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Quando falamos em mídia exterior, uma das primeiras perguntas costuma ser, “qual é o melhor ponto?”.

A resposta, no entanto, vai muito além de escolher uma avenida movimentada ou uma região com grande circulação de pessoas. Em OOH, localização não deve ser analisada apenas como endereço. Ela precisa ser entendida como parte da estratégia de comunicação da marca.

Um ponto pode ter excelente fluxo e, ainda assim, não ser o mais adequado para determinada campanha. Isso acontece porque visibilidade, sozinha, não garante eficiência. É preciso entender quem passa por aquele local, em qual contexto, com que frequência e qual relação aquele público possui com a mensagem anunciada.

É justamente nesse momento que a mídia exterior deixa de ser apenas exposição e passa a funcionar como ferramenta estratégica.

Ao longo da minha atuação com planejamento e comercialização de mídia OOH, percebo que muitas decisões ainda são tomadas com base em um único critério, quantidade de pessoas circulando pelo local.

O fluxo é importante, mas não deve ser analisado de forma isolada.

Uma campanha voltada ao público empresarial, por exemplo, pode encontrar maior eficiência em regiões com concentração de escritórios, centros comerciais e rotas utilizadas diariamente por executivos.

Já uma marca direcionada às famílias pode ter mais aderência em trajetos próximos a escolas, supermercados, centros de compras ou bairros residenciais.

O ponto ideal é aquele em que público, mensagem e contexto se encontram.

O entorno também comunica

Na mídia exterior, não é apenas o anúncio que fala. O local onde uma marca escolhe aparecer também contribui para a percepção construída sobre ela.

Estar próximo a determinados estabelecimentos, regiões valorizadas, centros comerciais ou locais de grande relevância pode reforçar atributos como credibilidade, modernidade, proximidade ou autoridade.

Por isso, analisar o entorno é tão importante quanto observar o número de veículos ou pedestres que circulam pelo local.

Uma marca não ocupa apenas um espaço físico. Ela passa a fazer parte da paisagem, da rotina e da experiência de quem transita por aquele ambiente.

E essa presença, quando bem planejada, pode fortalecer significativamente a lembrança de marca.

Tempo de exposição também importa

Outro aspecto fundamental é compreender como aquela mídia será consumida.

Uma avenida de alta velocidade possui uma dinâmica completamente diferente de um cruzamento com semáfaro, por exemplo.

Em locais onde o público permanece alguns segundos parado, existe maior possibilidade de absorção de informações. Já em vias rápidas, a comunicação precisa ser extremamente objetiva, com poucos elementos e uma mensagem de fácil compreensão.

Por isso, escolher um ponto de mídia também significa analisar ângulo de visualização, distância, velocidade da via e tempo disponível para leitura da mensagem.

Esses fatores influenciam diretamente a criação da campanha. Não existe mídia eficiente sem considerar a forma como ela será vista.

Frequência transforma presença em reconhecimento

Existe ainda outro elemento importante, a repetição.

Quando uma pessoa percorre diariamente o mesmo trajeto e encontra uma marca de forma recorrente, aquela comunicação deixa de ser apenas um anúncio pontual e passa a fazer parte da sua rotina.

A frequência contribui para o reconhecimento. E reconhecimento, ao longo do tempo, contribui para confiança e lembrança.

É por isso que uma estratégia de mídia exterior não deve considerar apenas pontos isolados. Dependendo do objetivo da campanha, pode ser mais eficiente construir uma presença distribuída ao longo dos principais trajetos percorridos pelo público.

Nesse cenário, a pergunta deixa de ser apenas “onde anunciar?” e passa a ser: “Onde minha marca precisa estar para fazer parte da rotina do consumidor?”.

Essa mudança de perspectiva transforma completamente o planejamento.

O melhor ponto depende do objetivo

Não existe um ponto universalmente perfeito. Existe o ponto mais adequado para determinado público, campanha e objetivo.

Uma ação voltada ao fortalecimento institucional exige uma estratégia diferente de uma campanha promocional. Da mesma forma, uma empresa que busca alcançar novos públicos pode precisar ocupar regiões diferentes daquelas utilizadas por uma marca que deseja reforçar presença em uma área onde já possui atuação consolidada.

Por isso, antes de escolher qualquer espaço de mídia exterior, é necessário compreender três questões fundamentais:

1ª – Quem queremos alcançar?

2ª – Onde esse público circula?

3ª – Qual percepção queremos construir quando ele encontrar nossa marca?

Quando essas respostas estão claras, a escolha do ponto deixa de ser uma decisão baseada apenas em disponibilidade ou circulação e passa a fazer parte de um planejamento estratégico.

Mídia exterior é presença com propósito

Uma boa estratégia de OOH não começa pela escolha de uma placa. Começa pela compreensão do comportamento das pessoas.

Depois disso, entram o território, os trajetos, os pontos de contato, a frequência e a mensagem.

É essa combinação que transforma um espaço de mídia em uma oportunidade real de posicionamento. Em um cenário em que as marcas disputam atenção todos os dias, estar presente continua sendo importante.

Mas estar presente no lugar certo, diante do público certo e com uma mensagem coerente é o que realmente faz diferença.

Porque, na mídia exterior, localização nunca foi apenas endereço. É estratégia.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Ingrid Lucena

Ingrid Lucena

Publicitária, especialista em Marketing e Vendas pela Uniderp e MBA em Gestão, Inovação e Liderança pelo Insted. Atualmente pós-graduanda em Gestão Estratégica de Negócios. Com mais de 15 anos de experiência no mercado de mídia Out of Home (OOH), atua na gestão comercial do Grupo Total, desenvolvendo estratégias de posicionamento de marcas, expansão de negócios e soluções em mídia exterior.

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