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Profissional foi referência em arquitetura, design, cenografia e artes plásticas; carreira de mais de três décadas teve projetos no Brasil e no exterior

Morreu nesta quinta-feira (6), em Campo Grande, aos 58 anos, o arquiteto e artista plástico Luís Pedro Scalise, um dos nomes de maior destaque da arquitetura contemporânea de Mato Grosso do Sul. A morte foi confirmada pela família, que também divulgou as informações sobre o velório.

Ao longo de mais de 35 anos de carreira, Scalise construiu uma trajetória marcada pela combinação entre arquitetura, arte, design e cenografia. Seu trabalho ficou conhecido pelo uso de cores, pela criação de ambientes temáticos e pela busca por transformar espaços em experiências visuais.

Natural de Florianópolis (SC), Scalise chegou a Mato Grosso do Sul ainda jovem e construiu no estado a maior parte de sua trajetória profissional. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo em 1990, pelo então Cesup, instituição que posteriormente passou a integrar a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

A formação foi apenas o início de uma carreira que ultrapassaria as fronteiras de Mato Grosso do Sul.

Arquitetura influenciada por experiências internacionais

Ao longo da carreira, Scalise teve experiências profissionais em diferentes países, entre eles Itália, França, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Catar e Jordânia.

As viagens e os trabalhos realizados fora do Brasil contribuíram para a formação de uma linguagem própria, que combinava referências internacionais com elementos de sua identidade artística.

A atuação do arquiteto também se estendeu para além dos projetos convencionais de arquitetura e interiores.

Scalise trabalhou com cenografia e desenvolveu projetos ligados ao entretenimento, colaborando com grandes empresas do setor, como Disney, Sony Pictures, Paramount, Warner Bros. e Rede Globo.

A experiência permitiu que transitasse entre diferentes áreas e aproximasse arquitetura, dramaturgia, design e artes visuais.

Projetos ajudaram a mudar paisagem de Campo Grande

Em Mato Grosso do Sul, Scalise ficou especialmente conhecido por projetos que apostavam em conceitos temáticos e em uma estética marcada pela intensidade das cores.

Restaurantes, bares, casas noturnas e estabelecimentos comerciais estiveram entre os espaços que receberam sua assinatura.

Mais do que organizar ambientes, o arquiteto buscava criar uma identidade para cada projeto. Essa característica ajudou a transformar alguns de seus trabalhos em pontos reconhecíveis da paisagem urbana de Campo Grande.

Seu estilo também rompeu com uma arquitetura baseada apenas na funcionalidade. Elementos decorativos, iluminação, cores, mobiliário e referências artísticas eram incorporados aos projetos como parte de uma experiência única.

Essa combinação fez com que Scalise se tornasse conhecido não apenas entre profissionais da área, mas também pelo público que frequentava os espaços projetados por ele.

Artista plástico desde a infância

A relação de Scalise com a arte começou antes da arquitetura.

Desde criança, ele produzia trabalhos como artista plástico e manteve a atividade ao longo da vida.

Nas obras, o uso intenso das cores e a personalidade estética se tornaram características recorrentes.

A experiência nas artes visuais influenciou diretamente sua produção arquitetônica. Em seus projetos, arquitetura e arte não apareciam como elementos separados, mas como partes de uma mesma linguagem.

Essa característica também ajudou a explicar a singularidade de sua produção e a variedade de áreas em que atuou.

Reconhecimento por 35 anos de carreira

Em março de 2025, Scalise recebeu uma homenagem do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU/MS) e do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de Mato Grosso do Sul (IAB/MS).

A homenagem reconheceu seus 35 anos de carreira e sua contribuição para a arquitetura e o design no Estado.

Na ocasião, o profissional foi lembrado pela capacidade de romper padrões e pela influência exercida sobre outras gerações de arquitetos.

O reconhecimento ocorreu pouco mais de um ano antes de sua morte e consolidou publicamente a importância de sua trajetória para a arquitetura sul-mato-grossense.

Para a arquitetura do estado, sua trajetória representa uma geração de profissionais que ajudou a ampliar os limites da profissão e a explorar novas linguagens.

O legado também está relacionado à formação de um olhar mais experimental sobre interiores e espaços comerciais, especialmente em Campo Grande.

Ao longo da carreira, Scalise construiu uma assinatura própria. Em vez de simplesmente projetar ambientes, buscava criar lugares com identidade, capazes de provocar uma experiência em quem os frequentava.

Velório será nesta sexta-feira

O velório de Luís Pedro Scalise será realizado nesta sexta-feira (7), das 10h às 15h30, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

O espaço fica na Avenida Waldir dos Santos Pereira, s/n.

Familiares, amigos, profissionais da arquitetura e pessoas que acompanharam a trajetória do artista e arquiteto devem participar das últimas homenagens.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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