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Arthur Maximilliano

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Muitas empresas dizem que precisam vender mais, mas ainda tratam prospecção como uma atividade aleatória.

Um vendedor pega uma lista de contatos, manda algumas mensagens, faz algumas ligações e espera alguém responder. Em outro dia, tenta novamente. Quando o retorno não vem, a conclusão costuma ser simples: o mercado está ruim, o lead não tem interesse ou ninguém quer comprar.

Mas prospecção comercial não deveria funcionar na base da tentativa.

Ela precisa de método.

O primeiro passo é saber exatamente quem a empresa quer abordar. Parece óbvio, mas muitas operações comerciais ainda tentam vender para qualquer pessoa ou empresa que pareça minimamente compatível.

Isso aumenta esforço e reduz conversão.

Uma boa prospecção começa com um perfil de cliente ideal bem definido. Segmento, porte, localização, momento da empresa, cargo do decisor, problema que aquela organização enfrenta e capacidade de compra precisam estar minimamente claros.

Quanto mais genérico for o público, mais genérica tende a ser a abordagem.

Depois disso, vem a construção da lista.

Prospecção comercial não é quantidade pela quantidade. Uma base com milhares de contatos ruins pode ser menos valiosa do que uma lista menor, porém bem qualificada.

A empresa precisa identificar quem realmente possui potencial para comprar, quem tem aderência com a solução e quem está em um momento mais favorável para uma conversa.

É aí que entram fontes como LinkedIn, Google, associações, eventos, indicações, bases empresariais, clientes antigos e até informações públicas do mercado.

Com a lista pronta, começa a parte mais crítica: a abordagem.

O erro mais comum é começar falando demais sobre a própria empresa.

“Somos especialistas em…”
“Atuamos há tantos anos…”
“Temos a melhor solução…”

O cliente, porém, está menos interessado em saber quem você é e mais interessado em entender se aquela conversa faz sentido para ele.

Por isso, a abordagem precisa partir de contexto.

Em vez de simplesmente oferecer um produto, o vendedor precisa mostrar que entendeu minimamente o negócio, o setor ou o problema daquela pessoa.

Uma boa prospecção gera curiosidade antes de tentar gerar fechamento.

Outro ponto importante é a cadência.

Uma única mensagem raramente resolve.

A empresa precisa criar uma sequência organizada de contatos, alternando canais e respeitando o tempo do potencial cliente. Pode haver mensagem no WhatsApp, ligação, e-mail, LinkedIn e até um novo contato alguns dias depois.

O objetivo não é perseguir o cliente.

É aumentar a chance de ser percebido no momento certo.

Muitas oportunidades são perdidas porque o vendedor interpreta silêncio como rejeição definitiva.

Em vários casos, o cliente simplesmente estava ocupado, não percebeu a mensagem ou ainda não enxergou prioridade naquele momento.

Por isso, follow-up faz parte da prospecção.

Também é importante separar prospecção de fechamento.

Nem todo contato precisa terminar em proposta.

O objetivo inicial pode ser apenas abrir uma conversa, entender o cenário, qualificar a necessidade e verificar se existe aderência entre o problema do cliente e aquilo que a empresa oferece.

Quando o vendedor tenta vender cedo demais, a conversa ganha resistência.

Quando investiga primeiro, aumenta a chance de construir valor.

Outro ponto decisivo é registrar tudo.

Se a empresa não sabe quem já foi abordado, quando recebeu contato, qual foi a resposta e qual é o próximo passo, a prospecção vira memória individual.

E memória individual não escala.

Um CRM simples já ajuda muito quando existe processo. O mais importante é registrar o histórico e não deixar oportunidades desaparecerem entre mensagens e agendas pessoais.

Prospecção também precisa de indicador.

Quantos contatos foram feitos?
Quantas pessoas responderam?
Quantas conversas foram qualificadas?
Quantas reuniões foram agendadas?
Quantas propostas surgiram?
Quantas vendas foram fechadas?

Esses números ajudam a entender onde o processo está funcionando e onde precisa melhorar.

Sem métrica, a liderança só enxerga esforço.

Com métrica, começa a enxergar eficiência.

Outro erro comum é cobrar apenas volume.

Mandar cem mensagens por dia pode gerar sensação de produtividade, mas isso não significa boa prospecção. Se a lista estiver errada, a abordagem for fraca e não houver acompanhamento, o vendedor apenas repetirá um processo ruim em maior escala.

Prospecção de qualidade combina três coisas: público certo, mensagem certa e cadência certa.

A tecnologia também pode ajudar.

Inteligência artificial pode apoiar pesquisa de contas, personalização de mensagens, organização de listas, resumo de informações e preparação para abordagens. Mas ela não substitui entendimento comercial.

Automatizar uma abordagem ruim continua sendo ruim.

A lógica correta é organizar o processo, entender o cliente e depois usar tecnologia para ganhar velocidade.

No fim, prospecção comercial não é sair falando com o maior número possível de pessoas.

É criar uma rotina previsível para encontrar boas oportunidades.

Isso exige definição de público, pesquisa, abordagem contextual, cadência, registro, acompanhamento e análise de resultado.

Empresas que fazem isso deixam de depender apenas de indicação e demanda espontânea.

Passam a construir demanda ativamente.

E essa é uma diferença importante entre uma empresa que espera o cliente aparecer e uma empresa que desenvolve capacidade comercial de verdade.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Arthur Maximilliano

Arthur Maximilliano

Sócio fundador e Diretor de Estratégia (CSO) da RetenMax, empresa de consultoria empresarial com foco em gestão, cultura e tecnologia. Engenheiro de Produção formado pela UFMS, possui especializações em Gestão, Liderança e Inovação, além de formação em Marketing Digital e Business Intelligence e tem MBA em Inteligência Artificial e Big Data pelo IBMEC. Atua também como professor universitário, palestrante e é autor do livro Sussurros Empresariais, escrevendo sobre liderança, integridade, inovação e o futuro das organizações. | @arthurmaxnl

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