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Arthur Maximilliano

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Restaurantes, padarias e cafés fazem parte da rotina de praticamente toda cidade. São negócios que vivem de frequência, relacionamento e experiência. E justamente por isso, muitas vezes, o crescimento não depende de criar algo completamente novo.

Depende de aproveitar melhor aquilo que já existe.

Em muitos negócios de alimentação, o cliente entra, compra, consome e vai embora. O produto vende bem, mas não recebe destaque. A empresa tem contato com centenas de pessoas ao longo do mês, mas não constrói uma base de relacionamento. Existem empresas na região que poderiam comprar com frequência, mas nunca receberam uma proposta. O ponto de venda tem movimento, mas não comunica aquilo que mais interessa vender.

São oportunidades que ficam escondidas dentro da própria operação.

Uma das primeiras frentes que merece atenção é a combinação entre preço, margem e produto estrela.

Ainda existem empresas que precificam olhando apenas concorrência ou usando uma margem aproximada. O problema é que nem todo produto deve seguir a mesma lógica. Itens altamente comparáveis tendem a sofrer mais pressão de preço. Já produtos exclusivos, de conveniência ou que ganharam reconhecimento entre os clientes podem suportar margens diferentes.

Toda empresa de alimentação também costuma ter seus produtos campeões. Pode ser um bolo, um salgado, um café, um prato, um sanduíche ou uma sobremesa.

O erro é tratar esse item como mais um.

Se existe um produto que os clientes pedem, indicam e reconhecem, ele precisa ganhar protagonismo. Pode receber nome próprio, destaque no balcão, sinalização, comunicação nas redes e presença maior nas campanhas.

Às vezes, a empresa está procurando o próximo lançamento quando já possui um produto muito forte mal explorado.

A segunda frente é o relacionamento com quem já compra e a busca por novos compradores recorrentes.

Conquistar um novo cliente costuma exigir mais esforço do que falar novamente com alguém que já conhece a empresa. Mesmo assim, muitos negócios deixam essa relação acabar no caixa.

O cliente compra e desaparece.

Por isso, organizar uma base de contatos pode gerar resultado. WhatsApp, listas de transmissão e sistemas simples de CRM podem ajudar a comunicar novidades, produtos do dia, datas especiais e ofertas específicas.

Não precisa começar com tecnologia complexa. O primeiro passo é saber quem compra e criar uma razão para essa pessoa voltar.

E existe ainda uma oportunidade pouco explorada por muitos restaurantes, padarias e cafés: o mercado B2B.

Empresas próximas precisam de coffee breaks, lanches para reuniões, aniversários de colaboradores, confraternizações, eventos e fornecimento recorrente.

Uma venda para outra empresa pode representar dezenas de pequenas vendas individuais.

Mas isso exige prospecção ativa.

Não basta esperar que essas empresas descubram o serviço. É preciso entrar em contato, criar pacotes, apresentar opções e fazer acompanhamento.

Essa recorrência pode trazer algo muito importante para negócios de alimentação: previsibilidade.

A terceira frente é fazer com que o ambiente físico e o digital trabalhem juntos.

O ponto de venda comunica antes mesmo de alguém falar com o cliente.

Iluminação, limpeza, exposição, organização, sinalização e apresentação dos produtos influenciam percepção de valor.

Um produto bom, mal apresentado, pode vender menos do que deveria.

Ao mesmo tempo, o digital amplia a presença da empresa. Instagram, Google, WhatsApp, delivery, portais locais e outros canais ajudam o negócio a continuar presente mesmo quando o cliente não está fisicamente no estabelecimento.

O erro é tratar esses canais como coisas separadas.

O cliente pode descobrir um produto no Instagram, pesquisar a empresa no Google, visitar o ponto físico, receber uma mensagem no WhatsApp e depois pedir pelo delivery.

É uma mesma jornada.

Por isso, a empresa precisa facilitar esse caminho.

Também vale estimular o próprio cliente a participar da divulgação. Avaliações, marcações, stories e indicações ajudam a ampliar o alcance e fortalecer o boca a boca, que continua sendo extremamente relevante para negócios locais.

Outro cuidado importante está no delivery.

Colocar tudo no aplicativo pode parecer uma boa ideia, mas nem sempre é.

Produtos mais complexos podem gerar gargalos na cozinha ou comprometer a experiência.

Uma alternativa é começar pelos itens prontos, de boa margem e fácil entrega. Assim, o delivery cresce sem desorganizar a operação.

No fim, restaurantes, padarias e cafés não precisam necessariamente de uma grande revolução para melhorar resultado.

Muitas vezes, precisam rever o básico com mais atenção.

  • Preço.
  • Margem.
  • Produtos campeões.
  • Clientes antigos.
  • Empresas da região.
  • Ambiente.
  • WhatsApp.
  • Delivery.
  • Organização da equipe.

Esses pontos parecem simples, mas podem mudar muito o desempenho quando começam a trabalhar juntos.

Porque crescer em alimentação não significa apenas colocar mais gente dentro da loja.

Significa aproveitar melhor cada cliente, cada produto, cada canal e cada oportunidade que já passa todos os dias diante do negócio

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Arthur Maximilliano

Arthur Maximilliano

Sócio fundador e Diretor de Estratégia (CSO) da RetenMax, empresa de consultoria empresarial com foco em gestão, cultura e tecnologia. Engenheiro de Produção formado pela UFMS, possui especializações em Gestão, Liderança e Inovação, além de formação em Marketing Digital e Business Intelligence e tem MBA em Inteligência Artificial e Big Data pelo IBMEC. Atua também como professor universitário, palestrante e é autor do livro Sussurros Empresariais, escrevendo sobre liderança, integridade, inovação e o futuro das organizações. | @arthurmaxnl