Mais uma vez, o calendário nos coloca diante de um dos momentos mais importantes da nossa vida em sociedade: o período eleitoral. O que deveria ser a celebração da democracia, o momento máximo em que exercemos nossa cidadania para escolher os rumos da nossa cidade, estado e país, tem se transformado, infelizmente, em um campo de batalha minado. Como colunista deste espaço, sinto a urgência de trazer à tona uma reflexão que une duas esferas frequentemente separadas ou, pior, perigosamente misturadas: a nossa fé e as eleições.
Nos últimos anos, temos testemunhado o crescimento assustador de um fenômeno devastador: a extrema polarização política. O debate de ideias — saudável e necessário para o amadurecimento de qualquer sociedade — foi substituído pela ofensa, pelo ódio e pela intolerância. O perigo dessa polarização não reside apenas nas urnas, mas na maneira como ela tem invadido os espaços mais sagrados e íntimos da nossa vida.
É profundamente triste constatar quantas pessoas estamos perdendo por conta de candidatos. E não me refiro a perdas literais, mas ao rompimento de laços que deveriam ser inquebráveis. Estamos permitindo que a ideologia político-partidária se interponha nas nossas relações familiares, eclesiásticas e sociais. Grupos de família no WhatsApp tornaram-se arenas de gladiadores; mesas de domingo são marcadas por silêncios constrangedores ou brigas acaloradas; comunidades de fé, que deveriam ser refúgios de amor e união, sofrem rupturas porque irmãos decidiram que a cor de uma bandeira é mais importante do que os laços do espírito. Amizades de décadas são descartadas com um simples clique de “bloquear” nas redes sociais.
Precisamos parar e nos perguntar: vale a pena? Nenhum candidato, por melhor que pareça, e nenhuma ideologia política, por mais alinhada que esteja com a nossa visão de mundo, merece o sacrifício da nossa comunhão. Políticos cumprem seus mandatos e passam. Ideologias mudam, governos se alternam, mas a nossa família, os nossos irmãos de fé e os nossos amigos são os que permanecem ao nosso lado nos momentos de dor e de alegria. Transformar líderes políticos em “salvadores da pátria” ou em ídolos inquestionáveis é um erro que custa caro à nossa saúde emocional e espiritual.
Isso não significa, de forma alguma, que devemos ser alienados ou que a política não importa. Pelo contrário. Para quem professa uma crença, o ato de votar não é apenas uma obrigação cívica; votar precisa ser também um ato de Fé.
A verdadeira fé não nos afasta da realidade, mas nos compromete com a transformação do mundo ao nosso redor. Votar com fé é ir à urna pensando não apenas nos próprios interesses, mas no coletivo. É analisar as propostas sob a ótica do amor ao próximo, da justiça social, da compaixão e da ética. É escolher representantes que promovam a paz e a dignidade humana, em vez do ódio e da divisão.
Existe um princípio de sabedoria milenar, presente nas Escrituras Sagradas, que nos orienta a buscar a paz e a prosperidade da cidade onde habitamos, pois, na paz da cidade, encontraremos a nossa própria paz. Essa é uma verdade absoluta para os nossos dias: se o País, o Estado e a nossa Cidade forem bem, todos seremos beneficiados. O bem comum deve ser o nosso alvo principal. O buraco na rua, a falta de médicos no posto de saúde, a qualidade da educação e o desenvolvimento econômico não escolhem ideologia — eles afetam a todos nós, independentemente de quem votamos.
Portanto, neste período eleitoral, faço um convite a você, leitor do Total News. Exerça seu direito ao voto com paixão, estude seus candidatos, defenda suas ideias, mas faça isso com mansidão e respeito. Não entregue suas amizades e sua família no altar da polarização política. Use o seu voto como uma semente de esperança.
Que a nossa fé nos guie para escolhermos o melhor para a nossa nação, mas que ela também nos lembre de que o maior mandamento de todos não se encontra em nenhuma constituição ou cartilha partidária: é o amor a Deus e ao próximo. Que possamos sair destas eleições com os nossos prefeitos e vereadores escolhidos, mas, acima de tudo, com as nossas famílias unidas e o nosso coração em paz.














