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Durante muito tempo, ter acesso à informação era uma vantagem competitiva, quem conhecia determinado mercado, dominava uma técnica ou tinha acesso a dados que poucos possuíam conseguia tomar decisões melhores simplesmente porque sabia mais.

Esse jogo mudou, hoje, uma busca de poucos segundos entrega centenas de respostas, softwares apresentam dezenas de indicadores, inteligência artificial pesquisa, compara, resume e sugere caminhos em uma velocidade impossível para uma pessoa, assim, o problema deixou de ser encontrar informação, e agora temos um novo, que é decidir o que fazer com tanta informação.

Afinal, quanto maior o número de opções, maior também a dificuldade de separar o que realmente importa. A abundância de dados trouxe eficiência, mas também aumentou o número de decisões que precisam ser tomadas e o volume de variáveis consideradas antes de escolher um caminho.

Um empresário pode ter dez ferramentas de inteligência artificial disponíveis, cinco estratégias comerciais possíveis, uma infinidade de indicadores no dashboard e inúmeros especialistas defendendo caminhos diferentes, mas, ter acesso a tudo isso não significa saber qual decisão deveria tomar.

É exatamente por isso estejamos entrando em uma fase curiosa do mercado: informação está ficando cada vez mais barata, enquanto critério está ficando mais valioso.

E essa discussão começou bem antes da inteligência artificial, em um estudo que se tornou referência em comportamento de consumo, Sheena Iyengar, da Columbia University, e Mark Lepper, de Stanford, observaram que aumentar o número de alternativas não necessariamente facilita uma escolha.

Em alguns dos experimentos, participantes expostos a uma quantidade menor de opções demonstraram maior propensão a tomar uma decisão do que aqueles diante de uma variedade extensa. A pesquisa ficou conhecida justamente por colocar em xeque a ideia de que oferecer mais possibilidades sempre melhora a experiência de escolha.

O ambiente de negócios atual levou esse problema para uma escala muito maior, não estamos escolhendo apenas entre seis ou vinte e quatro produtos em uma prateleira, estamos decidindo qual tecnologia adotar, qual mercado priorizar, qual estratégia abandonar, onde investir, qual dado merece atenção e quais oportunidades simplesmente não fazem sentido para aquele momento da empresa.

Nesse cenário, acumular informação já não resolve sozinho, é preciso interpretação. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, ouviu mais de mil empregadores, representando mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias. Mesmo diante do crescimento acelerado de competências ligadas à inteligência artificial e big data, o pensamento analítico permaneceu como a principal habilidade considerada essencial pelas empresas, citado por 69% dos empregadores pesquisados.

O dado chama atenção justamente porque aparece em um momento de aceleração tecnológica, quanto mais capacidade as máquinas ganham para produzir respostas, mais importante se torna a capacidade humana de avaliar quais respostas merecem ser consideradas.

Essa é uma das principais mudanças da economia do conhecimento: durante muito tempo fomos remunerados pelo que sabíamos e pelo que conseguíamos fazer. Agora, cada vez mais, seremos valorizados pela qualidade daquilo que conseguimos decidir.

Em mercados mais complexos, clientes e empresas não procuram apenas alguém que saiba executar uma tarefa, eles procuram quem consiga interpretar contexto, eliminar caminhos ruins, estabelecer prioridades e indicar qual decisão faz mais sentido naquele momento.

É aqui que muitos profissionais experientes estão deixando de lucrar, eles desenvolveram raciocínio, mas continuam apresentando ao mercado apenas execução, vendendo horas, entregáveis e tarefas, enquanto parte significativa do valor acumulado está na capacidade de enxergar antes, escolher melhor e evitar decisões ruins.

Sem dúvidas, essa será uma das competências mais valiosas daqui para frente, afinal em um mercado com respostas demais, saber qual delas merece ser ignorada pode valer tanto quanto encontrar a resposta certa.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Letícia Ribeiro

Letícia Ribeiro

Estrategista de Crescimento de Negócios, fundadora e CEO da BPM Group, especialista em transformar negócios em marcas fortes, lucrativas e preparadas para escalar. Com sólida experiência em gestão, branding e estratégia de expansão, ajuda negócios a unirem estrutura, lucro e percepção de valor, através de métodos próprios como a Arquitetura de Autoridade e a Engrenagem Lucrativa. | @aleticiaribeiiro