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Maynara Martins

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A ciência tem revelado que a saúde intestinal vai muito além da digestão. A composição da microbiota pode influenciar o humor, a ansiedade e até a forma como o cérebro funciona. Hoje, a ciência mostra que o intestino desempenha um papel muito mais amplo: existe uma comunicação constante entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro.

Essa conexão ajuda a explicar por que situações de estresse podem causar dor de barriga, por que algumas pessoas perdem o apetite quando estão ansiosas e como alterações na alimentação podem influenciar o bem-estar emocional.

As evidências atuais indicam que cuidar da saúde intestinal também pode beneficiar a saúde mental.

O que é o eixo intestino-cérebro?

O intestino e o cérebro estão ligados por uma rede complexa de comunicação que envolve o sistema nervoso, hormônios, células do sistema imunológico e substâncias produzidas pela microbiota intestinal.

Essa comunicação acontece em dois sentidos: o cérebro influencia o funcionamento do intestino, e o intestino envia sinais de volta ao cérebro.

É por isso que situações de ansiedade podem causar sintomas digestivos, enquanto alterações intestinais também podem afetar o humor.

Vale destacar que grande parte da serotonina do organismo é produzida no intestino. Embora essa serotonina não atravesse diretamente a barreira que protege o cérebro, ela influencia o funcionamento intestinal e participa dessa complexa comunicação entre intestino e cérebro.

Alimentação pode influenciar o humor?

Cada vez mais estudos sugerem que sim.

Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, azeite de oliva e peixes (como a dieta mediterrânea) têm sido associadas a menor risco de sintomas depressivos e melhor saúde cerebral.

Em contrapartida, padrões alimentares ricos em ultraprocessados, açúcar e gorduras de baixa qualidade estão relacionados a maior inflamação e alterações na composição da microbiota.

Isso não significa que um alimento cause ansiedade ou depressão, mas que a alimentação pode contribuir para criar um ambiente mais favorável ou menos favorável ao funcionamento do organismo.

O estresse também afeta o intestino

A relação funciona nos dois sentidos.

Quando uma pessoa vive sob estresse constante, há aumento da produção de cortisol, hormônio que pode alterar a motilidade intestinal, modificar a microbiota e aumentar a permeabilidade da parede intestinal.

Esse desequilíbrio pode favorecer sintomas como:

  • distensão abdominal;
  • desconforto intestinal;
  • alterações do hábito intestinal;
  • piora da sensação de bem-estar.

Como cuidar do eixo intestino-cérebro?

Não existe um alimento milagroso, mas algumas estratégias possuem respaldo científico:

  • aumentar o consumo de fibras;
  • consumir frutas, verduras e legumes diariamente;
  • incluir leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico;
  • priorizar alimentos minimamente processados;
  • praticar atividade física;
  • dormir adequadamente;
  • controlar o estresse.

Em alguns casos específicos, nós, nutricionistas, podemos avaliar a necessidade de alimentos fermentados, probióticos ou outros recursos nutricionais.

Cuidar do intestino é cuidar do organismo inteiro

A ciência mostra que saúde mental e saúde intestinal caminham juntas.

Embora ansiedade e depressão sejam condições complexas e multifatoriais, manter um intestino saudável pode fazer parte de uma abordagem integrada para promover bem-estar.

No fim das contas, alimentar bem o intestino também significa oferecer melhores condições para que o cérebro funcione de forma equilibrada.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Maynara Martins

Maynara Martins

Nutricionista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduanda em Nutrição Clínica Integrativa Funcional. Especializada em emagrecimento e ganho de massa muscular, atua com foco em estratégias personalizadas, ajudando seus pacientes a alcançar resultados sustentáveis e melhorar a relação com a alimentação. Sua abordagem é baseada na ciência e no equilíbrio, promovendo saúde e bem-estar de forma integrada. | @nutri.maynara

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