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Berberina, magnésio e mio-inositol aparecem em conteúdos nas redes sociais, mas agência afirma que produtos não substituem tratamento médico e podem atrasar o diagnóstico e o cuidado adequado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para os riscos do uso de suplementos alimentares divulgados nas redes sociais como tratamento para a resistência à insulina. Segundo a agência, conteúdos que recomendam vitaminas, minerais e substâncias como berberina, magnésio e mio-inositol para controlar a condição podem induzir os consumidores ao erro e afastá-los do acompanhamento médico adequado.

Em comunicado publicado na sexta-feira (9), a Anvisa reforçou que suplementos alimentares não são medicamentos e não devem ser apresentados como produtos capazes de tratar doenças ou substituir terapias prescritas por profissionais de saúde.

A resistência à insulina ocorre quando as células do organismo respondem menos à ação do hormônio responsável por ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue. A condição pode estar associada a diferentes fatores e exige avaliação individualizada para definir a abordagem mais adequada.

De acordo com a agência, a divulgação de produtos com promessas terapêuticas sem respaldo científico representa um risco à saúde, especialmente quando leva pessoas a adiar a procura por atendimento ou a substituir tratamentos indicados por fórmulas comercializadas na internet.

Suplementos não substituem medicamentos

A Anvisa explica que os suplementos alimentares têm a finalidade de complementar a alimentação, dentro das condições previstas na regulamentação sanitária. Eles não devem ser comercializados ou divulgados como alternativas para tratar doenças.

A agência ressalta que produtos de origem vegetal, animal, mineral ou sintética podem ser classificados como medicamentos quando destinados a prevenir, tratar ou aliviar doenças, conforme as definições legais aplicáveis. Nesses casos, precisam cumprir as exigências regulatórias correspondentes, incluindo o registro sanitário quando obrigatório.

A composição de um produto, por si só, não comprova sua eficácia nem garante que ele seja seguro para qualquer pessoa. Da mesma forma, a presença de uma substância em suplementos não significa que seu uso tenha sido aprovado para tratar resistência à insulina.

Quando a suplementação pode ser indicada

O alerta não significa que pessoas com resistência à insulina estejam proibidas de utilizar suplementos alimentares. Em determinadas situações, um profissional de saúde pode identificar a necessidade de suplementação para corrigir deficiências nutricionais ou atender a outras necessidades específicas.

Nesses casos, a finalidade é nutricional, e não o tratamento da resistência à insulina. A indicação deve considerar as condições de saúde do paciente, os produtos utilizados e a possibilidade de interações com medicamentos.

A Anvisa recomenda desconfiar de publicações que prometem resultados garantidos ou apresentam vitaminas, cápsulas e fórmulas como soluções simples para controlar uma condição de saúde.

Tratamento depende de avaliação individual

A abordagem da resistência à insulina deve ser definida por um profissional de saúde, considerando fatores como as causas da condição, as doenças associadas e as características de cada paciente.

Mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, podem fazer parte do cuidado. Medicamentos também podem ser indicados, conforme a avaliação clínica e as necessidades individuais.

Por isso, a recomendação é não iniciar o uso de suplementos com a finalidade de tratar a resistência à insulina sem orientação profissional e não interromper medicamentos prescritos para substituí-los por produtos divulgados nas redes sociais.

Antes de comprar ou consumir qualquer suplemento, o consumidor deve verificar as informações do produto e desconfiar de promessas de cura ou de resultados rápidos. Diante de dúvidas sobre a condição ou sobre a necessidade de suplementação, a orientação é procurar um profissional de saúde.

Foto: Magnific

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