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Ser especialista se tornou uma das apresentações mais comuns do mercado, presente nas biografias das redes sociais, nos sites profissionais, nos anúncios e nas apresentações comerciais, a ponto de parecer que todo mundo encontrou uma maneira de se tornar referência em alguma coisa.

Ocorre que a facilidade de se apresentar como especialista nem sempre vem acompanhada mesma capacidade de demonstrar experiência, resultados e conhecimento suficientes para justificar o reconhecimento que ele sugere.

E mais que isso, essa popularização criou um fenômeno interessante: quanto mais pessoas se apresentam como especialistas, menos o título, isoladamente, consegue distinguir alguém.

Durante muito tempo, uma formação específica, uma trajetória profissional ou o reconhecimento de determinada instituição ajudavam a estabelecer a autoridade de um profissional. Esses elementos continuam importantes, mas hoje dividem espaço com uma vitrine digital na qual qualquer pessoa pode construir uma comunicação sofisticada, publicar conteúdos técnicos e apresentar uma imagem de grande experiência.

A consequência é que profissionais com trajetórias completamente diferentes podem parecer muito semelhantes aos olhos de quem está procurando uma solução.

Pense em dois consultores empresariais, um acumulou quinze anos de experiência, participou de reestruturações, enfrentou crises financeiras e desenvolveu uma capacidade de análise que veio da convivência com problemas concretos, o outro conhece bem os conceitos, produz bons conteúdos e domina a linguagem utilizada naquele mercado, mas ainda possui pouca experiência prática.

Se ambos apresentam a mesma promessa, utilizam os mesmos termos e produzem conteúdos muito parecidos, como o cliente conseguirá perceber a diferença?

É justamente aí que a construção de autoridade precisa ser levada à sério. O mercado precisa encontrar elementos que permitam compreender a profundidade da sua experiência, afinal há uma grande diferença entre afirmar possui conhecimento sobre gestão empresarial e demonstrar como uma decisão foi tomada, quais riscos foram considerados, que resultados foram alcançados e o que aquela experiência ensinou.

Quem já enfrentou situações complexas costuma perceber detalhes que dificilmente aparecem em um conteúdo genérico, consegue explicar por que uma solução funciona em determinado cenário e fracassa em outro, consegue reconhecer limitações, identificar riscos e saber que nem toda resposta pode ser aplicada da mesma maneira a todos os clientes.

Esse repertório é o que diferencia “os iguais” e faz com que os profissionais de verdade ocupem um espaço maior relevância no mercado. Apesar disso, ainda vejo empresários e especialistas com carreiras consolidadas reproduzindo exatamente os mesmos conteúdos de quem está começando, publicam definições básicas, repetem tendências e apresentam listas de orientações que poderiam ter sido produzidas por qualquer pessoa com acesso à internet.

 O resultado é uma comunicação que desperdiça justamente aquilo que poderia diferenciá-los: a experiência.  A reputação conquistada fora das redes sociais representa um patrimônio importante na construção da influência digital. Projetos realizados, clientes atendidos, decisões tomadas e problemas resolvidos oferecem uma base que nenhuma estratégia de conteúdo deveria ignorar.

É preciso selecionar quais partes da sua trajetória ajudam a demonstrar competência, organizar experiências relevantes, apresentar provas e desenvolver uma linha de comunicação que permita reconhecer o seu modelo mental e profissional.

É por isso que tenho tanta resistência à ideia de que todo profissional precisa começar do zero ao entrar no digital. Alguém que passou vinte anos construindo uma carreira já possui uma história, um repertório e resultados, de modo que a sua comunicação precisa fazer justiça a essa trajetória.

A inflação dos especialistas também deve mudar a maneira como o mercado avalia quem contrata. Um perfil bem produzido pode despertar interesse, mas é na trajetória, nos resultados e na maneira como o profissional lida com situações reais que encontramos elementos para avaliar se existe experiência por trás daquilo que ele comunica.

Para quem deseja ser reconhecido como referência, o desafio é tornar essa experiência visível, mostrando os trabalhos realizados, as decisões que tomou, os problemas que resolveu e a maneira como desenvolveu seu conhecimento ao longo da carreira. Afinal, o reconhecimento precisa encontrar correspondência na prática, inclusive para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer seu trabalho de perto.

Em um mercado onde tantos se apresentam como especialistas, fica a reflexão: se esse título desaparecesse da sua biografia, sua trajetória e seus resultados seriam suficientes para que o mercado continuasse reconhecendo sua autoridade?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Letícia Ribeiro

Letícia Ribeiro

Estrategista de Crescimento de Negócios, fundadora e CEO da BPM Group, especialista em transformar negócios em marcas fortes, lucrativas e preparadas para escalar. Com sólida experiência em gestão, branding e estratégia de expansão, ajuda negócios a unirem estrutura, lucro e percepção de valor, através de métodos próprios como a Arquitetura de Autoridade e a Engrenagem Lucrativa. | @aleticiaribeiiro