Nosso País passará pelo segundo turno das eleições no próximo dia 25 de outubro.
Este tempo tem sido marcado por divisões profundas, debates acalorados e reflexos de intolerância de ambos os espectros políticos, convencionados como Esquerda e Direita. E temos nestas eleições, contornos mais dramáticos com a rapidez da informação e a amplificação das redes sociais.
Temos tido notícias de famílias divididas pela paixão política, amigos, antes inseparáveis, agora tendo a amizade estremecida por conta da polarização.
Em momentos de ânimos exacerbados, nos quais o espaço para a empatia e o diálogo parece reduzido, a fé cristã oferece um firmamento seguro.
“Andar com fé” não significa isolamento ou alienação da realidade social e política, mas sim, um compromisso de transitar pelo mundo a partir de valores elevados: a prudência, o amor ao próximo, a justiça e a busca constante pela paz.
A mensagem bíblica convida a uma reflexão profunda sobre o papel do cidadão consciente que recusa o extremismo e escolhe ser ponte em vez de muro. Diante das pressões ideológicas e do ruído das narrativas antagônicas, a Bíblia fornece diretrizes claras sobre o equilíbrio de posicionamento e o exercício responsável da cidadania.
Em Primeiro Lugar
O Chamado ao Equilíbrio e à Sensatez
O equilíbrio é uma das virtudes mais enfatizadas nos escritos bíblicos, frequentemente associado à sabedoria e ao domínio próprio. Em um ambiente polarizado, a tendência humana é reagir com impulsividade, adotando posições intransigentes que alimentam a discórdia. A Escritura, contudo, adverte contra os excessos:
“Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?” (Eclesiastes 7:16)
Esse conselho de Eclesiastes aponta para a necessidade de humildade intelectual e espiritual. A convicção pessoal não precisa se desdobrar em arrogância nem na desumanização daqueles que pensam de maneira diferente. Além disso, o Apóstolo Paulo orienta a comunidade a cultivar a moderação em todas as circunstâncias:
“Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens.” (Filipenses 4:5)
E mais a palavra do Apóstolo Tiago vem a calhar, quando a tendencia for de discussão e não um debate saudável
“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19). O equilíbrio espiritual nos protege do contágio do ódio e preserva a nossa integridade emocional e relacional.
Em segundo lugar
A Cidadania Cristã: Responsabilidade e Padrões Elevados
A Bíblia não isenta a pessoa de fé dos seus deveres civis; pelo contrário, estabelece um conceito elevado de cidadania. O cristão deve buscar o bem-estar da comunidade em que está inserido, promovendo a ordem, a justiça e o respeito às instituições sociais, conforme nos orienta o Profeta Jeremias 29.7 – “Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao SENHOR em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”.
A verdadeira cidadania inspirada pela fé desdobra-se em ações concretas:
Cumprimento dos deveres civis: Dentre eles o principal votar e quem desejar, ser votado.
Oração pelas lideranças: Interceder por governantes e líderes, independentemente de preferências partidárias, “para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (1 Timóteo 2:1-2).
Promoção da paz e da justiça: Buscar soluções construtivas para os problemas sociais, evitando discursos de ódio, difamação e fake News.
Devemos viver o processo, o dia da eleição deveria ser a Festa da Democracia, tempo em que o cidadão tem voz e voto
Andar com fé é viver a vida com os princípios de Deus e para a glória de Deus. Nossa cidadania terrena deve refletir os princípios da pátria celestial. Isso significa que a lealdade suprema de quem anda com fé pertence a Deus, o que impede a transformação de ideologias partidárias ou figuras políticas (de Direita ou de Esquerda) em objetos de devoção absoluta. Ideologias e pessoas passam e embora cada um de nós tenha, além do dever, o direito de votar livremente, devemos como cristãos nos lembrar de um princípio maior, fazer tudo para a glória de Deus: “Portanto., quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10.31)

















