Eliminação do Brasil, campanha histórica de Cabo Verde, interferência política nos bastidores e o favoritismo francês marcam a reta decisiva do Mundial
A Copa do Mundo de 2026 entra em sua fase decisiva cercada por histórias que vão muito além das quatro linhas. Com a definição dos confrontos das quartas de final, o torneio já acumula eliminações surpreendentes, campanhas históricas de seleções consideradas pequenas, polêmicas envolvendo dirigentes e políticos e a consolidação da França como principal candidata ao título.
Após semanas de jogos praticamente ininterruptos, a competição faz uma breve pausa nesta quarta-feira (8) antes do início das quartas de final, marcado para quinta-feira (9). O cenário que se desenha é bem diferente daquele projetado antes da bola rolar.
Gigantes ficam pelo caminho
Entre os maiores destaques desta edição está a queda precoce de algumas das seleções mais tradicionais da história do futebol mundial.
O Brasil se despediu ainda nas oitavas de final após derrota para a Noruega. A equipe comandada por Carlo Ancelotti chegou ao torneio cercada de expectativa, mas apresentou dificuldades para construir um padrão de jogo consistente ao longo da competição.
Dependente de momentos individuais, especialmente de Vinícius Júnior, a seleção brasileira não conseguiu impor superioridade diante dos noruegueses. A equipe europeia mostrou organização tática e contou com mais uma atuação decisiva de Erling Haaland, autor de dois gols que garantiram a classificação.
A eliminação amplia a pressão sobre a seleção pentacampeã, que segue sem conquistar uma Copa do Mundo desde 2002.
Outra ausência sentida nas fases finais é a da Alemanha. Campeã mundial em 2014, a seleção alemã atravessa um período de resultados abaixo das expectativas. Desde a conquista no Brasil, os alemães não voltaram a disputar uma fase de oitavas de final. Foram eliminados ainda na fase de grupos em 2018 e 2022 e, nesta edição, caíram diante do Paraguai nos 16 avos de final.
A Holanda também se despediu mais cedo. Em um dos jogos mais emocionantes do torneio, os holandeses perderam nos pênaltis para Marrocos, que voltou a demonstrar força em competições internacionais.
Mais uma vez, o goleiro Bono foi protagonista. Assim como ocorreu na Copa do Catar, quando ajudou a eliminar a Espanha, o marroquino brilhou nas cobranças de pênalti e conduziu sua seleção às quartas de final.
Cabo Verde conquista o mundo
Se a eliminação das potências chamou atenção, a grande surpresa da competição atende pelo nome de Cabo Verde.
A seleção africana protagonizou uma das campanhas mais marcantes do Mundial ao desafiar adversários tradicionais e conquistar o respeito do futebol internacional.
Na fase de grupos, os cabo-verdianos arrancaram empates diante de Espanha e Uruguai, resultados que já eram considerados históricos.
Nos 16 avos de final, a equipe vendeu caro a derrota para a Argentina. O confronto precisou ser decidido apenas na prorrogação, após grande resistência da seleção africana.
Mesmo eliminada, Cabo Verde produziu um dos momentos mais memoráveis do torneio. O meia Sidny Cabral marcou um golaço de longa distância, apontado pela Fifa como o mais bonito da fase.
Outro personagem da campanha foi o goleiro Vozinha. Aos 40 anos e sem clube antes da competição, o veterano tornou-se um dos símbolos da equipe e ganhou notoriedade internacional pelas atuações decisivas.
Trump vira assunto fora das quatro linhas
A política também encontrou espaço na Copa do Mundo.
Uma das maiores polêmicas do torneio envolveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a expulsão do atacante norte-americano Folarin Balogun.
O jogador recebeu cartão vermelho em partida contra a Bósnia após uma entrada considerada violenta pelo árbitro brasileiro Raphael Claus.
Posteriormente, Trump confirmou ter conversado com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para questionar a expulsão. O episódio ganhou repercussão internacional quando o Comitê Disciplinar da entidade decidiu revisar a punição aplicada ao atleta.
Infantino afirmou que a decisão foi tomada de forma independente e negou qualquer influência política sobre o processo.
A controvérsia, porém, não evitou a eliminação dos Estados Unidos. Na fase seguinte, a equipe foi derrotada por 4 a 1 pela Bélgica. Durante a comemoração de um dos gols, jogadores belgas fizeram gestos que foram interpretados como uma provocação ao presidente norte-americano.
França confirma favoritismo
Enquanto adversários acumulam dificuldades, a França avança de forma consistente e reforça sua condição de favorita ao título.
Vice-campeã na última Copa, a seleção francesa tem apresentado o futebol mais convincente da competição até o momento. A equipe venceu Senegal, Iraque, Noruega e Suécia antes de superar o Paraguai por 1 a 0 na fase eliminatória.
O elenco reúne jogadores experientes e jovens talentos em praticamente todos os setores do campo.
Na defesa, Upamecano garante solidez. No meio-campo, Rabiot, Dembélé e Olise comandam a criação das jogadas. No ataque, Kylian Mbappé continua sendo a principal referência técnica e decisiva da equipe.
Mais do que os resultados, a França chama atenção pela consistência. Diferentemente de outras seleções que dependem de um único craque, os franceses apresentam alternativas em todos os setores e demonstram capacidade para controlar as partidas durante a maior parte do tempo.
Além do desempenho em campo, Kylian Mbappé também virou protagonista de uma das principais polêmicas desta Copa do Mundo. Após marcar o gol da vitória da França sobre o Paraguai nas oitavas de final, o atacante foi alvo de publicações racistas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla nas redes sociais.
Mbappé respondeu classificando a parlamentar como “indigna do cargo” e afirmou que o racismo não pode ser normalizado. O episódio provocou repercussão internacional, levou a Federação Francesa de Futebol a apresentar uma denúncia às autoridades francesas e motivou a abertura de uma investigação pelo Ministério Público da França.
As declarações também foram condenadas pelo governo paraguaio, pela FIFA e pelo presidente francês Emmanuel Macron, que manifestou apoio público ao camisa 10 francês.
Com o Brasil fora da disputa, a Copa do Mundo entra nas quartas de final com novos protagonistas e a expectativa de confrontos ainda mais equilibrados.
Foto: Divulgação/FIFA




















