Oitava edição do evento será realizada de 22 a 25 de setembro, com sessões gratuitas, debates e oficina de preparação de elenco
Campo Grande recebe, entre os dias 22 e 25 de setembro, a 8ª edição do Desver – Festival de Cinema Universitário de Mato Grosso do Sul, evento que reúne produções de estudantes e realizadores de diferentes regiões do país. A programação será realizada no Anfiteatro Marçal de Souza Tupã, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com entrada gratuita e atividades abertas ao público.
A programação inclui uma sessão de cinema indígena, a estreia em Mato Grosso do Sul do longa “Nosso Segredo” (2026), dirigido por Grace Passô, uma mostra competitiva com 16 curtas universitários, debates com realizadores e uma oficina de preparação de elenco.
Criado em 2019, junto com o surgimento do curso de Audiovisual da UFMS, o festival se consolidou como espaço de exibição e discussão da produção universitária de cinema no Centro-Oeste. A edição deste ano reúne filmes de universidades e realizadores de diferentes estados brasileiros.
A curadoria recebeu pouco mais de 150 filmes de todo o país e foi realizada por alunos do curso de Audiovisual da UFMS, sob supervisão do professor Márcio Blanco.
Filme de Grace Passô abre programação
A abertura do festival ocorre na terça-feira (22), às 18h, com a exibição de “Nosso Segredo”, primeiro longa dirigido pela atriz e diretora mineira Grace Passô. O filme tem 108 minutos e será exibido pela primeira vez em Mato Grosso do Sul durante o evento.
A produção acompanha uma família negra que tenta reorganizar a rotina depois de uma perda recente. Enquanto os integrantes lidam de maneiras diferentes com o luto, o filho caçula guarda um segredo que pode levar a família a encarar as origens de suas dores.
A sessão será seguida de debate com os professores Julio Bezerra e Vitor Zan.
O longa foi o vencedor do Festival de Gramado deste ano, segundo a organização do Desver, e segue em circulação pelo circuito de festivais e salas de cinema.
Sessão indígena abre o festival
Antes da abertura oficial, às 15h de terça-feira (22), o público poderá acompanhar uma sessão dedicada ao cinema indígena.
Serão exibidos dois filmes relacionados à cultura, à memória e à luta dos povos Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
O primeiro é “Ava Yvy Vera – Terra do Povo do Raio” (2016), com 52 minutos, dirigido por Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Johnaton Gomes, Joilson Brites, Johnn Nara Gomes, Sarah Brites, Dulcídio Gomes e Edna Ximenes.
Realizado por jovens e lideranças da tekoha Guaiviry, o filme aborda a relação entre território, conhecimento, resistência e a retomada de terras tradicionais, além da vivência cotidiana do povo Guarani e Kaiowá.
Na sequência será exibido “Ava Yvy Pyte Ygua / Povo do Coração da Terra” (2023), de 40 minutos, dirigido pelo Coletivo Guahu’i Guyra.
A produção trata da relação dos Kaiowá com as rezas, a memória e os povos-raio e povos-trovão, elementos relacionados à história e à formação do território de Yvy Pyte, descrito como o Coração da Terra.
A sessão também terá debate com Julio Bezerra e Vitor Zan.
Mostra competitiva reúne 16 curtas
A principal disputa do festival reúne 16 produções universitárias selecionadas entre os mais de 150 filmes recebidos pela organização.
Os trabalhos foram produzidos por realizadores de diferentes estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Bahia, Tocantins, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul e Ceará.
As sessões da mostra competitiva começam sempre às 17h30 e serão acompanhadas de debates com os realizadores.
Na quarta-feira (23), serão exibidos:
- “TV Entreaberta”, de Mateus Compart
- “Entre o Vão”, de Júpiter Maluceli
- “Dirty Sanchez”, de Letícia Germanotta Cinema
- “Diálogo Bulbul”, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos
- “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique
Na quinta-feira (24), a programação continua com:
- “Intrusiva”, de Antonio Neto
- “Ato Final”, de Babi Astolfi e Lisa Soares
- “Filme-Copacabana”, de Sofia Leão
- “YbyApin”, de Murilo Ribeiro
- “Nação Hip Hop: Cultura de Rua”, de Laia Orisa
A última sessão competitiva será na sexta-feira (25), com:
- “Para César”, de LP Arruda
- “Iraê”, de Gabriel Vilela
- “A última locadora da cidade”, de Ícaro Iserhard
- “O Acumulador de Memórias”, de Camisla (Camila Santos)
- “O pequeno movimento das coisas que ficam”, de Mari Bechuate
- “Desvios Naturais”, de Rafaella Narciso
Após a última sessão, às 19h30, será anunciado o vencedor da Mostra Competitiva.
Oficina aproxima cinema e prática de atuação
Além das sessões, o festival terá uma atividade de formação voltada para quem deseja conhecer o trabalho de preparação de atores.
A Oficina de Preparação de Elenco será ministrada por Nadja Mitidiero, atriz de teatro e cinema formada pela Casa das Artes de Laranjeiras e pós-graduada pela Mountview Academy of Theatre Arts, em Londres.
A atividade será realizada nos dias 23 e 25 de setembro, das 14h às 17h, no Anfiteatro Marçal de Souza Tupã.
A proposta é trabalhar exercícios práticos relacionados à preparação de elenco a partir da experiência de Nadja em mais de duas décadas de atuação no teatro, cinema e televisão.
As inscrições para a oficina estão disponíveis no site oficial do festival.
De onde vem o nome Desver
O nome do festival é inspirado em um verso do poeta sul-mato-grossense Manoel de Barros: “Então era preciso desver o mundo para sair daquele lugar imensamente e sem lado”.
A ideia de “desver o mundo” passou a orientar a proposta do evento, que busca estimular outras formas de observar e interpretar a realidade por meio do cinema.
Desde a criação, em 2019, o festival passou por diferentes formatos. Durante a pandemia, realizou edições remotas e, nos anos seguintes, adotou formatos híbridos, mantendo a proposta de reunir estudantes, realizadores, pesquisadores e público.
A edição de 2026 retoma a programação presencial com sessões, debates e atividades de formação abertas à comunidade universitária e ao público em geral.



















