Um dos maiores anseios do ser humano é a liberdade. Movimentos como os hippies, os estudantis e sindicalistas marcaram o século XX, principalmente as décadas de 1950, 1960 e 1970. Suas pautas eram políticas, econômicas e culturais. Todos esses movimentos trouxeram contribuições significativas como liberdade de costume, consciência ambiental, pacifismo, renovação social, ganhos materiais concretos, força estrutural etc. Porém, como todo movimento, contribuíram de forma negativa como fuga da realidade, falta de pragmatismo, idealismo abstrato, descontinuidade, atrelamento político, resistência à mudança etc.
O que sempre faltou ao ser humano é a consciência de que a real liberdade é aquela revestida de responsabilidade. A liberdade sem limites e responsabilidade torna-se libertinagem. Essa ideia de que ser livre é fazer o que eu quiser é muito superficial e rasteira. Portanto, liberdade é eu poder escolher tendo a consciência de que toda escolha é acompanhada de consequências, sejam elas boas ou ruins.
Quando eu penso em escolha, esta me remete à ideia de possibilidades. Gosto muito de olhar para a Bíblia como uma biblioteca de livros comportamentais. Nela encontro Deus por meio de Jesus e seus profetas a apresentar possibilidades de escolha ao ser humano. Através de Moisés, o grande líder e profeta, ele diz: “[…] vos tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas […]” (Deuteronômio 30:19). No profeta Jeremias encontramos: “A este povo dirás. Assim diz o Senhor: eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte” (Jeremias 21:8). E Jesus disse: “Se quiser vir após mim […]” (Mateus 16:24). Aqui Deus apresenta alternativas claras e desafia o ser humano a escolher.
A Bíblia deixa claro que Deus criou o ser humano com livre arbítrio, ou seja, com a capacidade de fazer escolhas, porém nunca negou que cada escolha feita é acompanhada de consequência. Ou seja, não somos livres só porque temos a liberdade de escolha. Tornamo-nos responsáveis porque precisamos responder pelas nossas escolhas.
Outro aspecto muito importante. Liberdade não é a ausência de limites. A educação contemporânea vem cometendo alguns equívocos, dentre eles o de dar a liberdade para a criança escolher o que deseja fazer ou aprender, ou seja, construir o seu plano de aprendizagem, o seu projeto no momento em que ela deseja.
A criança precisa ser ensinada a fazer escolhas, porém nem todas. Pode escolher o livro que deseja ler, porém precisa respeitar o horário das outras atividades; pode escolher uma brincadeira, porém precisa respeitar o horário da brincadeira e o horário da responsabilidade de estudo; pode expressar a sua opinião, porém precisa aprender que liberdade de expressão não significa que tenho a liberdade de desrespeitar o outro; pode discordar dos pais, professores e colegas, porém precisa aprender a argumentar sem ofender ou destruir o outro. A educação precisa ocorrer com liberdade sem se desvincular da responsabilidade quanto às escolhas e as possíveis consequências. Não devemos ensinar à criança e ao adolescente apenas que ele pode e tem direito a escolher, mas também fazê-los compreender o que a sua escolha poderá produzir.
As nossas escolhas são sementes e com o tempo vão germinar e crescer, daí virão os resultados. Em se tratando de resultados, outro aspecto importante a ser pensado é a cultura do “agora”, do “imediatismo” que vivemos na contemporaneidade. Tudo é para ontem. Aí está o perigo das escolhas sem pensar antes de agir.
Ao pensar nas famílias, a forma como estas educam seus filhos refletirá em suas escolhas. Um aspecto que a família precisa avaliar é se ela tem preparado os filhos para fazerem as melhores escolhas ou se, por superproteção, tem feito as escolhas no lugar deles. Se a última colocação for a verdadeira, sinto dizer que é uma péssima escolha. Assim, a família formará um adulto inseguro que dependerá sempre de alguém para decidir por ele. Certo é que os filhos necessitam de direção, no entanto, precisam aprender a caminhar sozinhos.
Finalizo tendo a convicção de sempre que liberdade é ter a capacidade de fazer escolhas e maturidade para responder pelo que se escolheu.














