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Rede que reúne voos comerciais, FAB, aeroportos e equipes de saúde atua contra o tempo para levar órgãos a pacientes que aguardam transplantes

Mais de 19 mil órgãos sólidos já foram transportados por via aérea no Brasil para viabilizar transplantes, em uma operação que depende de voos comerciais, aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), aeroportos, equipes médicas e órgãos responsáveis pelo controle do espaço aéreo. Desde 2014, mais de 54 mil itens ligados a transplantes foram levados pela rede aérea.

A logística é necessária porque um órgão retirado de um doador tem tempo limitado para permanecer em condições adequadas até o transplante. Com um país de dimensões continentais, a distância entre o local da doação e o hospital onde está o receptor pode chegar a centenas ou milhares de quilômetros.

A operação é coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), por meio da Central Nacional de Transplantes (CNT). Quando um órgão é destinado a um receptor, diferentes estruturas entram em ação para definir como ele chegará ao destino dentro do prazo necessário.

Entre as instituições envolvidas estão o Ministério de Portos e Aeroportos, por meio da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), companhias aéreas e a FAB.

Órgão precisa chegar ao destino contra o relógio

A partir da identificação de um doador e da definição do receptor pela Central Nacional de Transplantes, começa uma operação em que tempo, segurança e precisão precisam caminhar juntos.

A equipe do sistema de transplantes aciona o CGNA, o Decea e as empresas aéreas. No centro de gerenciamento, profissionais acompanham a situação da malha aérea e procuram alternativas de voos, trechos e rotas capazes de transportar o órgão e, quando necessário, as equipes médicas.

A solução varia conforme cada caso. Se houver um voo comercial disponível, o órgão pode ser transportado pela malha regular. Quando isso não é possível, a estrutura da FAB pode ser acionada.

Dos quase 19 mil órgãos sólidos transportados por avião, cerca de 16 mil seguiram em voos comerciais, enquanto aproximadamente 2,5 mil foram levados em aeronaves da FAB.

Entre os órgãos transportados estão corações, pulmões, pâncreas, rins e fígados.

Além dos órgãos, os mais de 54 mil itens transportados desde 2014 incluem tecidos, equipes responsáveis pela captação e pelo transplante, caixas e outros materiais necessários para a realização das cirurgias.

Lei garante prioridade no transporte

O transporte aéreo gratuito de órgãos começou a ser estruturado em 2013, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica que reuniu instituições públicas e privadas.

Mais de uma década depois, a atividade passou a ter respaldo legal. A Lei nº 14.858, de 21 de maio de 2024, estabeleceu a gratuidade e a prioridade para o transporte de órgãos, tecidos e partes do corpo humano destinados a transplantes, além das equipes envolvidas na captação e distribuição.

A medida incorporou de forma permanente à política de transplantes uma estrutura que já vinha sendo construída desde 2013.

A operação começa antes do embarque

Apesar de a etapa aérea ser fundamental para vencer distâncias, o transporte é apenas uma parte de uma cadeia que começa com a doação.

No Brasil, não é necessário registrar a vontade de ser doador em cartório, portar documento ou fazer cadastro específico. A orientação é comunicar a decisão à família, já que, após a morte, são os familiares que autorizam a doação.

Com a autorização, entram em ação as equipes médicas e as centrais de transplantes. Depois, a logística precisa conectar o local da captação ao hospital onde o órgão será implantado.

A operação envolve profissionais de saúde, companhias aéreas, aeroportos, equipes de controle do espaço aéreo e órgãos públicos.

Mais de 54 mil itens transportados

Desde 2014, a rede aérea responsável pelo transporte de materiais relacionados aos transplantes já movimentou mais de 54 mil itens.

O número inclui os órgãos sólidos destinados aos receptores, além de tecidos, equipes de captação e transplante e materiais utilizados nas cirurgias.

A participação dos voos comerciais é predominante no transporte de órgãos. Aproximadamente 16 mil órgãos foram levados pela aviação comercial, enquanto cerca de 2,5 mil foram transportados pela FAB.

A estrutura permite conectar regiões diferentes do país e reduzir o impacto das grandes distâncias sobre uma operação em que o tempo disponível é limitado.

Doação depende de uma conversa em família

O transporte aéreo só acontece depois de uma cadeia de decisões que começa com a manifestação de vontade do doador e a autorização da família.

Por isso, a orientação divulgada pelo governo é que as pessoas conversem em vida com seus familiares sobre a intenção de doar órgãos.

A mobilização ganha destaque no Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. A data chama atenção para a importância da doação e também para a estrutura necessária para que um órgão saia do local da captação e chegue ao paciente que aguarda por um transplante.

A partir da autorização da família, uma rede formada por profissionais de diferentes áreas passa a trabalhar para cumprir uma única tarefa: fazer o órgão chegar ao receptor dentro do tempo necessário.

Com informações e imagem do Governo Federal

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