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Encontro foi marcado por provocações, questionamentos sobre investigações e divergências entre os candidatos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram neste domingo (18) de um debate na TV Bandeirantes. O encontro teve acusações entre os adversários e propostas para áreas como segurança pública, saúde e direitos trabalhistas. Em alguns momentos, os mediadores precisaram intervir durante as falas.

No primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro e sobre a defesa de um acusado de assassinar uma criança. O presidente também perguntou ao senador sobre sua proximidade com pessoas ligadas aos assassinatos da vereadora Marielle Franco, sua posição contrária à marcação numérica nas cápsulas de munição e seu voto contra a ampliação da licença-maternidade durante o mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Flávio não respondeu diretamente aos questionamentos e direcionou críticas a Fábio Luís, filho de Lula, investigado por suspeita de participação em um esquema de tráfico de influência. O senador também responsabilizou o governo federal por irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segurança pública e sistema prisional

Ao apresentar propostas para a segurança pública, Flávio afirmou que pretende classificar facções criminosas como narcoterroristas e construir 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito.

Lula, por sua vez, reafirmou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública para coordenar a atuação dos governos federal, estaduais e municipais. Segundo o presidente, a pasta deverá definir as responsabilidades de cada esfera de governo e ampliar a participação da União no combate à criminalidade.

As saídas temporárias de presos também foram tema de confronto. Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar em Minas Gerais para criticar o benefício. O senador acusou Lula de priorizar os direitos dos condenados em detrimento das vítimas e perguntou se o presidente é favorável à manutenção das chamadas “saidinhas”.

Lula defendeu a manutenção do benefício para presos com bom comportamento e em processo de recuperação. O presidente argumentou, porém, que condenados por estupro, violência contra mulheres e crimes graves não deveriam ter direito à saída temporária.

Lula também criticou o apoio de Flávio a um eventual indulto para o pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. O presidente afirmou que a medida poderia ter consequências para outros condenados.

Propostas para o SUS e críticas à pandemia

No segundo bloco, os candidatos foram questionados sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Flávio afirmou que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde. O senador defendeu a adoção de um “padrão Einstein no SUS”, com referência ao modelo de uma instituição privada.

Lula questionou a proposta e perguntou se o adversário pretende privatizar o sistema público de saúde. O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2020 e 2022, e mencionou as mais de 716 mil mortes registradas no Brasil.

“Eles tiveram uma experiência de quatro 4 anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência, se acreditassem a ciência. Eles não acreditavam”, afirmou Lula.

O presidente foi interrompido por Flávio, que não tinha a palavra naquele momento. A mediadora Adriana Araújo interveio para organizar o debate, conduzido por ela e pelo jornalista Eduardo Oinegue.

Em resposta às críticas sobre a pandemia, Flávio defendeu a atuação do governo do pai.

“Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, isso é uma coisa nova que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor.”

Escala 6×1

O fim da escala 6×1 também foi discutido pelos candidatos. Flávio afirmou ter mudado de posição sobre a proposta depois de ouvir trabalhadores. Segundo ele, a opinião pode ser revista quando considera que uma medida será melhor para a população.

“Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”, disse o senador.

Lula criticou a relação do adversário com os trabalhadores e afirmou que Flávio não conhece a rotina de quem utiliza o transporte público.

“O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Você conhece o cidadão que nunca trabalhou?”, provocou o presidente.

Lula propõe abertura de sigilos

No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a apresentar os sigilos bancários e telefônicos dos dois candidatos, incluindo os de seus familiares. O presidente propôs que os documentos fossem encaminhados às autoridades para apuração de possíveis irregularidades antes das eleições.

“Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, afirmou Lula.

Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados pelo presidente. Em seguida, acusou Lula, sem apresentar provas durante o debate, de manter recursos fora de suas contas bancárias.

Relação com os Estados Unidos

A política externa também gerou divergências. Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias e outros produtos tecnológicos.

O presidente acusou a família Bolsonaro de se subordinar aos interesses norte-americanos. Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras. A discussão também envolveu Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que está nos Estados Unidos e defendeu a imposição de tarifas sobre exportações brasileiras.

No mesmo bloco, Flávio defendeu ampliar a vigilância por câmeras com reconhecimento facial em todo o país e endurecer as punições, sem detalhar as medidas. Lula citou o programa Celular Seguro, que permite bloquear aparelhos roubados, e criticou o adversário por apresentar propostas que, segundo ele, já são contempladas por ações do governo.

Polícia é acionada após suspeita de bomba

Ao final do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para investigar uma suspeita de bomba em um carro no estacionamento da Band. O veículo pertenceria à equipe de Flávio Bolsonaro.

Durante a ação policial, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar a emissora. Após uma varredura, nenhum artefato foi encontrado, e o local foi liberado.

*Com informações de Agência Brasil e imagem de  Renato Pizzutto/Band

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