Infectologista afirma que menos de 1% dos casos evolui para a forma grave; Brasil tem quatro casos confirmados em 2026
A febre do Nilo Ocidental voltou a chamar a atenção no Brasil após a confirmação de casos em São Paulo e Santa Catarina, além de um caso provável em investigação no Piauí. Apesar dos registros e de uma morte em Santa Catarina, o infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP Álvaro Furtado da Costa afirma que não há motivo para pânico. Segundo ele, a maioria absoluta das infecções apresenta evolução leve e menos de 1% dos casos evolui para a forma grave.
“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal. Vamos aguardar os estudos e resultados, mas sabendo que não é só entrar em contato com aves que você vai pegar a doença.”
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus responsáveis pela dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, como pernilongos e muriçocas. O inseto adquire o vírus ao picar aves infectadas e pode transmiti-lo a pessoas durante uma nova picada.
O contato direto com aves, portanto, não é uma forma comum de transmissão da doença.
Sintomas
A infecção pode não provocar sintomas. Estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvam manifestações clínicas, que, na maioria dos casos, são brandas.
Entre os sintomas que podem surgir estão:
- febre e mal-estar;
- falta de apetite;
- náuseas e vômitos;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- dor nos olhos;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios linfáticos;
- confusão mental;
- rebaixamento do nível de consciência;
- tremores ou convulsões.
“Os mosquitos picam as aves infectadas – os reservatórios do vírus – e, picando o ser humano, podem transmitir a doença. Os sintomas são muito parecidos com os de arboviroses como dengue, zika, que são vírus ‘primos’”, explicou Costa.
Embora a maior parte dos quadros seja leve, a doença pode evoluir para formas graves, com encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas. Nesses casos, é necessária avaliação médica imediata e, quando indicada, hospitalização.
Nos quadros mais graves, pode ser necessária internação em unidade de terapia intensiva. O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir ou tratar complicações.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais em pessoas que apresentam sintomas compatíveis e histórico de exposição a áreas com presença do mosquito.
Não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em humanos. O atendimento é direcionado aos sintomas e pode incluir repouso, hidratação e acompanhamento médico, conforme a necessidade de cada paciente.
“Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue”, acrescentou o infectologista.
Casos no Brasil
Em 2026, o Brasil tem quatro casos humanos confirmados da febre do Nilo Ocidental: dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Há ainda um caso provável em investigação no Piauí.
Em São Paulo, os casos envolvem uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto. A primeira relatou uma viagem recente para a região amazônica e já está curada. A segunda permanece internada sob cuidados médicos. Os dois casos são os primeiros registros humanos da doença no estado.
“As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, disse a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini.
Em Santa Catarina, os dois casos foram registrados em Imbituba e Caçador. Uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, morreu em 8 de agosto após apresentar manifestações neurológicas. O outro paciente, um homem de 56 anos de Caçador, recebeu alta após internação.
No Piauí, o Ministério da Saúde acompanha um caso provável da doença. A paciente já recebeu alta, mas a confirmação depende de investigação complementar.
Diante dos registros, o Ministério da Saúde mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão da febre do Nilo Ocidental no país.
*Com informações da Agência Brasil e imagem do MS/Divulgação




















