Visualize uma árvore comigo agora. Visualizou? Pois bem, a ética é um galho dessa árvore a que muitos chamam de ramo da filosofia, uma área específica de estudo. O seu papel é estudar e refletir sobre o comportamento humano, como o que é certo e errado, o bem e o mal, o justo e o injusto.
Já a moral age como reguladora do comportamento humano; busca organizar a convivência humana no seu dia a dia para evitar conflitos por meio de regras, normas e valores. Sem essa regulação, qualquer grupo ou sociedade se transformaria em uma balbúrdia. Certo é que, por séculos muitas normas e regras mudaram e ainda continuarão a mudar. Porém, o que não muda – ou pelo menos não deveria mudar – são os princípios e valores.
Princípios e valores não são propriedade exclusiva de uma sociedade. Eles existem – ou pelo menos deveriam existir – em toda e qualquer sociedade, pois dizem respeito às relações humanas. Mas quais são os princípios básicos de uma sociedade? São dignidade da pessoa humana, liberdade, igualdade e justiça. E os valores? Respeito, solidariedade, honestidade e integridade e responsabilidade.
Quando uma nação ou um povo passa a se distanciar desses princípios e valores significa que todos os seus fundamentos, suas bases estão comprometidas. Ou seja, a ruína está batendo às portas. Isso não acontece da noite para o dia. É uma construção com base nas pequenas concessões até chegar à normalização através de narrativas aparentemente bem construídas. A falta de conhecimento, de leitura e de interpretação das entrelinhas leva qualquer grupo ou nação como se leva uma ovelha para o matadouro. Portanto, precisamos aprender a ler o que não está explícito e ver o que não está visível.
Quero compartilhar uma experiência vivida na última sexta-feira, em minha cidade. Ao ir a um compromisso resolvi chamar um motorista de aplicativo. Em dado momento nos deparamos com uma ambulância do Corpo de Bombeiros aguardando um grupo de homens retirarem o tronco de uma árvore que caiu durante um forte temporal. Nesse momento um motorista buzinava para que a ambulância lhe permitisse passar, sem paciência nenhuma para esperar. Diante dessa situação, o motorista do aplicativo me disse: “esta semana eu estava parado num sinal vermelho e um motorista agiu dessa mesma forma comigo.”
Na volta, por ser bem perto e propício para isso, decidi pegar um coletivo. Entrei, sentei-me, porém logo em seguida entra uma senhora idosa com sacolas pesadas. Ao meu redor tinha quatro jovens sentados que, rapidamente, olharam a situação e voltaram os seus olhares para os celulares em suas mãos. Eu me levantei e dei o meu lugar àquela senhora que me agradeceu muito.
No sábado, fui a outro compromisso. Novamente chamei um motorista de aplicativo. Este, diferente do outro motorista, nem sequer respondeu ao meu bom dia. Fiz a viagem calada. Paguei a viagem em espécie e solicitei que deixasse o troco como cash para utilizar na viagem de volta desse compromisso. Qual foi a minha surpresa ao retornar para casa com outro motorista do aplicativo? Não havia nenhum valor em cash. Essas experiências foram somente em dois dias de observação.
Qual a reflexão que fica?
Total falta de ética e moral. Desrespeito ao tempo e espaço do outro; desrespeito às regras de trânsito. Falta de empatia e respeito à pessoa idosa e em exposição a risco. Aquela senhora poderia cair durante a viagem naquele coletivo e se machucar. Quanto ao último motorista de aplicativo, total desonestidade ao não colocar o troco como cash além da falta de educação básica ao não responder um “bom dia”, afinal eu estava entrando num espaço pertencente a ele, o seu carro. Que, aliás, a maior parte dos motoristas de aplicativo não fala e nem responde a um “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. Pelo menos essa tem sido a minha experiência. Isso é regra básica de educação.
Finalizo perguntando: o que as famílias estão construindo em suas casas no quesito educação dos filhos e que ações práticas a escola está desenvolvendo para que as nossas crianças e adolescentes sejam mais éticos e respeitem as regras, as normas, os princípios e valores básicos para uma convivência social saudável?



















