Setor reúne 129,4 mil empregos no país e fornece matérias-primas usadas em tecnologias, equipamentos industriais e na transição energética
Presentes em tecnologias que vão de baterias e equipamentos eletrônicos a sistemas de geração de energia, os minerais críticos e estratégicos ganharam importância nas disputas econômicas globais. No Brasil, as atividades relacionadas a essas substâncias empregaram 129.423 pessoas em 2025 e integram um setor que movimentou R$ 250,4 bilhões com a produção mineral no mesmo ano.
Os dados fazem parte do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A plataforma reúne informações sobre empregos, remuneração, produção, investimentos e comércio exterior, além de permitir a consulta às substâncias e aos municípios ligados à atividade.
Os minerais críticos são matérias-primas consideradas essenciais para setores econômicos importantes, mas que podem enfrentar riscos de fornecimento. Já os minerais estratégicos são aqueles relevantes para o desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial de um país, incluindo áreas como energia, defesa e infraestrutura. As duas categorias podem se sobrepor.
Entre as substâncias contempladas pelo levantamento estão lítio, cobre, nióbio, titânio, terras-raras, ferro, ouro e alumínio. Esses recursos têm aplicações variadas: o lítio é usado em baterias recarregáveis; o cobre, em fios e componentes elétricos; e as terras-raras, em equipamentos eletrônicos, ímãs de alto desempenho e tecnologias de energia limpa.
A importância econômica desses minerais está relacionada tanto à extração quanto à capacidade de transformá-los em produtos de maior valor agregado. O acesso a essas matérias-primas influencia cadeias industriais, investimentos e a competitividade de países que buscam ampliar a produção de tecnologias e reduzir a dependência de fornecedores externos.
Mineração concentra mais de 129 mil empregos
Em 2025, as atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos responderam por 57% dos 226.634 empregos da indústria extrativa mineral brasileira. Na comparação com 2023, o número de postos de trabalho ligados a essas substâncias cresceu 8,6%.
Minas Gerais lidera a geração de empregos, com 62.631 postos de trabalho, seguido pelo Pará, com 27.047, e pela Bahia, com 9.147.
O ferro é a substância que mais emprega entre as atividades contempladas pelo painel, com 70.027 trabalhadores. Em seguida aparecem os metais preciosos, que somam 21.313 empregos.
O levantamento também mostra diferenças no perfil dos profissionais. Os homens ocupam 100.765 postos, o equivalente a 78% do total, enquanto as mulheres respondem por 28.658 empregos, ou 22%.
Em relação à escolaridade, os trabalhadores com ensino superior somam 30.707, cerca de 14% dos empregos relacionados aos minerais críticos e estratégicos. Desse total, 19.060 são homens e 11.647, mulheres.
Salários variam conforme a escolaridade
A remuneração média dos trabalhadores do setor também varia de acordo com o nível de escolaridade. Em 2025, os profissionais com ensino fundamental recebiam, em média, R$ 3.218. Para aqueles com ensino médio, a média era de R$ 4.142. Já os trabalhadores com ensino superior tinham remuneração média de R$ 11.856.
A plataforma também apresenta dados por município. Parauapebas, no Pará, aparece com 8.234 empregos relacionados às atividades de minerais críticos e estratégicos. Nova Lima, em Minas Gerais, registra 8.218, enquanto Congonhas, também em Minas Gerais, soma 7.114.
Em Nova Lima, 4.776 dos trabalhadores dessas atividades têm ensino superior. Em Parauapebas, são 1.851 profissionais com essa escolaridade, enquanto Congonhas registra 1.234.
Produção mineral movimenta R$ 250,4 bilhões
Além do mercado de trabalho, o portal reúne indicadores sobre exploração, investimentos, produção e comércio exterior. Os dados apontam que o Brasil tinha 1.012 áreas em produção mineral em 2025, que resultaram em R$ 250,4 bilhões.
A divulgação das informações permite acompanhar a dimensão econômica da mineração e a distribuição territorial das atividades. O acesso aos dados também ajuda a compreender o papel dos recursos minerais no abastecimento de cadeias produtivas e na geração de empregos.
A análise do mercado formal de trabalho foi elaborada a partir de microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Os dados podem ser consultados no Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração.
*Com informações de Agência Brasil e imagens de Sigma Lithium/Divulgação


















