Estamos às vésperas do final de mais um ano letivo. Este é um período em que muitas famílias reencontram o caminho da escola de seus filhos, a fim de questionarem os baixos rendimentos destes e a probabilidade de uma “reprovação”. Claro que esses questionamentos acontecem basicamente nas escolas privadas porque nas públicas, na grande maioria, poucos são os alunos retidos de um ano para outro. A ordem é fazê-los avançar.
Sabe-se que os anos escolares que costumam ter mais reprovações são: 6° Ano do Ensino Fundamental e 1° Ano do Ensino Médio. Segundo reportagem de 26 de junho de 2026 do g1/educação, a média de reprovação do 6° Ano em 2025 foi de 3,6%. Em 2015 foi de 13,80%. Já o 1° Ano do Ensino Médio em 2025 foi de 4,4%. Em 2015 foi de 16,6. Porém, quando olhamos para a avaliação internacional – PISA – o resulta do Brasil não condiz com a queda na reprovação de nossos alunos nesses últimos dez anos. Para os que atuam no campo da educação, efetivamente, não há dúvidas sobre o que, realmente, tem acontecido com nossa educação.
Somados aos resultados escolares, que são um reflexo da educação familiar, encontramos famílias mais preocupadas em verem os filhos felizes do que propriamente em educá-los para a vida.
Há alguns anos costumávamos ouvir a seguinte questão: “que mundo queremos deixar para os nossos filhos?” Porém, na atualidade, reformular esta pergunta é uma questão de urgência: “que tipo de filhos queremos deixar para o mundo?”
Após anos de atuação no campo educacional como professora, gestora pedagógica e, por último, como orientadora educacional, percebi alguns erros cometidos pelas famílias que interferem tanto na educação familiar quanto educacional. Aqui vou destacar quatro deles para iniciarmos nossa reflexão sobre a função básica da família: educar.
Primeiro, a falta de presença. Os filhos não precisam de pais que apenas estejam por perto; eles precisam de presença. Isso significa participar da vida deles, efetivamente, antes que as distâncias se tornem irreversíveis. É nessa presença que se constrói vínculos; é onde o afeto acontece.
O segundo é a falta de rotina familiar e de estudo. Toda criança e adolescente precisa de previsibilidade. Isso evitará estresse e desentendimento familiar. A rotina proporciona mais tranquilidade no ambiente familiar. O estudo diário deve fazer parte desse processo familiar. Essa rotina diária de estudo me faz compreender que aquilo que eu desejo conquistar amanhã, começa com as minhas escolhas no hoje.
O terceiro é a falta do planejamento familiar e de estudo. O planejamento jamais será perda de tempo. Precisamos ter clareza de onde estamos e onde desejamos chegar e o que precisamos fazer ordenadamente. Ele é fundamental para desenvolvermos a disciplina, o foco e estabelecermos as prioridades do nosso dia a dia. O planejamento é pedagógico.
O quarto é a falta de organização e o não cumprimento de compromissos. Ela está intimamente ligada ao planejamento. É o como organizamos nossa rotina, nossas práticas, nosso espaço, nossas tarefas e compromissos para que tenhamos uma melhor produtividade. É fundamental termos a clareza de que na desorganização não perdemos apenas objetos, horários e compromissos. Perdemos nossa energia e a previsibilidade. Perdemos, também, a oportunidade de ensinar aos filhos que a vida nos exige ordem para funcionar.
Como pais, é urgente a compreensão de que amar não significa ser permissivo. A criança e o adolescente sempre irão forçar a prática da permissividade no meio familiar, porém os adultos da casa é que devem estabelecer o ritmo do funcionamento da vida em família. Limites, regras, disciplina e foco agregados à presença e ao afeto é o que proporcionará às famílias deixarem filhos que farão a diferença nesta geração. O mais importante no processo educacional não é fazer os filhos constantemente felizes, mas sim, educá-los para que sejam felizes em suas escolhas e realizações.
Finalizo com uma questão para a nossa reflexão: “que tipo de filhos e cidadãos brasileiros estamos deixando para o mundo?”















