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Assembleia da ACP aceita proposta da Prefeitura que prevê recomposição salarial em três etapas; categoria destaca avanços, mas mantém defesa do pagamento integral previsto em lei

Após mais de um mês de mobilizações, paralisação da rede municipal, sucessivas assembleias e seis rodadas de negociação com a Prefeitura de Campo Grande, os professores da Rede Municipal de Ensino (REME) aprovaram a proposta para o pagamento dos 5,4% de recomposição do Piso Nacional do Magistério. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada pela ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e encerra uma das principais campanhas salariais da categoria neste ano.

O acordo estabelece que a recomposição será aplicada de forma parcelada, em três etapas, com pagamentos previstos para setembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027. Também ficou definido que haverá discussão sobre os efeitos dos 3% previstos para setembro a partir do início do próximo ano.

A proposta ficou aquém da reivindicação original dos educadores, que defendiam o pagamento integral ainda em maio. Mesmo assim, a categoria avaliou que a mobilização alterou significativamente o cenário inicial das negociações, quando não havia qualquer previsão de implementação do reajuste em 2026.

“Entramos nesse movimento com reajuste zero. Saímos não com aquilo que pretendíamos, com aquilo que nos é de direito, que era o pagamento à vista no mês de maio, mas com uma proposta de pagamento em três etapas. É importante reconhecer de onde partimos e todo o processo de luta construído pela categoria”, afirmou o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni.

Mobilização pressionou Prefeitura e reabriu negociações

A disputa em torno da recomposição salarial ganhou força no início de junho, quando a ACP intensificou o diálogo com os profissionais da educação e passou a cobrar uma posição do Executivo municipal sobre a atualização do piso.

No dia 8 de junho, cerca de 300 professores participaram de uma assembleia que aprovou, por unanimidade, a paralisação das atividades da REME em 12 de junho. A mobilização levou a pauta novamente ao centro das discussões entre sindicato e Prefeitura.

Durante o movimento, representantes da ACP se reuniram com a prefeita Adriane Lopes (PP), secretários municipais e vereadores para discutir dados relacionados às receitas da educação, recursos do Fundeb e despesas com a folha de pagamento.

A partir desse encontro, teve início uma sequência de negociações que resultou em seis reuniões formais entre sindicato e administração municipal.

Ao longo do processo, todas as propostas apresentadas pela Prefeitura foram submetidas à avaliação da categoria em assembleias. No início de julho, os professores rejeitaram uma das ofertas do Executivo e construíram uma contraproposta que foi encaminhada pela ACP à administração municipal.

Segundo o sindicato, a participação direta da base foi decisiva para as alterações incorporadas ao texto final.

Professores temporários também serão beneficiados

Um dos pontos considerados mais importantes pela categoria foi a inclusão dos professores temporários no acordo.

Pela proposta aprovada, a recomposição salarial também será aplicada aos profissionais convocados e aos docentes que possuem aulas complementares, uma reivindicação defendida pela ACP durante todo o processo de negociação.

“Nós não deixaremos os professores temporários, tanto os convocados quanto os professores com aulas complementares, à margem da categoria, como acontece em outras redes e localidades do Brasil. Esse é um ponto positivo e uma defesa que fizemos durante o processo”, afirmou Gilvano.

Para o sindicato, a medida garante que a recomposição alcance todos os segmentos da Rede Municipal de Ensino e evita diferenciações dentro da carreira.

Tabelas salariais deverão ser divulgadas

Outro item incorporado ao acordo prevê a publicação das tabelas salariais referentes às três etapas da recomposição.

A medida foi sugerida pelos próprios professores durante as assembleias e tem como objetivo ampliar a transparência sobre os impactos do reajuste nos vencimentos da categoria.

Com isso, deverão ser divulgadas as tabelas correspondentes às correções previstas para setembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027.

A ACP considera que a iniciativa permitirá aos profissionais acompanhar de forma mais clara a evolução dos salários e os efeitos da recomposição na carreira do magistério.

Comissão acompanhará cumprimento do acordo

O texto aprovado também estabelece a criação de um calendário de trabalho para uma comissão mista formada por representantes da ACP, da Prefeitura de Campo Grande e da Comissão Permanente de Educação da Câmara Municipal.

A intenção é acompanhar permanentemente temas relacionados à valorização dos profissionais da educação e monitorar questões financeiras e orçamentárias que impactam a carreira docente.

Para o sindicato, a manutenção desse espaço de diálogo pode evitar novos impasses relacionados ao cumprimento do Piso Nacional do Magistério.

“Precisamos construir um calendário para que essa comissão acompanhe permanentemente as discussões. Não podemos chegar novamente a uma situação em que os profissionais da educação sejam pegos de surpresa. Esse acompanhamento precisa acontecer de forma contínua”, afirmou o presidente da ACP.

Categoria vê avanços, mas mantém reivindicação histórica

Embora tenha aprovado o acordo, a assembleia reconheceu que a proposta não atende integralmente à reivindicação defendida desde o início da campanha salarial.

O sindicato sustentava que os 5,4% deveriam ser pagos integralmente e de forma imediata, conforme a atualização do Piso Nacional do Magistério. A solução negociada prevê parcelamento e posterga parte dos efeitos financeiros para 2027.

Ainda assim, os professores avaliaram que a mobilização produziu resultados concretos ao garantir um cronograma de pagamento, ampliar a abrangência do reajuste e assegurar mecanismos de acompanhamento do acordo.

“Nós saímos com o sentimento de que não era aquilo que nos é garantido pela legislação. Os meses não correspondem àquilo que defendemos desde o início. Mas tivemos avanços e continuamos unidos, fortes e preparados para os próximos desafios da educação”, avaliou Gilvano.

Com informações e imagem do Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública

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