Análise estava prevista para 23 de setembro e foi adiada após STF discutir se os processos têm relação direta
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento de um pedido de investigação sobre a atuação do ministro André Mendonça como relator do caso Master. A análise estava prevista para a sessão plenária de 23 de setembro.
A decisão foi tomada após a sessão extraordinária realizada na terça-feira (15), quando o ministro Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem sobre a possibilidade de reunir o processo envolvendo Mendonça com o pedido de investigação relacionado ao ministro Alexandre de Moraes.
Os dois casos têm origem na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
Para Gilmar Mendes, os pedidos de investigação são correlatos e deveriam ser analisados em conjunto. O plenário começou a discutir a proposta, mas a análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que solicitou mais tempo para examinar o caso. Naquele momento, o placar estava em 4 a 3 pela realização dos julgamentos separadamente.
Ao retirar o processo da pauta, nesta quinta-feira (17), Fachin afirmou que tomou a decisão devido à “direta relação” entre o caso envolvendo Mendonça e o ponto levantado na questão de ordem.
“A inclusão em pauta será oportunamente redesignada”, afirmou o presidente do Supremo.
A decisão ocorre poucos dias depois de Fachin ter negado um pedido de Moraes para que os dois casos fossem analisados conjuntamente. Na ocasião, o presidente do STF havia mantido o julgamento sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro para a sessão extraordinária de 15 de setembro e marcado para o dia 23 a análise do pedido relacionado a Mendonça.
Entenda o caso
A discussão no STF ganhou força após Mendonça, então relator do caso Master, levantar, em 1º de setembro, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.
Nas mensagens, Vorcaro aparenta manter proximidade com Moraes e afirma ter enviado ao ministro, para apreciação, uma cópia de um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro trecho, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso. Segundo os investigadores, as respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas.
Durante a sessão plenária de terça-feira (15), Moraes afirmou novamente que nunca manteve diálogo com Vorcaro e questionou a existência de provas de que as mensagens tenham sido efetivamente enviadas. Segundo o ministro, também não seria possível descartar a hipótese de que elas tenham sido apagadas antes da visualização.
Na mesma sessão, Moraes e Mendonça protagonizaram um confronto durante o julgamento. Moraes acusou Mendonça de ter encomendado a inclusão de seu nome em uma eventual delação premiada de Vorcaro por motivações políticas. Mendonça negou a acusação e afirmou que ela é mentirosa.
O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a discussão sobre a possibilidade de julgamento conjunto dos processos. O mérito das investigações não chegou a ser analisado pelo plenário.
Com informações e imagem de Agência Brasil


















