Na última terça-feira (23) participei de mais uma edição do Jantar Empresarial promovido pelo Movimento MS Líder. Saí do encontro com uma impressão difícil de ignorar: talvez estejamos assistindo ao nascimento de uma nova força empresarial em Mato Grosso do Sul.
Não me refiro apenas ao crescimento econômico do Estado. Refiro-me à capacidade do empresariado de ocupar espaço no debate público, influenciar decisões e participar da construção dos rumos de Mato Grosso do Sul.
Durante muito tempo, empresários limitaram sua atuação aos próprios negócios. Hoje, percebo um movimento diferente. Quem gera empregos quer participar das discussões sobre reforma tributária, legislação trabalhista, infraestrutura, segurança jurídica, inovação e competitividade. E isso é positivo para qualquer democracia.
O encontro reuniu cerca de 60 empresários, representantes do setor produtivo e lideranças políticas. Entre os convidados estavam o ex-governador Reinaldo Azambuja, pré-candidato ao Senado, e o deputado estadual Zé Teixeira, pré-candidato à reeleição. Mais importante do que os nomes presentes foi a qualidade do debate.

A proposta de extinção da escala 6×1 dominou boa parte das conversas. O tema dividiu opiniões, mas deixou uma lição evidente: políticas públicas que afetam a economia precisam ser construídas ouvindo quem emprega, investe e assume riscos todos os dias. O diálogo não elimina divergências, mas produz decisões mais maduras.
Outro aspecto me chamou atenção.
A pauta da tecnologia começou a aparecer com naturalidade nas conversas. Há poucos anos, inteligência artificial, automação e transformação digital pareciam assuntos restritos às grandes empresas. Hoje, fazem parte da estratégia de competitividade de negócios de todos os portes. Quem compreender essa mudança ganhará produtividade. Quem ignorá-la perderá espaço.
O mesmo acontece com a comunicação.
Empresas não competem apenas por mercado; competem por confiança. Instituições públicas também. Em um ambiente cada vez mais conectado, comunicar com clareza tornou-se um fator econômico. Boas decisões precisam ser acompanhadas de boa comunicação. Lideranças precisam saber ouvir antes de convencer. Informação de qualidade reduz ruídos e aumenta a confiança para investir.
É justamente nesse ponto que iniciativas como o MS Líder ganham relevância.
Ao aproximar empresários e representantes do poder público, o movimento cria um ambiente raro: o do diálogo qualificado. Sob a condução de Cristiano Mendes, José Charbel e Anderson Miguel, a proposta vai além da realização de encontros. O objetivo é formar uma comunidade empresarial mais organizada, mais participativa e mais consciente do seu papel no desenvolvimento do Estado.
Mato Grosso do Sul vive um ciclo de expansão econômica impulsionado pelo agronegócio, pela indústria e pela chegada de novos investimentos. Mas crescimento, por si só, não garante desenvolvimento. É preciso construir lideranças, fortalecer instituições e criar espaços permanentes de diálogo entre quem produz riqueza e quem formula políticas públicas.
Foi essa percepção que levei comigo ao deixar o encontro.
Vejo nascer um empresariado mais organizado, mais conectado e mais disposto a participar da construção do futuro de Mato Grosso do Sul. Um empresariado que entende que desenvolvimento não depende apenas de capital, mas também de diálogo, comunicação e tecnologia.
Porque Estados fortes são construídos por governos responsáveis. Mas são transformados por uma sociedade civil organizada. E poucos atores têm tanto potencial para impulsionar essa transformação quanto um empresariado unido em torno de um projeto de futuro.















