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MIRIAM ABREU

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Por muitos anos temos ouvido que a escola do futuro seria cada vez mais digital. Os tablets passariam a substituir os livros, as telas substituiriam os cadernos e o teclado os lápis.

No entanto, alguns países reconhecidos pela qualidade de seus sistemas de ensino estão tendo a coragem de fazer a si próprios uma pergunta bastante instigante: Será que a substituição dos livros, da leitura, da escrita e da concentração por muitas telas tem sido benéfica para os nossos estudantes? E as respostas têm sido surpreendentes.

Isso não significa que estão abandonando as novas tecnologias, apenas as estão colocando onde sempre deveriam ter estado. É a busca inteligente do equilíbrio. Esses países estão descobrindo que digitalizar o ensino não significa necessariamente melhorar a aprendizagem.

Medidas recentes desses países apontam para uma clara tendência de reequilibrar essa relação com as telas, principalmente nos primeiros anos escolares. O objetivo é incluir mais livros físicos, escrita à mão e leitura prolongada. Esse retorno é muito importante porque tanto pesquisas recentes quanto as mais antigas apontam que a utilização de materiais físicos e a escrita à mão ajudam na retenção de conteúdos, melhorando assim os resultados escolares.

A Suécia, que já esteve entre os países que mais avançaram na digitalização da educação, têm investido milhões de coroas suecas, sua moeda oficial, para a aquisição de livros, materiais impressos e ampliação de suas bibliotecas. Defendem que a leitura e a escrita são competências fundamentais e que os recursos digitais devem ser utilizados apenas quando favorecerem a aprendizagem.

Se este país, Suécia, um dos mais digitalizados do mundo, está repensando o excesso do uso de telas na educação, por que ainda estamos confundindo digitalização com inovação? É algo urgente a se pensar.

Temos a Finlândia, referência mundial em educação, também, tem restringido o uso de materiais digitais em suas escolas. Estão reintroduzindo livros impressos, papel e caneta uma vez que os professores e os pais estão preocupados com a concentração dos estudantes e o excesso de estímulos digitais.

Na Dinamarca esse movimento tem ganhado força. O governo destinou 540 milhões de coroas dinamarquesas para aquisição de livros físicos entre 2025 e 2030. A mensagem é forte: uma criança não precisa de telas para a prender a pensar, mas sim, de livros, atividades práticas e aprofundamento no conhecimento.

Na Noruega e na Itália esse movimento, também, tem ganhado força. Passaram a restringir o uso de celulares nas escolas estimulando o equilíbrio entre a tecnologia e os materiais físicos. Defendem a volta da escrita manual, anotações de atividades e compromissos em diários/agendas.

A França, também, ampliou a política do afastamento dos smartphones durante o período escolar. A partir de 2025 houve a ampliação do programa “Portable em pause” cujo objetivo é criar um ambiente mais favorável à concentração, ao clima escolar e ao bem-estar do estudante.

Esse movimento não é uma cruzada contra as novas tecnologias, mas sim, uma tentativa de preservar o que o ser humano tem de mais valioso – o seu cérebro, a sua atenção, a sua memória e as relações humanas.

Agora a pergunta mais importante: E o Brasil? Sim, temos uma lei que regulamenta o uso de celulares nas escolas – A Lei n° 15.100/2025. Porém, só a lei não coloca o livro, o caderno e o lápis na mão do aluno. Nesses últimos anos temos observado cortes quanto a aquisição de livros por parte do governo federal. Nosso país, pelo tanto de impostos que o brasileiro paga, é o que menos tem bibliotecas e incentivos à leitura e a escrita no mundo. Os estudantes brasileiros precisam de livros, cadernos, lápis, canetas, bibliotecas e salas de aula dignas. E mais, que lhes ensinem a ler, interpretar, escrever, argumentar e refletir. Nossos estudantes precisam aprender a construir repertórios, organizar o pensamento porque escrever não é apenas registrar palavras.

Infelizmente, o nosso país – Brasil – só se preocupou em elaborar e homologar uma lei restringindo o uso de telas nas escolas, porém, se esqueceu do principal: dar as devidas condições aos estudantes, aos professores, às escolas e a todos os cidadãos brasileiros.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Miriam Abreu

É doutora e mestre em Educação pela (UFMS). Especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia pela (UFRRJ/CEP-EB). Pedagoga habilitada em Orientação Educacional (FUCMT)  e Supervisão Escolar (Faclepp). Consultora Educacional, palestrante e escritora. | @miriam_abreu65