garantir que a criança tenha as melhores condições para aprender e se desenvolver”, finaliza a oftalmologista do H.Olhos.

*Imagem gerada por Chatgpt Open IA

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