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Segundo corte consecutivo no combustível usado por aviões ocorre após alívio das tensões internacionais, mas valor ainda acumula alta de mais de 40% em 2026

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado por aviões e helicópteros. A medida entrou em vigor imediatamente e representa uma queda de R$ 0,81 por litro nas vendas realizadas às distribuidoras.

Com o reajuste, o litro do QAV produzido ou comercializado pela estatal passa a custar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 nas refinarias, dependendo da região do país.

A redução ocorre em meio ao recuo dos preços internacionais do petróleo após a diminuição das tensões no Oriente Médio, que haviam provocado forte pressão sobre o mercado global de energia nos últimos meses.

Segundo a Petrobras, a queda foi possível devido à “atenuação dos efeitos” causados pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, responsável por elevar os custos do petróleo e de seus derivados desde o início do ano.

Segundo corte seguido

Este é o segundo mês consecutivo de redução no preço do combustível aeronáutico.

Em junho, a Petrobras já havia promovido um corte de 14,2%. A nova redução amplia o movimento de ajuste após meses de aumentos expressivos provocados pela instabilidade geopolítica.

Antes disso, o cenário era de forte escalada.

Em abril, o querosene de aviação sofreu um reajuste de 55%. Em maio, a alta foi de mais 18%, levando companhias aéreas e distribuidoras a pressionarem por medidas que reduzissem o impacto financeiro da disparada dos custos operacionais.

Na época, a Petrobras chegou a autorizar o parcelamento dos reajustes para distribuidoras, como forma de amenizar os efeitos imediatos sobre o setor aéreo.

Combustível ainda está mais caro que no início do ano

Apesar dos dois cortes consecutivos, o preço do querosene de aviação continua significativamente acima do registrado no fim de 2025.

De acordo com a estatal, o combustível acumula alta de 40,5% no ano, o equivalente a um aumento de R$ 1,39 por litro em comparação com os valores praticados antes da crise internacional.

O cenário reflete os impactos da guerra iniciada no fim de fevereiro entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou turbulências em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global de petróleo.

Entenda o impacto da guerra no preço dos combustíveis

Um dos principais fatores que pressionaram os preços internacionais foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima considerada vital para o comércio mundial de petróleo e gás natural.

Antes do conflito, cerca de 20% da produção global dessas commodities passava pela região.

Com a interrupção parcial do fluxo de embarcações e o temor de desabastecimento, os preços internacionais dispararam, afetando mercados em diversos países, inclusive no Brasil.

Embora o país seja um dos maiores produtores de petróleo do mundo, os combustíveis seguem a dinâmica internacional de preços, já que petróleo e derivados são commodities negociadas globalmente.

Por isso, oscilações no mercado externo acabam influenciando diretamente os custos internos.

Impacto para o setor aéreo

O querosene de aviação é um dos principais componentes do custo operacional das companhias aéreas.

Em alguns casos, o combustível pode representar mais de um terço das despesas de uma empresa do setor.

Por isso, a redução anunciada pela Petrobras é vista como um alívio para as transportadoras aéreas, especialmente em um período de recuperação da demanda por viagens e de aumento da concorrência no mercado.

Ainda assim, especialistas avaliam que os efeitos para os passageiros tendem a ocorrer de forma gradual, já que o valor das passagens depende de diversos fatores, como demanda, ocupação dos voos, câmbio e custos operacionais acumulados.

Governo também começa a retirar subsídios

O anúncio da Petrobras ocorre um dia após o governo federal iniciar a retirada gradual dos subsídios concedidos aos combustíveis durante o período mais crítico da crise internacional.

Nesta quarta-feira entrou em vigor o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel. Outros incentivos, como os concedidos à gasolina e ao próprio diesel, seguem em avaliação pela equipe econômica.

A decisão foi baseada justamente na redução dos preços internacionais do petróleo após o cessar-fogo parcial e a diminuição das tensões no Oriente Médio.

Mercado continua atento

Apesar da melhora recente, analistas alertam que o mercado de energia permanece sensível a novos episódios de instabilidade geopolítica.

Qualquer interrupção relevante na produção ou no transporte internacional de petróleo pode provocar novas oscilações nos preços dos combustíveis.

Por enquanto, a queda do querosene de aviação sinaliza um período de maior estabilidade para o setor aéreo, que enfrentou meses de forte pressão causada pela alta histórica dos custos de combustível.

Com informações da Agência Brasil

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