Carregando…

COMPARTILHE

Quem usa as redes para divulgar o próprio trabalho provavelmente já sentiu a pressão de ter que se posicionar sobre assuntos em alta, como se fosse preciso participar de todas as conversas para continuar sendo lembrado.

Basta uma polêmica ganhar espaço para surgir aquela dúvida: será que eu também deveria falar alguma coisa? Você acompanha os comentários, vê outros profissionais se manifestando e começa a pensar no que as pessoas vão achar se não disser nada. Às vezes, ainda está tentando entender o que aconteceu, mas já sente que deveria ter uma opinião pronta.

Essa preocupação é muito comum em minhas conversas com diversos empresários sobre posicionamento, especialmente porque existe o desejo de mostrar o que se pensa e se aproximar de quem acompanha o trabalho, mas também o receio de desagradar ou de ser interpretado de uma forma que não corresponde ao que se quis dizer.

Por isso, antes de decidir como falar, considero importante entender por que entrar naquela conversa. O assunto faz parte da sua experiência? Você tem algo a acrescentar que possa ajudar quem está acompanhando? Ou a vontade de publicar surgiu porque parece que todo mundo já falou e só você ficou de fora? Perceber essa diferença pode evitar que a pressa de participar leve você a defender uma opinião que ainda nem teve tempo de formar.

O Reputation Council Report 2026, divulgado pela Ipsos em outubro, oferece um dado interessante para essa conversa. Entre os 200 líderes de comunicação e assuntos corporativos ouvidos, 61% disseram preferir que suas organizações ficassem em silêncio sobre temas que poderiam dividir opiniões, mesmo quando teriam legitimidade para se manifestar. Outros 35% relataram que suas empresas deixaram de comentar assuntos sobre os quais antes teriam falado. Esses números mostram uma cautela entre os participantes, mas não significam que o silêncio seja sempre a melhor escolha.

Pense em um empresário que acompanha uma polêmica sobre uma demissão. Ele lê um trecho da história, se identifica com um dos lados e publica uma crítica. No dia seguinte, aparecem informações que mudam sua compreensão do caso. Agora, além de rever o que pensava, ele precisa lidar com uma opinião que já foi compartilhada e associada ao seu nome. Esperar um pouco poderia ter ajudado a entender o que estava comentando e a decidir se fazia sentido participar.

Ao construir o posicionamento de um profissional, gosto de olhar para os assuntos sobre os quais ele tem algo próprio a dizer. Quem passou anos conduzindo uma empresa, atendendo clientes ou desenvolvendo uma especialidade tem experiências que podem ser úteis para outras pessoas. Muitas vezes, porém, deixa essas histórias de lado para acompanhar discussões que têm pouca relevância para o seu trabalho. Com o tempo, pode ficar mais conhecido pelas polêmicas que comenta do que pelo conhecimento que gostaria de compartilhar.

É claro que ninguém precisa falar apenas sobre sua profissão, até porque os nossos valores, interesses e opiniões também fazem parte de quem somos e podem aparecer na comunicação. O cuidado está em perceber se estamos falando porque aquilo faz sentido para nós ou porque sentimos que precisamos responder à expectativa dos outros.

Para mim, esse cuidado faz parte da construção de autoridade, afinal as pessoas conhecem nossa maneira de pensar pelo que publicamos e também pelo modo como conduzimos uma conversa, respondemos a uma dúvida ou lidamos com uma discordância. Com o tempo, essas experiências ajudam a formar a confiança que depositam em nosso trabalho.

Antes de comentar o próximo assunto que aparecer nas redes, vale entender por que você quer participar daquela conversa. Sua experiência pode ajudar alguém? O tema tem importância para você e para as pessoas que acompanha? Há alguma responsabilidade sua que precisa ser esclarecida? Essas perguntas ajudam a escolher o que merece sua atenção e o que simplesmente precisa ser ignorado.

Lembre-se, você não precisa participar de todas as discussões para ser lembrado pelo que faz. Mas, quando decidir falar, considere que o seu nome continuará associado àquelas palavras mesmo quando o assunto deixar de estar em alta.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Letícia Ribeiro

Letícia Ribeiro

Estrategista de Crescimento de Negócios, fundadora e CEO da BPM Group, especialista em transformar negócios em marcas fortes, lucrativas e preparadas para escalar. Com sólida experiência em gestão, branding e estratégia de expansão, ajuda negócios a unirem estrutura, lucro e percepção de valor, através de métodos próprios como a Arquitetura de Autoridade e a Engrenagem Lucrativa. | @aleticiaribeiiro