Dourados concentra mais de 40% dos casos prováveis e 19 dos 31 óbitos registrados no Estado em 2026
Mato Grosso do Sul já contabiliza 12.435 casos prováveis de chikungunya e 10.367 confirmações da doença em 2026, segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), divulgado nesta terça-feira (15). O levantamento considera os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) até 5 de setembro, na Semana Epidemiológica 35.
O boletim também registra 31 mortes confirmadas por chikungunya, além de um óbito que ainda está sob investigação. Há ainda 119 gestantes com confirmação da doença no Estado. Os dados são parciais e podem sofrer alterações conforme os municípios atualizem os registros.
A distribuição dos casos, porém, é bastante desigual entre os municípios. Dourados aparece como o principal foco do estado, com 5.266 casos prováveis e incidência de 2.163,8 casos para cada 100 mil habitantes. Sozinho, o município concentra cerca de 42% dos casos prováveis registrados em Mato Grosso do Sul.
Na sequência aparecem Corumbá, com 1.338 casos prováveis, Fátima do Sul, com 649, Dourados e Jardim, com 507. A lista também inclui municípios de menor população que apresentam incidências proporcionalmente elevadas.
Dourados concentra maior número de casos
Embora o número absoluto de casos seja maior em cidades mais populosas, o ranking de incidência mostra que alguns municípios menores enfrentam uma situação proporcionalmente mais intensa.
Douradina lidera a incidência no estado, com 4.535,7 casos prováveis por 100 mil habitantes. Em seguida estão Batayporã, com 3.752,8, Paraíso das Águas, com 3.593,5, Fátima do Sul, com 3.149,1, e Angélica, com 3.019,9 casos por 100 mil habitantes.
Ao todo, o boletim classifica como de alta incidência os municípios que ultrapassam 300 casos por 100 mil habitantes. Entre 100 e 300 casos por 100 mil, a incidência é considerada média. Abaixo de 100, é classificada como baixa.
O cenário muda quando se observa Campo Grande. A capital aparece na 75ª posição do ranking, com 57 casos prováveis e incidência de apenas 6,3 casos por 100 mil habitantes. Três municípios — Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã — não tinham casos prováveis registrados até a data de atualização do levantamento.
Mortes atingem diferentes faixas etárias
Os 31 óbitos confirmados em 2026 não estão concentrados exclusivamente entre idosos. A relação apresentada no boletim inclui desde bebês de poucos meses até pessoas com mais de 90 anos.
Dourados responde por 19 das 31 mortes confirmadas, seguido por Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Ponta Porã e outros municípios. Entre os registros há pacientes com e sem comorbidades descritas no boletim.
Entre os óbitos registrados em Dourados estão pacientes de diferentes idades, incluindo um bebê de três meses, outro de um mês, uma criança de 12 anos, um adolescente de 19 anos e pessoas com idades superiores a 90 anos. O levantamento também registra mortes associadas a condições como hipertensão, diabetes, câncer e doença renal crônica em parte dos casos.
A relação mostra ainda mortes em Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Ponta Porã, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Nioaque e Corumbá.
119 gestantes tiveram chikungunya
Outro dado que chama atenção é o número de gestantes com chikungunya confirmada: 119 casos até a Semana Epidemiológica 35.
Dourados também concentra a maior parte desses registros, com 75 gestantes diagnosticadas, o equivalente a cerca de 63% do total estadual. São 14 casos no primeiro trimestre, 31 no segundo e 30 no terceiro trimestre.
Corumbá aparece em segundo lugar, com dez casos, seguido por Fátima do Sul, com cinco. Outros municípios, como Douradina, Amambai, Jardim, Bonito, Maracaju, Paraíso das Águas e Sete Quedas, também apresentam registros.
Casos continuam sendo registrados
Considerando apenas os 14 dias anteriores ao fechamento do boletim, entre 23 de agosto e 5 de setembro, Sidrolândia apresentou 54 casos prováveis, com incidência de 114,6 casos por 100 mil habitantes, classificação considerada média.
No mesmo período, o boletim registrou casos confirmados em oito municípios. Dourados teve 15 confirmações, Sidrolândia 12, Bonito oito, Dois Irmãos do Buriti sete, Anastácio cinco, além de registros em Nova Alvorada do Sul, Jardim e Itaporã.
Os números mostram que, apesar da concentração histórica em determinados municípios, a circulação do vírus permanece distribuída pelo território sul-mato-grossense.
Como os casos são confirmados
O boletim explica que a confirmação da chikungunya pode ocorrer por critério laboratorial ou clínico-epidemiológico.
Em situações de epidemia, o diagnóstico pode considerar os sintomas apresentados pelo paciente e o histórico epidemiológico da região. Já os primeiros casos de determinada área devem ser confirmados por exames laboratoriais validados.
No Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul (Lacen-MS), os exames utilizados para confirmação incluem RT-PCR em tempo real e detecção de anticorpos IgM.
O que significa caso provável
O boletim faz uma distinção importante entre casos prováveis e confirmados. Os 12.435 casos prováveis incluem notificações que estão em investigação, casos posteriormente confirmados e registros classificados como ignorados. Os casos descartados não entram nessa conta.
Já os 10.367 casos confirmados correspondem aos registros encerrados para chikungunya segundo critérios laboratoriais ou clínico-epidemiológicos. Esses números também podem sofrer alterações conforme os municípios atualizam as informações no sistema.
Situação exige acompanhamento dos municípios
O boletim da SES mostra um cenário heterogêneo da chikungunya em Mato Grosso do Sul. Enquanto municípios como Douradina, Batayporã, Paraíso das Águas, Fátima do Sul, Angélica e Dourados apresentam incidência classificada como alta, Campo Grande aparece entre as cidades com baixa incidência.
A concentração de casos e mortes em Dourados também se destaca no levantamento. O município reúne aproximadamente quatro em cada dez casos prováveis registrados no Estado e responde por mais da metade dos óbitos confirmados em 2026.
Os dados, contudo, são considerados parciais e sujeitos a alterações, já que o boletim utiliza informações do Sinan Online atualizadas até 5 de setembro.


















