A ciência tem revelado que a saúde intestinal vai muito além da digestão. A composição da microbiota pode influenciar o humor, a ansiedade e até a forma como o cérebro funciona. Hoje, a ciência mostra que o intestino desempenha um papel muito mais amplo: existe uma comunicação constante entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro.
Essa conexão ajuda a explicar por que situações de estresse podem causar dor de barriga, por que algumas pessoas perdem o apetite quando estão ansiosas e como alterações na alimentação podem influenciar o bem-estar emocional.
As evidências atuais indicam que cuidar da saúde intestinal também pode beneficiar a saúde mental.
O que é o eixo intestino-cérebro?
O intestino e o cérebro estão ligados por uma rede complexa de comunicação que envolve o sistema nervoso, hormônios, células do sistema imunológico e substâncias produzidas pela microbiota intestinal.
Essa comunicação acontece em dois sentidos: o cérebro influencia o funcionamento do intestino, e o intestino envia sinais de volta ao cérebro.
É por isso que situações de ansiedade podem causar sintomas digestivos, enquanto alterações intestinais também podem afetar o humor.
Vale destacar que grande parte da serotonina do organismo é produzida no intestino. Embora essa serotonina não atravesse diretamente a barreira que protege o cérebro, ela influencia o funcionamento intestinal e participa dessa complexa comunicação entre intestino e cérebro.
Alimentação pode influenciar o humor?
Cada vez mais estudos sugerem que sim.
Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, azeite de oliva e peixes (como a dieta mediterrânea) têm sido associadas a menor risco de sintomas depressivos e melhor saúde cerebral.
Em contrapartida, padrões alimentares ricos em ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade estão relacionados a maior inflamação e alterações na composição da microbiota.
Isso não significa que um alimento cause ansiedade ou depressão, mas que a alimentação pode contribuir para criar um ambiente mais favorável ou menos favorável ao funcionamento do organismo.
O estresse também afeta o intestino
A relação funciona nos dois sentidos.
Quando uma pessoa vive sob estresse constante, há aumento da produção de cortisol, hormônio que pode alterar a motilidade intestinal, modificar a microbiota e aumentar a permeabilidade da parede intestinal.
Esse desequilíbrio pode favorecer sintomas como:
- distensão abdominal;
- desconforto intestinal;
- alterações do hábito intestinal;
- piora da sensação de bem-estar.
Como cuidar do eixo intestino-cérebro?
Não existe um alimento milagroso, mas algumas estratégias possuem respaldo científico:
- aumentar o consumo de fibras;
- consumir frutas, verduras e legumes diariamente;
- incluir leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico;
- priorizar alimentos minimamente processados;
- praticar atividade física;
- dormir adequadamente;
- controlar o estresse.
Em alguns casos específicos, nós, nutricionistas, podemos avaliar a necessidade de alimentos fermentados, probióticos ou outros recursos nutricionais.
Cuidar do intestino é cuidar do organismo inteiro
A ciência mostra que saúde mental e saúde intestinal caminham juntas.
Embora ansiedade e depressão sejam condições complexas e multifatoriais, manter um intestino saudável pode fazer parte de uma abordagem integrada para promover bem-estar.
No fim das contas, alimentar bem o intestino também significa oferecer melhores condições para que o cérebro funcione de forma equilibrada.














