Dados apontam crescimento de casos na América Latina; no Brasil, foram mais de 39 mil novas infecções registradas em 2024. PrEP, PEP, preservativo e testagem estão entre as estratégias disponíveis
O aumento de novas infecções pelo HIV na América Latina voltou a chamar a atenção para a necessidade de ampliar a prevenção, o diagnóstico e o acesso ao tratamento. O alerta consta do Relatório Global 2026 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), que aponta crescimento das novas infecções na região entre 2010 e 2025, em contraste com a redução observada em outras partes do mundo.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que foram registrados 38.222 novos casos de infecção pelo HIV em 2023. Em 2024, o número chegou a 39.216, segundo os dados citados pelo Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil).
O cenário reforça a importância de estratégias de prevenção que vão além do uso do preservativo. Entre as ferramentas disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), medicamentos antirretrovirais utilizados em momentos diferentes para reduzir o risco de infecção.
A farmacêutica Iangla Damasceno, do HDT-UFNT/HU Brasil, destaca que informação e acesso aos serviços de saúde são fundamentais para evitar novas infecções.
Segundo ela, a combinação de estratégias de prevenção e acompanhamento profissional aumenta a proteção contra o vírus e permite identificar precocemente eventuais infecções.
O que é PrEP?
A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV.
Ela é destinada a pessoas que apresentam maior possibilidade de entrar em contato com o vírus, de acordo com avaliação dos profissionais de saúde.
A estratégia não substitui outras formas de prevenção e deve ser utilizada conforme orientação e acompanhamento dos serviços especializados.
Quando indicada e utilizada corretamente, a PrEP reduz de forma significativa o risco de aquisição do HIV.
O acesso é feito gratuitamente pelo SUS, após avaliação individual.
E a PEP, quando deve ser usada?
A PEP, ou profilaxia pós-exposição, é indicada depois de uma situação em que possa ter ocorrido contato com o HIV.
Por isso, diferentemente da PrEP, que é utilizada antes de uma possível exposição, a PEP é uma medida de emergência.
A recomendação é procurar o quanto antes um serviço de saúde depois de uma situação de risco. A necessidade da profilaxia será avaliada pelos profissionais, que também orientarão sobre exames e acompanhamento.
A rapidez é importante porque a PEP precisa ser iniciada dentro da janela de tempo estabelecida pelos protocolos de saúde.
Testagem continua sendo uma das principais ferramentas
Além das profilaxias, a testagem é uma das principais estratégias para controlar a disseminação do HIV.
O diagnóstico permite que a pessoa tenha acesso ao tratamento e ao acompanhamento médico o mais cedo possível.
A farmacêutica Iangla Damasceno recomenda que a frequência dos testes seja definida de acordo com a situação de cada pessoa.
Para pessoas sexualmente ativas, especialmente aquelas em maior situação de vulnerabilidade ao HIV, a testagem periódica pode ser indicada a cada três ou seis meses, conforme avaliação dos profissionais de saúde.
Também é recomendado procurar atendimento sempre que houver uma situação considerada de risco.
Diagnóstico precoce muda o tratamento
A identificação do HIV nos primeiros estágios permite iniciar o acompanhamento de saúde mais rapidamente.
O tratamento com medicamentos antirretrovirais controla a multiplicação do vírus e contribui para preservar o sistema imunológico.
Além dos benefícios individuais, o tratamento tem impacto na saúde pública. Pessoas que fazem tratamento adequadamente e atingem carga viral indetectável não transmitem o HIV por via sexual, princípio conhecido como indetectável = intransmissível (I=I).
Por isso, ampliar o diagnóstico e garantir acesso contínuo aos medicamentos são medidas importantes tanto para a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV quanto para a redução da transmissão.
Desinformação e estigma ainda dificultam prevenção
Para a especialista, o aumento das infecções não pode ser analisado apenas pelo comportamento individual.
A desinformação, o estigma relacionado ao HIV, a baixa percepção de risco, a redução do uso de preservativos e o desconhecimento sobre métodos preventivos também podem contribuir para a manutenção das novas infecções.
O estigma ainda pode fazer com que pessoas deixem de procurar os serviços de saúde ou adiem a realização de testes.
Nesse contexto, ampliar a informação sobre as formas de transmissão, prevenção e tratamento é considerado uma das estratégias para aproximar a população dos serviços disponíveis.
HIV não significa desenvolvimento da Aids
Uma infecção pelo HIV não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá Aids.
O HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico. Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a síndrome da imunodeficiência adquirida, conhecida como Aids.
Com o diagnóstico e o tratamento adequados, porém, é possível controlar a infecção e evitar a progressão da doença.
Por isso, a testagem e o início precoce do tratamento são fundamentais.
SUS oferece prevenção, diagnóstico e tratamento
O Brasil possui uma rede pública estruturada para prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV.
Os serviços oferecem testes, acompanhamento de saúde e medicamentos, além de estratégias de prevenção como PrEP e PEP para as pessoas que atendem aos critérios estabelecidos pelos protocolos.
A oferta ocorre por meio de Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e outros serviços de saúde habilitados.
No Tocantins, segundo o HU Brasil, a dispensação de medicamentos para profilaxia ocorre em cinco unidades, localizadas em Palmas, Araguaína, Porto Nacional, Gurupi e Paraíso do Tocantins.
Para iniciar uma profilaxia, o paciente passa por avaliação clínica e laboratorial.
Prevenção não se resume a um único método
As estratégias de prevenção contra o HIV são complementares.
O uso de preservativos continua sendo uma ferramenta importante, enquanto a PrEP pode ser indicada antes de possíveis exposições e a PEP pode ser utilizada após uma situação de risco.
A testagem permite identificar infecções e iniciar o acompanhamento. O tratamento, por sua vez, controla o vírus e reduz a possibilidade de transmissão sexual quando a carga viral permanece indetectável.
A escolha das estratégias deve considerar as características e as condições de saúde de cada pessoa.
O que fazer depois de uma situação de risco?
A orientação é não esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento.
Quem tiver uma possível exposição ao HIV deve procurar um serviço de saúde o mais rapidamente possível para receber avaliação e verificar se há indicação de PEP.
Também pode ser necessário realizar testes para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, além de receber orientações sobre acompanhamento.
A demora pode reduzir as possibilidades de utilização da profilaxia pós-exposição dentro do período recomendado.
Números reforçam necessidade de prevenção
Os dados do Ministério da Saúde citados pelo HU Brasil mostram crescimento das novas infecções registradas no país entre 2023 e 2024:
- 2023: 38.222 novas infecções pelo HIV;
- 2024: 39.216 novas infecções;
- Aumento: 994 registros entre os dois anos.
O crescimento brasileiro ocorre em um contexto regional de aumento das novas infecções. De acordo com o Relatório Global 2026 do UNAIDS, a América Latina apresentou elevação entre 2010 e 2025, enquanto outras regiões registraram queda.
Para especialistas e organismos internacionais, o cenário reforça a necessidade de manter investimentos em prevenção, diagnóstico, tratamento e informação.
Informação é parte da prevenção
A principal orientação dos profissionais de saúde é que a população conheça as ferramentas disponíveis e procure atendimento diante de dúvidas ou situações de risco.
A PrEP pode reduzir significativamente o risco de infecção quando indicada e utilizada corretamente. A PEP, por sua vez, é uma medida de emergência que deve ser avaliada rapidamente após uma possível exposição.
A testagem periódica também permite identificar o HIV antes do aparecimento de complicações e iniciar o tratamento.
Para a farmacêutica Iangla Damasceno, combater a desinformação e ampliar o conhecimento sobre as estratégias de prevenção são medidas essenciais para enfrentar o avanço das novas infecções.
O acesso à informação, aos testes, às profilaxias e ao tratamento pelo SUS permite que a prevenção seja feita de forma individualizada e acompanhada por profissionais de saúde.
Com informações e imagem do Governo Federal




















