Afinamento dos fios é o principal sinal da condição, que pode surgir ainda na vida adulta, impactar a autoestima das mulheres e tem melhores resultados quando identificada precocemente
Associada por muitas pessoas apenas aos homens, a calvície também faz parte da realidade de milhares de mulheres. O problema pode surgir ainda na juventude e, diferentemente do que muitos imaginam, nem sempre é acompanhado por uma queda intensa de cabelo. Em grande parte dos casos, a condição evolui de forma silenciosa, provocando o afinamento gradual dos fios e a perda de volume capilar. Essa condição faz com que muitas pacientes só percebam a mudança quando o couro cabeludo já está mais aparente.
Considerada a principal causa de perda capilar entre as mulheres, a alopecia androgenética, forma mais comum da calvície feminina, afeta cerca de 5% da população feminina, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A incidência aumenta com o avanço da idade e pode atingir entre 30% e 40% das mulheres após os 70 anos, tornando-se um problema cada vez mais comum ao longo da vida.
Além das mudanças na aparência, o problema pode gerar insegurança, afetar a autoestima e comprometer a qualidade de vida. O impacto emocional costuma ser ainda maior porque o cabelo está diretamente ligado à identidade e à autoimagem de muitas mulheres.
Segundo o dermatologista e CEO da Clínica Sanabria, Dr. Baltazar Sanabria, a calvície feminina tem origem genética, assim como ocorre nos homens. A condição geralmente começa a se manifestar entre os 20 e 25 anos e tende a evoluir gradualmente quando não recebe tratamento adequado.
“O afinamento dos fios é a principal característica. Muitas mulheres não percebem aumento da queda, mas notam que o cabelo perde volume e cobertura com o passar do tempo”, explica o médico.
Nem toda queda de cabelo é calvície
Embora a perda capilar seja um dos sinais que mais preocupam as mulheres, nem toda queda de cabelo está relacionada à calvície. Fatores como estresse intenso, alterações hormonais, alimentação inadequada e noites mal dormidas também podem interferir no ciclo de crescimento dos fios.
Nesses casos, o quadro costuma ser temporário e é conhecido como eflúvio telógeno. A principal diferença é que há aumento perceptível da queda de cabelo, enquanto a calvície feminina normalmente se manifesta pelo afinamento gradual dos fios.
Entre os sinais que merecem atenção estão o surgimento de falhas visíveis, a redução do volume capilar e uma quantidade de fios muito maior que o habitual durante o banho, ao pentear os cabelos ou ao acordar.
De acordo com Baltazar, a saúde capilar está diretamente ligada ao equilíbrio do organismo. Alterações hormonais, especialmente durante a aproximação da menopausa, além do excesso de estresse e de dietas restritivas, podem afetar a qualidade dos fios e favorecer a queda capilar.
Diagnóstico precoce faz diferença no tratamento
Um dos principais desafios é que muitas mulheres demoram para procurar ajuda especializada. Como o couro cabeludo possui grande quantidade de fios, a perda de densidade capilar pode levar anos para se tornar evidente.
Quando o diagnóstico ocorre nas fases iniciais, o tratamento clínico costuma apresentar resultados mais satisfatórios. Medicamentos e procedimentos realizados no couro cabeludo podem controlar a progressão da doença e estimular o fortalecimento dos fios remanescentes.
Já nos casos mais avançados, quando parte dos fios deixa de nascer de forma definitiva, o transplante capilar pode ser indicado para restaurar a cobertura das áreas afetadas.
O especialista também alerta para os riscos da automedicação e das soluções milagrosas divulgadas na internet. Segundo ele, vitaminas, suplementos ou receitas caseiras não substituem a investigação da causa da queda capilar.
“A queda de cabelo é um sintoma. Antes de iniciar qualquer tratamento, é necessário identificar o que está provocando o problema”, ressalta.
A recomendação é buscar avaliação médica ao notar afinamento dos fios, aumento persistente da queda ou surgimento de falhas no couro cabeludo. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução e preservar a saúde capilar.




















