Rede pública começa os cuidados ainda no pré-natal e acompanha vacinação, crescimento, alimentação e desenvolvimento; número de crianças sem nenhuma dose de vacinas básicas caiu 86% em dois anos
Cuidar da saúde de uma criança começa antes mesmo do nascimento. No Sistema Único de Saúde (SUS), o acompanhamento tem início no pré-natal e continua após o parto com vacinação, aleitamento materno, consultas, acompanhamento de peso e altura, visitas domiciliares e avaliação do desenvolvimento.
De acordo com o Ministério da Saúde, a primeira infância é um período de rápidas transformações, no qual são construídas bases importantes para a linguagem, as funções cognitivas, o desenvolvimento emocional e social e a saúde ao longo da vida.
Por isso, o objetivo da rede pública não é apenas evitar doenças, mas identificar precocemente possíveis problemas e criar condições para que a criança cresça, aprenda, brinque e desenvolva suas habilidades.
Mortalidade neonatal cai 23% em dez anos
Os indicadores nacionais apontam avanços em diferentes áreas. A mortalidade neonatal caiu cerca de 23% em dez anos, passando de aproximadamente 9,9 óbitos por mil nascidos vivos, em 2014, para 7,62 em 2024.
O aleitamento materno exclusivo também alcançou o maior patamar da série histórica em 2024 e 2025. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), 57% dos bebês de até seis meses acompanhados na Atenção Primária estavam em aleitamento materno exclusivo.
A amamentação é considerada uma das estratégias de proteção à saúde infantil por contribuir para a redução da morbimortalidade e para a nutrição adequada nos primeiros meses de vida.
Número de crianças sem nenhuma vacina cai 86%
Outro avanço apontado pelo Ministério da Saúde está na vacinação infantil.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o número de crianças brasileiras que não haviam recebido nenhuma dose das vacinas básicas caiu de 360 mil, em 2023, para cerca de 50 mil, em 2025.
A redução é de aproximadamente 86% em dois anos.
Com o resultado, o Brasil deixou de integrar a lista dos 20 países com maior número de crianças classificadas como “dose zero”, expressão utilizada para identificar aquelas que não receberam nenhuma dose das vacinas básicas.
A ampliação da cobertura vacinal é resultado de ações de vacinação e de estratégias de busca ativa e acompanhamento realizadas na Atenção Primária.
Primeiro “check-up” deve ocorrer ainda no primeiro mês
O acompanhamento da criança começa cedo. Uma das metas estabelecidas para a Atenção Primária é garantir que o bebê passe pela primeira consulta até o 30º dia de vida.
Até os dois anos, a recomendação inclui pelo menos nove consultas e nove registros de peso e altura, além de duas visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde nos primeiros seis meses.
O acompanhamento permite verificar o crescimento e o desenvolvimento da criança e identificar sinais que possam indicar a necessidade de avaliação ou intervenção.
A vacinação também faz parte desse acompanhamento e deve seguir o calendário recomendado pelo Ministério da Saúde.
Caderneta acompanha a criança até os 9 anos
Uma das principais ferramentas para acompanhar a saúde infantil é a Caderneta da Criança, entregue ainda na maternidade.
O documento reúne informações sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal e prevenção de acidentes e violências. A caderneta acompanha a criança até os nove anos de idade.
Também existe uma versão digital integrada ao Meu SUS Digital, que já ultrapassou 3,5 milhões de acessos. Na versão impressa, foram distribuídas mais de 6,5 milhões de cadernetas em 2024 e quase 4,9 milhões em 2025.
A ferramenta permite que famílias e profissionais de saúde acompanhem informações importantes ao longo dos primeiros anos de vida.
Desigualdade exige atenção maior
Apesar dos avanços nacionais, o acesso aos cuidados não ocorre de maneira igual para todas as crianças.
O Brasil tem mais de 18 milhões de crianças de 0 a 6 anos. Em outubro de 2023, mais de 10 milhões estavam inscritas no Cadastro Único, o equivalente a 55,4% da população dessa faixa etária registrada no Censo de 2022.
Entre os grupos que demandam atenção especial estão crianças em situação de pobreza e insegurança alimentar, além de crianças negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e integrantes de outros povos e comunidades tradicionais.
Para alcançar essas populações, o SUS tem ampliado estratégias como a territorialização dos serviços, busca ativa, visitas domiciliares e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
A proposta é identificar crianças que enfrentam maiores barreiras de acesso aos serviços e direcionar ações para reduzir essas desigualdades.
Atenção Primária considera vulnerabilidade
O novo modelo de cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde passou a considerar critérios relacionados à vulnerabilidade social.
Entre os fatores utilizados estão o Índice de Vulnerabilidade Social, o tamanho da população, características demográficas e situações de vulnerabilidade, incluindo a presença de crianças menores de cinco anos e de beneficiários de programas de proteção social.
A estratégia busca direcionar mais recursos e ações para territórios onde as necessidades são maiores.
Também fazem parte desse esforço iniciativas como a Primeira Infância Antirracista, a Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI), a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (TRIA) e a integração entre o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Cuidar cedo pode evitar problemas no futuro
Para o Ministério da Saúde, o cuidado na primeira infância tem impacto que vai além dos primeiros anos.
Vacinação, alimentação adequada, acompanhamento do crescimento, consultas, estímulos ao desenvolvimento e orientação às famílias formam uma rede de proteção que pode contribuir para a saúde ao longo da vida.
Por isso, o acompanhamento começa antes do nascimento e continua durante toda a infância. A proposta é que o atendimento não se limite ao tratamento de doenças, mas também permita prevenir problemas, identificar necessidades precocemente e criar condições para que cada criança tenha oportunidades de crescer e se desenvolver.
Nesse processo, consultas, vacinas, alimentação, acompanhamento profissional e até o ato de brincar fazem parte de uma mesma estratégia: garantir que os primeiros anos sejam vividos com saúde e segurança.
Com informações do Governo Federal




















