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Doença crônica pode provocar feridas, prejudicar o sono e afetar a autoestima e o convívio social dos pacientes

A dermatite atópica é uma doença inflamatória e crônica que vai muito além das alterações na pele. A coceira intensa, principal sintoma, pode provocar feridas, dor e dificuldade para dormir, além de interferir na autoestima, no trabalho, nos estudos e no convívio social. A doença não é contagiosa e costuma apresentar períodos de melhora e piora ao longo da vida.

As lesões aparecem com frequência em regiões de dobras, como atrás dos joelhos, nos cotovelos e no pescoço. Também podem atingir o rosto, a região ao redor dos olhos e as mãos, especialmente em áreas submetidas a maior atrito.

A intensidade das crises varia de pessoa para pessoa. Em manifestações mais graves, a coceira pode levar a lesões provocadas pelo ato de se coçar, deixando a pele machucada e aumentando o risco de infecções.

Entre os fatores que podem desencadear ou agravar os sintomas estão condições ambientais, suor, calor, contato com determinados materiais, poeira, ácaros, fungos e situações de estresse. Alguns alimentos também podem estar relacionados à piora dos sintomas em determinados pacientes.

Doença também afeta a qualidade de vida

Por provocar coceira persistente, a dermatite atópica pode comprometer o sono e, consequentemente, o rendimento durante o dia. Em crianças e adolescentes, as crises podem resultar em faltas na escola, redução da participação em atividades e afastamento do convívio com outras pessoas.

As marcas e feridas visíveis também podem provocar constrangimento e preconceito. Como a doença não é contagiosa, o contato com uma pessoa que apresenta lesões não oferece risco de transmissão.

O impacto pode se estender à saúde emocional. A necessidade constante de controlar os sintomas, as alterações na aparência da pele e o receio de exposição podem favorecer isolamento social e sofrimento psicológico.

O dia 23 de setembro é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica. A data foi oficializada no Brasil pela Lei 14.916/24 e busca ampliar o conhecimento sobre a doença e combater o preconceito.

Dermatite atópica não tem uma causa única

A doença está relacionada à combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Pessoas com histórico de condições como asma e rinite podem apresentar maior predisposição.

Não existe uma causa única responsável pelo surgimento da dermatite atópica. Por isso, os fatores que desencadeiam as crises podem variar de um paciente para outro.

O estresse, por exemplo, não é necessariamente a causa da doença, mas pode contribuir para o agravamento dos sintomas em algumas pessoas. Da mesma forma, determinados produtos, condições climáticas ou substâncias podem provocar piora em alguns pacientes e não causar o mesmo efeito em outros.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da dermatite atópica é clínico, realizado a partir da avaliação médica. Não existe um exame laboratorial específico capaz de confirmar sozinho a doença.

Durante a consulta, são observados aspectos como as características das lesões, o histórico do paciente, a duração dos sintomas, a alternância entre períodos de crise e melhora e a presença de coceira persistente.

Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para auxiliar na avaliação ou descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes.

Tratamento exige cuidados constantes

O tratamento tem como objetivos controlar a inflamação, aliviar a coceira, reduzir as crises e preservar a barreira de proteção da pele.

A hidratação é um dos principais cuidados. Pessoas com dermatite atópica podem precisar aplicar cremes ou loções hidratantes de duas a três vezes ao dia, especialmente em períodos de maior ressecamento.

Os cuidados durante o banho também são importantes. A recomendação é evitar água muito quente, reduzir o tempo do banho e utilizar pouco ou nenhum sabonete, conforme a orientação médica. O uso de buchas e outros produtos que aumentem a irritação da pele também deve ser evitado.

Medicamentos podem ser utilizados para controlar a coceira e a inflamação. Entre as opções estão corticosteroides tópicos, escolhidos de acordo com a região afetada e a intensidade da doença.

Nos casos mais graves, podem ser indicados medicamentos imunossupressores por via oral, como metotrexato e ciclosporina. A fototerapia com UVB de banda estreita também pode ser utilizada para o controle da doença, principalmente da coceira.

Quando esses tratamentos não são suficientes, existem medicamentos mais específicos que atuam em diferentes pontos do processo inflamatório. Essas opções têm custo elevado e devem ser indicadas por profissionais de saúde de acordo com a avaliação de cada paciente.

Doença pode melhorar com a idade

A dermatite atópica é uma condição crônica e pode acompanhar o paciente por diferentes períodos da vida. Em muitos casos, os sintomas diminuem com a idade, mas também podem permanecer ou voltar após períodos de melhora.

Por isso, o controle da doença depende de acompanhamento médico e de cuidados contínuos com a pele. A identificação dos fatores que desencadeiam ou pioram as crises também pode ajudar a reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas.

Medicamentos mais modernos e de alto custo ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo encontrados principalmente na rede privada.

A orientação médica é importante tanto para confirmar o diagnóstico quanto para definir o tratamento mais adequado e evitar o uso indiscriminado de medicamentos, especialmente corticosteroides.

Com informações e imagem de Agência Brasil

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