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Ibovespa supera 200 mil pontos pela primeira vez, enquanto mercado reduz percepção de risco sobre ativos brasileiros

O mercado financeiro reagiu com forte valorização ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O dólar caiu 4,12% nesta segunda-feira (5) e encerrou o dia cotado a R$ 5,0022, enquanto o Ibovespa disparou 7,85%, aos 207.190,44 pontos, e superou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos.

A reação ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

Para os investidores, o resultado eleitoral alterou a percepção sobre o risco dos ativos brasileiros. A leitura inicial foi de redução do chamado prêmio de risco, movimento que favoreceu o real e também pressionou para baixo as taxas futuras de juros.

A valorização não ficou restrita ao mercado brasileiro. Ativos de empresas brasileiras negociados no exterior também registraram alta expressiva, em um sinal de aumento da demanda dos investidores.

Dólar tem maior queda do ano

O dólar à vista terminou o pregão em R$ 5,0022, com recuo de 4,12%. Durante a sessão, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,95, por volta das 10h30.

Foi a menor cotação de fechamento desde 21 de maio, quando o dólar terminou o dia em R$ 5,0004.

A queda ocorre após uma sessão de cautela na sexta-feira (2), quando a moeda norte-americana avançou quase 1% e fechou a R$ 5,2175, em meio à expectativa pelo resultado das urnas.

Com o recuo desta segunda-feira, o dólar passou a acumular queda de 8,87% no ano.

A forte valorização do real foi um dos principais reflexos da reação dos investidores ao resultado eleitoral. A expectativa de menor risco percebido para os ativos brasileiros aumentou a procura pela moeda e contribuiu para a queda das cotações.

Bolsa supera marca histórica

O Ibovespa também reagiu de forma intensa. O principal índice da Bolsa brasileira fechou aos 207.190,44 pontos, alta de 7,85%.

Durante o pregão, chegou a 209.605,70 pontos, novo recorde intradiário. Na mínima do dia, o índice marcou 192.137,63 pontos.

O movimento ampliou a alta registrada na sexta-feira, quando o Ibovespa havia avançado 2,63%, aos 192.137,63 pontos. Parte dos investidores já havia antecipado uma reação positiva do mercado ao resultado eleitoral.

Antes dos ajustes finais, o volume financeiro negociado na Bolsa somava R$ 97,58 bilhões.

No exterior, o movimento também foi expressivo. O ETF EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, subia 12,57% no fim da tarde, refletindo a procura dos investidores por ativos do país.

Petróleo vai na direção contrária

A alta dos ativos brasileiros ocorreu em um dia de queda do petróleo nos mercados internacionais.

O barril do Brent, referência internacional, para dezembro recuou 1,89%, a US$ 100,32. O WTI, referência no mercado norte-americano e com contrato para novembro, caiu 1,84%, para US$ 89,43.

O comportamento do petróleo destoou da valorização registrada nos mercados acionários brasileiros e não esteve diretamente relacionado ao resultado eleitoral no país.

No exterior, as bolsas asiáticas iniciaram a semana em alta, influenciadas pela expectativa de menor pressão para novos aumentos dos juros nos Estados Unidos. Em Nova York, os índices operavam em baixa na pré-abertura, enquanto as principais bolsas europeias apresentavam comportamento misto.

Apesar da reação positiva no primeiro pregão após a votação, o cenário eleitoral permanece aberto. Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno em 25 de outubro, e novas pesquisas, declarações de campanha e mudanças nas projeções eleitorais podem influenciar o comportamento dos investidores nas próximas semanas.

Com informações e imagem da Agência Brasil

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