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Parcerias com redes sociais e desenvolvedoras de inteligência artificial buscam conter conteúdos falsos sobre o processo eleitoral e o uso indevido de tecnologias digitais durante a campanha

A menos de três meses do início oficial da campanha eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou sua estratégia para combater a desinformação nas Eleições de 2026. Nesta quinta-feira (16), a Corte assinou acordos de cooperação com sete das principais plataformas digitais em operação no Brasil e formalizou a adesão de três empresas de inteligência artificial ao programa permanente de enfrentamento a conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral.

Os acordos envolvem as plataformas Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn, além das empresas de inteligência artificial OpenAI, Anthropic e ElevenLabs. A iniciativa busca fortalecer mecanismos de identificação e contenção de conteúdos enganosos, manipulados ou fora de contexto que possam comprometer a qualidade do debate público durante a disputa eleitoral.

A medida ocorre em um cenário de crescente preocupação com o impacto das redes sociais e das ferramentas de inteligência artificial na circulação de informações políticas. Especialistas e autoridades eleitorais avaliam que as eleições deste ano deverão registrar o maior volume de conteúdo digital já visto em uma campanha no país, ampliando os desafios para o monitoramento de informações falsas.

Inteligência artificial amplia preocupação

O avanço das ferramentas capazes de criar vídeos, imagens e áudios sintéticos em poucos segundos tornou a inteligência artificial um dos principais focos de atenção da Justiça Eleitoral.

A tecnologia permite a produção de conteúdos conhecidos como “deepfakes”, que podem simular falas, imagens e comportamentos de candidatos, autoridades ou eleitores com alto grau de realismo. A preocupação é que esse tipo de material seja utilizado para manipular informações, influenciar a opinião pública ou gerar confusão durante o período eleitoral.

Durante a cerimônia de assinatura dos acordos, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que o ambiente digital ocupa hoje papel central na formação da opinião pública e que o combate à desinformação exige cooperação entre instituições públicas e empresas de tecnologia.

Segundo ele, a experiência das últimas eleições mostrou que o enfrentamento de conteúdos falsos depende tanto de soluções técnicas desenvolvidas pelas plataformas quanto de regras claras definidas pela Justiça Eleitoral.

Como funcionarão os acordos

Os memorandos de entendimento assinados estabelecem diretrizes para a cooperação entre o TSE e as empresas participantes.

Pelo modelo adotado, as plataformas deverão aprimorar mecanismos para identificar comportamentos considerados fraudulentos, campanhas coordenadas de desinformação e conteúdos que violem suas políticas internas. Já o TSE ficará responsável por fornecer orientações jurídicas e decisões relacionadas ao cumprimento da legislação eleitoral.

A proposta é acelerar a comunicação entre as empresas e a Justiça Eleitoral, permitindo respostas mais rápidas diante de conteúdos potencialmente enganosos que envolvam o sistema de votação, as urnas eletrônicas ou informações falsas sobre candidatos e partidos.

Programa criado após avanço das fake news

A iniciativa faz parte do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, criado pelo TSE em 2021 após o aumento da circulação de notícias falsas em processos eleitorais recentes.

Desde então, o programa reúne órgãos públicos, entidades da sociedade civil, instituições acadêmicas e empresas de tecnologia com o objetivo de promover educação midiática e ampliar a transparência sobre o funcionamento das eleições.

Nas últimas disputas eleitorais, o TSE intensificou o diálogo com plataformas digitais diante do crescimento do uso de redes sociais como principal fonte de informação política para milhões de brasileiros.

As Eleições Gerais de 2026 devem mobilizar cerca de 155 milhões de eleitores aptos a votar em todo o país. Os brasileiros escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Foto: Agência Senado

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