Termômetro do Varejo aponta alta de 5,4% no varejo ampliado no primeiro semestre, enquanto desemprego recua para 2,7%
As exportações de Mato Grosso do Sul cresceram 12,8% entre janeiro e julho de 2026, alcançando US$ 7,2 bilhões, enquanto o varejo ampliado do Estado avançou 5,4% no primeiro semestre, quase três vezes a alta registrada no país. Os dados fazem parte da edição de agosto do Termômetro do Varejo, divulgado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS).
No mesmo período, as importações estaduais recuaram 3,7%, para US$ 1,4 bilhão. O desempenho das exportações foi o principal destaque entre os indicadores analisados pelo levantamento, que reúne dados sobre comércio, emprego, renda, crédito, inflação e atividade econômica.
O comércio varejista, sem considerar veículos, materiais de construção e outros segmentos incluídos no varejo ampliado, cresceu 2,6% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025. A taxa também ficou acima da média nacional, de 1,9%.
Mercado de trabalho
O mercado de trabalho contribuiu para o desempenho do consumo. A taxa de desemprego de Mato Grosso do Sul caiu para 2,7% no segundo trimestre, enquanto a renda média do trabalhador chegou a R$ 3.840.
Apesar dos resultados positivos, o levantamento aponta sinais de desaceleração na geração de empregos formais e no crédito. A inflação também voltou a ganhar força em Campo Grande, o que pode pressionar o orçamento das famílias na segunda metade do ano.
Para a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o baixo desemprego favorece o consumo, mas o nível de endividamento das famílias exige cautela.
“Os números mostram que a taxa de desemprego segue em patamar historicamente baixo para o estado. Esses dados favorecem o consumo e o desempenho do comércio. Na segunda metade do ano, o desafio será sustentar o ritmo de crescimento em um ambiente em que o endividamento segue elevado e pressionando o quadro financeiro das famílias”, destaca.
Empresário vê mercado aquecido
A avaliação de que o consumo permanece aquecido, apesar de um cenário de maior cautela, também aparece entre empresários. Dário Burda Júnior, proprietário da Artemis e Baco Vinhos, afirma que o negócio alcançou, em pouco mais de 90 dias de funcionamento, metas inicialmente projetadas para seis meses.
“Estamos com a casa aberta há pouco mais de 90 dias e já atingimos metas previstas para 180 dias. Apesar de percebermos um mercado mais retraído em alguns setores, sentimos um ambiente aquecido e uma boa resposta dos clientes”, afirma.
Com experiência anterior no setor de tecnologia, Burda decidiu investir no mercado de vinhos e experiências. A proposta reúne rótulos nacionais, vinhos premiados, queijos, petiscos e produtos exclusivos.
Segundo o empresário, a intenção é oferecer uma experiência que vá além da venda de produtos.
“Quando você trabalha com algo de que realmente gosta, o resultado tende a ser melhor. Queremos oferecer mais do que produtos. A ideia é criar um espaço para bons momentos, seja entre amigos, em família ou em um encontro especial”, diz.
Diante do desempenho dos primeiros meses, o empresário avalia ampliar o negócio com uma filial, novas unidades ou até um modelo de franquias.
“O caminho é continuar investindo. Não podemos parar”, completa.


















