Força-tarefa federal também identificou 43 grupos e canais no Telegram com mais de 212 mil membros e anúncios de apostas em plataformas digitais
Uma força-tarefa do governo federal derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online após a publicação da medida provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. A operação também ampliou o monitoramento das redes sociais e identificou anúncios, grupos e canais que continuam divulgando plataformas de apostas.
O trabalho é conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com o Ministério da Fazenda (MF), com foco em impedir que empresas sem autorização continuem oferecendo apostas por novos endereços e plataformas digitais.
“O trabalho busca interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e impedir que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro”, informou, em nota, o MJSP.
O monitoramento também alcançou as redes sociais. Relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça, identificou que a publicidade de bets continuava circulando em plataformas da Meta, do Google e no TikTok.
Entre os anúncios encontrados estavam ofertas de bônus e incentivos para atrair novos usuários, como “convide amigos e ganhe R$ 888,00” e “Ganhe R$ 50,00 grátis”.
A MP, editada na sexta-feira (25), estabeleceu prazo de dez dias para a retirada de publicidade que já estava em circulação e proibiu a publicação de novos anúncios.
No Google, foram identificados 1,9 mil anúncios relacionados a bets. Segundo o ministério, não foi possível determinar quais deles haviam sido publicados antes da entrada em vigor da proibição e quais surgiram depois.
“Não foi possível separar, nesse conjunto, quais anúncios eram novos e quais já estavam ativos antes da proibição”, diz o informe do ministério.
O Ciberlab informou que continuará monitorando as plataformas para verificar o cumprimento da legislação. O órgão também pediu que as grandes empresas de tecnologia adotem medidas para identificar páginas que escondem a identidade dos anunciantes ou utilizam links mascarados.
Anúncios na Meta
Na Meta, responsável por plataformas como Facebook e Instagram, o Ciberlab identificou sete anúncios relacionados às apostas. Dois deles começaram a ser veiculados durante a vigência da medida provisória.
O relatório recomenda que a Meta seja notificada para retirar os anúncios publicados depois da edição da MP.
“Alguns anúncios utilizavam nomes de páginas diferentes das marcas exibidas e links cujo domínio também não correspondia à marca anunciada. O relatório aponta que esses elementos podem indicar ocultação do anunciante real e do destino do tráfego”, informou o Ciberlab.
Segundo o Ministério da Justiça, a derrubada dos 506 sites e o acompanhamento da publicidade fazem parte da estratégia para impedir que as bets continuem operando por meio de novos domínios, anúncios, aplicativos e outros caminhos no ambiente digital.
Telegram também é monitorado
A força-tarefa identificou ainda 43 canais e grupos ativos no Telegram usados para divulgar apostas e jogos de cassino online. Juntos, eles reúnem 212,6 mil membros.
As informações sobre essas contas foram encaminhadas neste domingo (27) aos órgãos competentes dos ministérios da Fazenda e da Justiça. O objetivo é verificar a situação dos operadores e definir as medidas cabíveis.
Nas contas monitoradas, o governo encontrou promessas de “260% de lucro mensal”, oferta de “robôs” para apostas e alegações de taxas de acerto de até 99,8%.
“A atuação integrada busca impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país”, diz nota do MJSP.
Novos sites de apostas
Além das ações do governo, um levantamento do site Bet Legal aponta que 440 novos sites de apostas online sem registro no Brasil teriam surgido após a publicação da MP.
A plataforma é mantida pela empresa de cibersegurança Iron Security, que presta serviços a casas de apostas online no Brasil. O levantamento começou a contabilizar as bets irregulares em 1º de setembro deste ano.
Os primeiros sites considerados irregulares foram identificados a partir de 21 de setembro, quatro dias antes da publicação da medida provisória que proibiu as bets.
O cenário mostra que, mesmo após a proibição, o governo passou a enfrentar uma corrida para impedir que operadores migrem para novos endereços e utilizem redes sociais, aplicativos e canais fechados para continuar alcançando apostadores brasileiros.
Com informações e imagem de Agência Brasil

















