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Quando se fala em sustentabilidade, o pensamento costuma ir direto para o meio ambiente. Recursos naturais, mudanças climáticas, reciclagem. Durante muito tempo, eu mesma associei o tema quase exclusivamente a essas dimensões. Com o tempo, porém, fui percebendo que essa é apenas uma parte da discussão, talvez a mais visível, mas não necessariamente a mais completa. A sustentabilidade, quando observada com mais atenção, revela algo maior: ela também fala de pessoas, da forma como uma sociedade organiza suas oportunidades, distribui recursos e constrói condições reais de dignidade.

Essa percepção me levou a olhar o tema por um outro ângulo, menos evidente, mas igualmente essencial. Falar de sustentabilidade também é falar de inclusão, de acesso e de autonomia. E, nesse contexto, algumas questões deixam de ser periféricas e passam a ocupar um lugar central, especialmente quando se trata da participação das mulheres na vida econômica e social. Não se trata apenas de ampliar presença, mas de enfrentar desigualdades que ainda são estruturais e que limitam, de forma concreta, o desenvolvimento de uma sociedade mais equilibrada.

Tenho me convencido cada vez mais de que não há desenvolvimento sustentável sem equidade. Quando se criam condições para que mulheres, sobretudo aquelas em situação de vulnerabilidade ou que enfrentaram contextos de violência, possam acessar o mercado de trabalho e construir autonomia, o impacto não se restringe ao plano individual. Ele se expande, alcança famílias, reorganiza dinâmicas sociais e fortalece comunidades. É nesse ponto que a sustentabilidade deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir ação concreta.

Do ponto de vista jurídico, esse movimento já se traduz em políticas públicas, normas e iniciativas que buscam reduzir desigualdades e promover maior equilíbrio nas relações sociais. No entanto, como em outras áreas, o desafio não está apenas na existência desses instrumentos, mas na sua efetividade. Muitas vezes, as políticas não chegam a quem precisam, não são suficientemente conhecidas ou permanecem no plano formal, sem produzir impacto real na vida das pessoas.

Talvez seja justamente por isso que a sustentabilidade, quando pensada para além do meio ambiente, exige uma mudança de perspectiva. Não basta reconhecer a importância do tema. É preciso compreender que ele envolve escolhas coletivas, responsabilidade institucional e a capacidade de transformar princípios em prática. No fim, falar de sustentabilidade também é refletir sobre o tipo de sociedade que estamos construindo, e reconhecer que não há futuro sustentável onde ainda falte espaço para que todos possam, de fato, participar dele.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Veridyana Fantinato

Veridyana Fantinato

Advogada e contadora, mestranda em Direito Público pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e MBA em Agronegócio pela USP/Esalq. Possui especialização em Direito Público, Licitações e Contratos Administrativos e mais de 20 anos de experiência na área pública. Dedica-se ao estudo da sustentabilidade, da governança e das políticas públicas. | @veridyanafantinato

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