Sebrae afirma que dinheiro gasto em apostas pode voltar ao consumo, mas estudos apontam impactos econômicos e sociais do avanço das plataformas
A redução ou retirada das plataformas de apostas esportivas online, conhecidas como bets, pode abrir espaço para que parte do dinheiro hoje destinado aos jogos volte a circular no comércio e nos serviços. Essa é a avaliação do Sebrae, que vê no cenário uma oportunidade para micro e pequenas empresas recuperarem parte da demanda perdida nos últimos anos.
Segundo a entidade, os brasileiros movimentaram cerca de R$ 65 bilhões em apostas em 2025. O avanço desse mercado passou a chamar a atenção não apenas pelo crescimento das plataformas, mas também pelos efeitos sobre o orçamento das famílias e sobre o consumo.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, afirma que a restrição às apostas pode contribuir para aumentar o dinheiro disponível para gastos cotidianos, como alimentação, serviços e comércio local.
“O fim das bets sinaliza para mais movimento na padaria, no açougue, no mercadinho e na floricultura. Cada real que retorna à economia real gera um efeito multiplicador que cria empregos, estimula a renda e eleva a arrecadação local”, afirmou.
A entidade cita ainda dados do Banco Central segundo os quais o volume de transações feitas por Pix caiu cerca de 10% nos três dias seguintes à publicação da medida provisória que trata da proibição das apostas. O dado é usado pelo Sebrae como um dos sinais de que o dinheiro direcionado às bets tem impacto sobre o comportamento de consumo.
Dinheiro que deixa de circular no comércio
Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as apostas tenham reduzido entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões a atividade econômica brasileira no último ano.
A estimativa considera recursos que poderiam ter sido destinados ao consumo de bens e serviços, atingindo setores como restaurantes, salões de beleza, oficinas mecânicas e pequenos estabelecimentos comerciais.
O argumento é que, ao comprometer parte da renda disponível com apostas, as famílias reduzem o dinheiro destinado a outras despesas. Para pequenos negócios, isso pode representar menor circulação de clientes e redução do faturamento.
Além do impacto econômico, o avanço das apostas também passou a ser associado a problemas de saúde e endividamento entre jogadores.
De acordo com estimativas citadas pelo Sebrae, as perdas sociais relacionadas ao fenômeno ultrapassariam R$ 40 bilhões por ano, sendo mais de R$ 30 bilhões ligados à saúde pública.
A entidade também menciona dados do Laboratório de Estudos de Políticas Públicas (LEPP) segundo os quais houve aumento de 140% na procura por atendimento no SUS relacionado a problemas associados ao jogo nos últimos cinco anos.
Pequenos negócios
Na avaliação do Sebrae, uma eventual recuperação do consumo não ocorrerá automaticamente. A entidade afirma que os pequenos negócios precisam estar preparados para atender uma possível retomada da demanda.
“O momento exige gestão eficiente, melhoria de processos e inteligência de mercado para capturar essa demanda represada”, disse Soares.
Para o presidente da entidade, a oportunidade está em transformar o eventual retorno do dinheiro ao consumo em crescimento sustentável para os pequenos negócios.
A expectativa do Sebrae é que a retirada das plataformas de apostas, prevista para 6 de outubro, contribua para reduzir a parcela da renda das famílias destinada aos jogos e aumente os recursos disponíveis para outras despesas.
O impacto efetivo dessa mudança, no entanto, dependerá do comportamento dos consumidores e da destinação que será dada ao dinheiro que deixaria de ser gasto nas plataformas de apostas.
Com informações e imagem da Agência Sebrae

















