Gostaria de iniciar esta coluna com uma pergunta: nós realmente aprendemos a escolher? Precisamos compreender que escolher não é simplesmente o ato de decidir, pois existe a escolha impulsiva e a escolha consciente. A impulsiva é aquela: “eu quero, então faço”. E a escolha consciente é aquela: “eu quero, porém preciso pensar nas consequências”. É exatamente na segunda opção que está a diferença.
Essa clareza faz toda a diferença, pois todos os dias precisamos fazer escolhas pessoais, familiares, estudantis e profissionais. Algumas parecem pequenas; outras podem mudar completamente o rumo de nossas vidas e daqueles muito próximos a nós.
Desde o princípio, o ser humano foi orientado a fazer escolhas. Na Bíblia encontramos Deus formando um jardim, no Éden, e fazendo crescer inúmeras árvores agradáveis aos olhos e boas para comer. Dentre elas estavam a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ele disse que não comessem do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal” porque senão morreriam. Ele poderia não ter colocado essa árvore no jardim? Sim. No entanto, Deus quis ensinar ao ser humano que ele é livre para fazer escolhas, porém ele deixou claro que se a escolha fosse comer do fruto daquela árvore, teriam como consequência a morte. Aqui é no aspecto espiritual, moral e físico.
Em pleno século XXI, continuamos livres para fazermos nossas escolhas e expostos às suas consequências. E estas podem ser individuais, familiares e sociais. O ser humano pode ser livre para fazer escolhas e, ainda assim, não ter desenvolvido a capacidade de analisar, de refletir, de ponderar valores e princípios e assumir as possíveis consequências.
Mas onde aprendemos sobre o valor das escolhas? Com certeza, o primeiro grupo responsável, ou pelo menos deveria ser, é a família. É na família que esse aprendizado deve iniciar. A criança aprende a fazer escolhas muito antes de entrar numa escola. É fundamental lembrar que antes de ensinar os filhos a como escolher, é preciso mostrar a eles, pelo exemplo, como uma pessoa responsável faz suas escolhas.
Outro aspecto a ser pensado em família é a questão da autonomia. Os pais que sempre decidem pelos filhos estão privando os mesmos de desenvolverem a autonomia. Estes podem crescer sendo filhos obedientes, porém sem saberem avaliar e decidir diante das circunstâncias que a vida os colocarem.
A escola também é responsável por ensinar seus estudantes a fazerem escolhas. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca que os estudantes devem ser capazes de fazer escolhas relacionadas à cidadania e ao projeto de vida com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. A escola tem a responsabilidade de ensinar o aluno a pensar criticamente desvinculada de ideologias, pois o respeito à individualidade é um direito de todo cidadão brasileiro.
Piaget destaca a importância da ação educativa na construção da autonomia moral. É aqui que está a importância de se criar condições para trabalhar com os estudantes sobre o pensar, o avaliar, o decidir e agir considerando princípios e consequências. É necessária a compreensão de que autonomia não é ausência de limites; não é fazer tudo o que desejamos. Mas sim, a capacidade de fazermos escolhas dentro da nossa realidade, reconhecendo que toda liberdade traz consigo a responsabilidade.
No dia das eleições em nosso país, cada cidadão brasileiro não estará diante de uma urna apenas, mas sim diante de uma escolha. As urnas apenas revelarão as nossas escolhas e as possíveis consequências, sejam elas boas ou más. Portanto, a educação familiar e a educação escolar têm um valor que transcende a qualquer discurso ou teoria, pois essas duas instituições bases de nossa sociedade é que constroem o cidadão que escolhe.

















