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Diante das mudanças climáticas e da irregularidade cada vez maior no regime de chuvas, produtores rurais de Mato Grosso do Sul têm apostado na irrigação como estratégia para garantir produtividade, reduzir perdas e manter o ritmo de crescimento da produção agrícola no Estado. A tecnologia ganhou destaque durante o Dia de Campo da Cultura do Milho Safrinha, realizado nesta semana em Maracaju, um dos principais polos do agronegócio sul-mato-grossense.

O evento reuniu cerca de 300 produtores, pesquisadores e representantes do setor agropecuário na Fazenda Real, propriedade do agricultor Luiz Carlos Roos, presidente da Associação dos Irrigantes de Mato Grosso do Sul (AIMS). A área, localizada a poucos quilômetros da região urbana de Maracaju, tornou-se exemplo do avanço da irrigação no Estado ao combinar produção em larga escala com investimento em tecnologia para enfrentar os efeitos da instabilidade climática.

Nos últimos anos, a distribuição irregular das chuvas passou a impactar diretamente o calendário agrícola e o desempenho das lavouras em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, produtores relatam períodos mais longos de estiagem, concentração de precipitações em curtos intervalos e dificuldade para manter previsibilidade nas safras.

É nesse cenário que a irrigação vem sendo tratada pelo setor como alternativa para ampliar a segurança da produção. Na Fazenda Real, Luiz Carlos Roos implantou um sistema com cinco pivôs de irrigação, dois deles já em funcionamento em uma área de aproximadamente 260 hectares.

Segundo o produtor, os resultados aparecem diretamente na produtividade das lavouras. Na soja, a produção média salta de 60 para 85 sacas por hectare em áreas irrigadas. Já no milho safrinha, um dos principais produtos agrícolas do Estado, o rendimento sobe de 110 para 160 sacas por hectare.

“O produtor precisa cada vez mais buscar estabilidade. Hoje, depender exclusivamente do clima se tornou um risco muito grande”, afirmou Roos durante o evento.

Ao longo do Dia de Campo, os participantes acompanharam demonstrações de mais de 80 variedades de milho desenvolvidas por empresas do setor agropecuário. As sementes foram selecionadas com foco em adaptação às variações climáticas, resistência a pragas e melhor desempenho em diferentes tipos de solo.

Além das demonstrações técnicas, o encontro também serviu como espaço para discutir inovação, sustentabilidade e planejamento da próxima safra, temas considerados estratégicos diante da crescente pressão climática sobre o agronegócio.

O secretário-adjunto da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Melotto, afirmou que o avanço da produtividade no campo depende diretamente do acesso dos produtores a novas tecnologias e informação técnica.

“A produtividade das lavouras é proporcional ao conhecimento investido nelas. Eventos como esse permitem que o produtor conheça novas tecnologias e tome decisões mais seguras para as próximas safras”, disse.

Maracaju, município conhecido pela força da produção agrícola, concentra algumas das principais instituições de pesquisa voltadas ao agronegócio em Mato Grosso do Sul, como a Fundação MS e empresas privadas de desenvolvimento agrícola. Para o prefeito José Marcos Calderan, o avanço tecnológico no campo impulsiona não apenas o setor produtivo, mas também a economia local.

“Os produtores estão constantemente buscando aprimoramento. Isso fortalece o desenvolvimento econômico do município e gera impactos positivos para toda a população”, afirmou.

O crescimento da irrigação também passou a integrar a estratégia econômica do Governo do Estado. Em 2024, a gestão estadual lançou o programa MS Irriga, voltado à ampliação das áreas irrigadas e ao incentivo de práticas sustentáveis no campo.

Dados apresentados pela Semadesc mostram que Mato Grosso do Sul possui atualmente cerca de 320 mil hectares irrigados, quase o triplo da área registrada há duas décadas. Mesmo assim, o potencial de expansão ainda é considerado elevado. Segundo estimativas do governo, outros 4,7 milhões de hectares poderiam receber sistemas de irrigação nos próximos anos.

A expectativa do setor é que a ampliação da tecnologia permita aumentar a produção de commodities agrícolas, reduzir perdas causadas pela estiagem e tornar o Estado menos vulnerável às oscilações climáticas que já afetam importantes regiões produtoras do país.

Especialistas avaliam que o avanço da irrigação deve ganhar ainda mais importância nas próximas safras, principalmente diante das projeções climáticas que indicam aumento na frequência de eventos extremos, como secas prolongadas e ondas de calor intensas.

Enquanto isso, produtores seguem acelerando investimentos para tentar transformar previsibilidade climática em produtividade no campo.

Com informações e imagem do Governo de Mato de Grosso do Sul

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