Ex-governadores e parlamentar que iniciará o 14º mandato estarão juntos na ALEMS a partir de 2027; nova legislatura também reunirá seis ex-prefeitos e uma ex-vice-prefeita
Três personagens históricos da política de Mato Grosso do Sul voltarão a ocupar, simultaneamente, cadeiras na Assembleia Legislativa a partir de fevereiro de 2027. Zeca do PT, André Puccinelli (MDB) e Londres Machado (PP) integraram juntos o Parlamento estadual pela última vez entre 1991 e 1995, período marcado pelo início de trajetórias que os levariam ao comando do governo estadual e à consolidação de carreiras políticas longevas.
A nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) reunirá três ex-governadores que protagonizaram disputas eleitorais decisivas. Aos 84 anos, Londres Machado começará seu 14º mandato na Casa. Zeca, de 76 anos, e Puccinelli, de 78, também retornarão ao Legislativo estadual depois de passagens pelo Executivo e por outros cargos eletivos.
A reunião dos três parlamentares ocorre mais de três décadas depois da quarta legislatura, que começou em fevereiro de 1991 e terminou em janeiro de 1995. Desde então, Zeca e Puccinelli construíram trajetórias marcadas por confrontos eleitorais, enquanto Londres manteve presença contínua na política sul-mato-grossense.
De adversários nas urnas a colegas no Legislativo
A trajetória política de Zeca do PT e André Puccinelli foi marcada por disputas acirradas. Em 1996, os dois concorreram à Prefeitura de Campo Grande. Puccinelli venceu o segundo turno por uma diferença de apenas 411 votos, equivalente a cerca de 0,16 ponto percentual. Zeca havia terminado a primeira votação na frente.
Dois anos depois, os caminhos voltaram a se cruzar na eleição para o governo estadual. Zeca venceu a disputa no segundo turno, depois de iniciar a campanha com cerca de 2% das intenções de voto, segundo os dados citados pela Assembleia Legislativa. Em 2002, foi reeleito para mais quatro anos de mandato.
Puccinelli, por sua vez, conquistou a reeleição para a Prefeitura de Campo Grande em 2000 e chegou ao governo estadual em 2006, ao fim do segundo mandato de Zeca. Em 2010, foi reeleito com 55,99% dos votos válidos. Zeca ficou em segundo lugar, com 42,49%.
Nas eleições de 2026, os dois voltaram a disputar uma vaga no Legislativo estadual e foram os candidatos mais votados de seus respectivos partidos. Zeca recebeu 42.714 votos, ficando na quarta posição entre os candidatos a deputado estadual mais votados. Puccinelli obteve 40.602 votos e terminou em sexto lugar.
Zeca voltou à Assembleia em 2022
Depois de deixar o governo estadual, em janeiro de 2007, Zeca passou alguns anos sem mandato eletivo. Em 2012, foi eleito vereador de Campo Grande, com 13.010 votos, votação apontada como a maior da história da Câmara Municipal da capital até então.
Em 2014, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 160.556 votos, a maior votação já registrada para deputado federal em Mato Grosso do Sul. Quatro anos depois, concorreu ao Senado, mas não foi eleito.
O retorno à Assembleia Legislativa ocorreu nas eleições de 2022, quando recebeu 47.193 votos e ficou entre os três candidatos mais votados para deputado estadual. Na Casa, passou a atuar em temas ligados à agricultura familiar e aos direitos humanos. Atualmente, preside a Comissão de Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas e Quilombolas e coordena a Frente Parlamentar em Defesa da Rota Bioceânica Rodoferroviária e Energética.
Puccinelli, que governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, encerrou sua segunda gestão em 2015. Desde então, permaneceu sem cargo eletivo, embora tenha disputado novamente o governo estadual em 2022.
Londres Machado participou da criação do Estado
A trajetória de Londres Machado está diretamente ligada à formação política de Mato Grosso do Sul. Em 1978, ele foi eleito um dos 18 deputados constituintes responsáveis pela organização do novo Estado. Em 1º de janeiro de 1979, assumiu a presidência da Assembleia Constituinte, que conduziu os trabalhos de elaboração da primeira Constituição estadual.
A Carta Magna foi promulgada em 13 de junho de 1979, e a Assembleia Constituinte deu lugar à Assembleia Legislativa. Na véspera, o então governador Harry Amorim Costa havia sido exonerado pelo presidente João Batista Figueiredo. Como Mato Grosso do Sul ainda não tinha vice-governador, Londres, na condição de presidente do Legislativo, assumiu interinamente o governo estadual.
Ele voltou a ocupar o cargo entre 28 de outubro e 7 de novembro de 1980. Ao longo das décadas seguintes, presidiu a Assembleia em diferentes ocasiões e se tornou uma das figuras mais longevas da política estadual.
Eleito novamente em 2026, com 33.581 votos, Londres iniciará seu 14º mandato em 2027. Segundo a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), ele é o deputado estadual com o maior tempo de mandato no país.
Nova Assembleia terá seis ex-prefeitos
Além dos três nomes históricos, a próxima legislatura reunirá parlamentares com experiência na administração de municípios sul-mato-grossenses. Entre os eleitos que já foram prefeitos estão Ângelo Guerreiro (PSDB), que administrou Três Lagoas; Odilon Ribeiro (PL), ex-prefeito de Aquidauana; e Helio Peluffo (PP), que comandou Ponta Porã.
Também foram eleitos Renato Câmara (Republicanos), ex-prefeito de Ivinhema por dois mandatos; Paulo Duarte (PSDB), que esteve à frente da Prefeitura de Corumbá; e Caravina (PSDB), que governou Bataguassu por duas vezes. Os três foram reeleitos para a Assembleia Legislativa.
A nova composição terá ainda Gianni Nogueira (PL), que foi vice-prefeita de Dourados. A presença de parlamentares com experiência no Executivo municipal deve levar à Assembleia trajetórias ligadas à gestão pública local, além das carreiras construídas no governo estadual e no Congresso Nacional.
A posse da nova legislatura está prevista para fevereiro de 2027, quando Zeca do PT, André Puccinelli e Londres Machado voltarão a compartilhar o mesmo plenário após mais de 30 anos.
Com informações e imagem da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul
















