O Brasil atingiu em 2024 o maior nível de desenvolvimento humano já registrado na série histórica do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e entrou, pela primeira vez, na faixa considerada de “muito alto desenvolvimento humano”. O indicador chegou a 0,805 no ano passado, após uma recuperação acelerada no período pós-pandemia.
Os dados fazem parte do Radar IDHM 2024, levantamento elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em parceria com a Fundação João Pinheiro e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O índice mede condições de vida da população com base em três pilares: renda, educação e longevidade. A escala varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano.
Depois das quedas provocadas pela pandemia entre 2020 e 2021, o país voltou a crescer de forma consistente. O IDHM saiu de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até alcançar 0,805 em 2024, ultrapassando pela primeira vez a linha de muito alto desenvolvimento humano.
A educação foi o componente que apresentou maior avanço no período recente, com crescimento médio anual de 1,35%. Já a longevidade atingiu em 2024 o maior patamar da série histórica, refletindo a recuperação após os impactos sanitários da covid-19. A renda também voltou a crescer depois dos anos de retração econômica.
O estudo aponta que programas de transferência de renda e inclusão social tiveram impacto direto nos indicadores, especialmente na permanência de crianças e adolescentes na escola e na redução do trabalho infantil.
Coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Betina Barbosa afirma que políticas públicas de longo prazo ajudam a explicar os resultados.
“Os efeitos aparecem ao longo do tempo. Programas sociais e políticas educacionais produzem impacto geracional”, disse.
O levantamento também mostra redução gradual das desigualdades raciais. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população negra cresceu 10,3%, quase o dobro do avanço registrado pela população branca no mesmo período, de 5,5%.
Mesmo com a diferença ainda existente, a distância entre os indicadores diminuiu ao longo dos últimos 13 anos. O IDHM da população negra passou de 0,694 para 0,774. Entre a população branca, o índice avançou de 0,804 para 0,851.
Segundo o estudo, os avanços da população negra ocorreram nas três dimensões avaliadas pelo índice: educação, longevidade e renda.
Os estados do Nordeste concentraram os maiores crescimentos proporcionais do país entre 2012 e 2024. Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte lideraram o avanço do IDHM no período, indicando redução gradual das desigualdades regionais.
Em 2024, o Distrito Federal registrou o maior índice nacional, com 0,866. Em seguida aparecem São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, todos classificados na faixa de muito alto desenvolvimento humano.
Na outra ponta, Maranhão e Alagoas apresentaram os menores índices do país, embora ambos tenham registrado melhora ao longo da série histórica.
Entre as regiões metropolitanas, os melhores resultados foram registrados em Florianópolis e Curitiba. Já os menores índices apareceram nas regiões metropolitanas de Macapá e Maceió.
O levantamento mostra ainda que, das 21 regiões metropolitanas analisadas, 17 já atingiram a faixa de muito alto desenvolvimento humano em 2024.




















