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Arthur Maximilliano

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Campo Grande alcançou a marca de mais de 155 mil empresas ativas. O número demonstra a força empreendedora da capital e a importância dos negócios para a economia local.

Mas também provoca uma pergunta necessária: quantas dessas empresas possuem gestão de verdade?

Abrir um CNPJ, conquistar clientes e manter as contas funcionando são grandes vitórias. No entanto, existe uma diferença considerável entre abrir uma empresa e construir um negócio organizado, profissional e preparado para permanecer.

Muitos empreendedores começam fazendo tudo. Vendem, atendem, compram, cobram, contratam e resolvem cada problema da operação. No início, isso é quase inevitável. A dificuldade aparece quando a empresa cresce, mas continua funcionando da mesma maneira.

O negócio passa a ter mais clientes, funcionários, despesas e responsabilidades, mas ainda depende da memória, da presença e da capacidade de improvisação do dono.

É nesse momento que o crescimento começa a cobrar seu preço.

A empresa vende, mas não conhece sua margem. Contrata, mas não define responsabilidades. Faz reuniões, mas não acompanha decisões. Cobra resultados, mas não possui indicadores claros. Cresce em faturamento, mas aumenta também a desorganização.

Por fora, parece uma empresa em expansão. Por dentro, continua funcionando no improviso.

Gestão começa quando o empresário entende que esforço e boa vontade não são suficientes para sustentar o próximo nível. É necessário transformar conhecimento e rotina em uma estrutura que possa ser compreendida e executada por outras pessoas.

Isso passa pelo básico: definir responsabilidades, organizar processos, acompanhar números, estabelecer prioridades, desenvolver lideranças e criar uma rotina de acompanhamento.

O problema é que o básico costuma ser negligenciado.

Muitas empresas procuram soluções sofisticadas antes de resolver questões fundamentais. Querem inteligência artificial, automações, novos sistemas e crescimento acelerado, mas ainda não conseguem explicar com clareza como a própria operação funciona.

A tecnologia pode acelerar uma empresa. Mas, quando a gestão está desorganizada, também pode acelerar o caos.

Profissionalizar não significa criar burocracia. Significa tornar a empresa mais legível. O dono precisa enxergar o que está acontecendo, onde estão os gargalos, quais resultados estão sendo alcançados e o que precisa ser corrigido.

A equipe também precisa dessa clareza. Quando as funções não estão definidas e as prioridades mudam constantemente, surgem insegurança, retrabalho, conflitos e dependência excessiva do empresário.

Depois, o dono conclui que ninguém consegue fazer nada sem ele. Porém, em muitos casos, a empresa nunca criou condições para que as pessoas trabalhassem com autonomia.

Gestão não é apenas controlar. É construir clareza para que as pessoas consigam executar melhor.

Outro ponto importante está nos números. Uma empresa pode vender mais e perder margem. Pode aumentar sua carteira e piorar o atendimento. Pode contratar mais pessoas sem aumentar a produtividade.

Faturamento, sozinho, não representa maturidade empresarial.

Uma empresa bem gerida entende a relação entre vendas, operação, pessoas e finanças. Sabe que crescer sem capacidade de entrega gera problemas e que nenhuma estratégia se sustenta quando tudo depende do dono.

O próximo desafio de Campo Grande não é apenas abrir novas empresas. É ajudar os negócios existentes a permanecerem, amadurecerem e crescerem com mais consistência.

Processos, indicadores, planejamento, cultura e desenvolvimento de lideranças não são luxos de grandes organizações. São mecanismos de sobrevivência para pequenas e médias empresas.

Organizar uma empresa também não significa admitir que ela está quebrada. Significa tornar o negócio compreensível até para o próprio dono.

Os mais de 155 mil negócios ativos mostram que Campo Grande possui força empreendedora. Agora, precisamos transformar essa força em empresas mais organizadas, produtivas e duradouras.

Porque abrir uma empresa exige coragem. Mantê-la viva exige persistência. Mas fazê-la crescer sem perder o controle exige gestão.

A pergunta, portanto, não é apenas quantas empresas existem em Campo Grande.

É quantas estão preparadas para continuar crescendo nos próximos anos.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Arthur Maximilliano

Arthur Maximilliano

Sócio fundador e Diretor de Estratégia (CSO) da RetenMax, empresa de consultoria empresarial com foco em gestão, cultura e tecnologia. Engenheiro de Produção formado pela UFMS, possui especializações em Gestão, Liderança e Inovação, além de formação em Marketing Digital e Business Intelligence e tem MBA em Inteligência Artificial e Big Data pelo IBMEC. Atua também como professor universitário, palestrante e é autor do livro Sussurros Empresariais, escrevendo sobre liderança, integridade, inovação e o futuro das organizações. | @arthurmaxnl

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