Agosto é muito propício para pensarmos sobre o tema por ser este o mês dedicado ao Dia dos Pais.
Quando penso em pais/famílias, logo me vem à memória a metáfora do arco e da flecha presente no Salmos 127, escrito pelo rei Salomão. Ele diz assim: “Como flecha nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem que tem a sua aljava cheia deles!” (Salmos 127:4-5). Ter muitos filhos em sua época – “aljava cheia deles” – significava proteção, apoio na velhice e ao lidar com questões na justiça.
Porém, desejo me ater ao significado do arco e da flecha. O salmista apresenta um personagem a que chama de guerreiro/arqueiro; para mim, este são ou pelo menos deveria ser os pais. Mas também, refere-se a três outros objetos imprescindíveis a um guerreiro/arqueiro: o arco, a flecha e a aljava. O arco aparece de forma subentendida, porém de fácil percepção e compreensão, pois nenhuma flecha em direção a um alvo é lançada sem o uso de um arco. A flecha são os filhos e a aljava o estojo (o lar, a família).
Na prática, o guerreiro é aquele que provê, é aquele que protege; é aquele que tem olhos e ouvidos atentos à presença de uma presa/caça para provisão, como também, à presença de predadores e de inimigos – a proteção. Isso é a representatividade do papel dos pais na vida familiar, no cotidiano de seus filhos. Prover seus filhos de uma boa educação no convívio familiar proporcionando assim, saúde física, mental, moral, social e religiosa.
Já o arco é o como. São as estratégias que os pais devem utilizar no cotidiano de convívio com os filhos. Um bom arco é aquele que é firme e ao mesmo tempo flexível. Ou seja, na educação dos filhos, muitos momentos exigirão firmeza por parte dos pais, como também, a necessidade em ser flexível. O equilíbrio sempre será o ponto saudável para se construir trajetórias bem-sucedidas na família. O planejamento, o limite, a disciplina, o foco, a autonomia e a responsabilidade devem fazer parte do dia a dia familiar.
A permissividade e a superproteção são os maiores inimigos na educação dos filhos. Você pode me perguntar: Mas Miriam, como colocar em prática tudo isso? Com conhecimento, discernimento, bom senso, muito diálogo, presença e afetividade. É a firmeza e a direção do arco que darão impulso à flecha rumo a seu alvo.
E os filhos? Estes são flechas guardadas no estojo para serem lançadas no momento certo. É na aljava/estojo – local de proteção, na família – que as flechas são preparadas, moldadas e polidas para serem lançadas aos seus alvos, aos seus propósitos. É onde a identidade dos filhos deve ser formada de maneira saudável; onde princípios e valores devem ser vivenciados na prática; onde se aprende o real sentido da vida, e do ser humano. Uma flecha não nasce pronta. Ela precisa passar pelo processo de ser talhada, aplanada, afiada, polida e adornada pelo seu artesão – no caso os pais.
É fundamental os pais se lembrarem sempre de que as flechas não foram feitas para ficaram na aljava como adornos. Elas foram criadas para serem lançadas rumo aos seus objetivos e propósitos. Os pais precisam se preparar para quando os filhos forem sair de casa em busca de seus próprios caminhos. A distância geográfica jamais foi e jamais será problema para os filhos se relacionarem com os pais que lhes proporcionaram uma educação saudável, uma educação de pautada em princípios e valores. Eles sempre voltarão aos seus ninhos.
O papel dos pais em relação aos filhos deve ser educar, fortalecer, direcionar e lançar. O bom arqueiro, não segura a flecha para sempre. Ele a prepara, posiciona firmemente rumo ao alvo e solta no momento certo. O objetivo da educação não é criar filhos dependentes dos pais, mas sim, formar cidadãos independentes, preparados para caminharem com autonomia, responsabilidade e propósito; onde a ética e a justiça façam parte de suas práticas.














