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Um empresário publica uma reflexão sobre a importância de ouvir a equipe, quem acompanha de fora concorda, compartilha e elogia sua visão, mas dentro da empresa, alguém lê o mesmo texto e se lembra da última vez em que tentou apresentar uma opinião diferente e não conseguiu terminar de falar. Situações como essa merecem atenção de quem deseja construir autoridade, porque a experiência de trabalhar com um profissional também influencia a forma como ele é reconhecido.

Afinal, quem trabalha com você conhece sua liderança de uma forma que o público das redes não conhece. Sabe como uma cobrança é feita, se existe espaço para conversar e o que acontece quando uma entrega fica abaixo do esperado. É nessa convivência que as pessoas encontram motivos para confiar naquilo que você diz ou começam a receber suas palavras com alguma desconfiança.

O relatório Trust at Work 2026, da Edelman, ajuda a olhar para essa questão. Na comparação divulgada com agosto de 2024, a confiança dos empregados no próprio CEO caiu de 70% para 66%, e no gestor direto, de 79% para 72%. O estudo ouviu mais de 10 mil empregados em dez mercados e aponta dificuldades na experiência das equipes durante mudanças nas empresas. Os números são internacionais, mas a discussão cabe na rotina de muitos negócios brasileiros.

Quem empreende sabe que nem toda decisão traz o resultado esperado e que, às vezes, é preciso mudar o caminho. Imagine, porém, uma equipe que passa a semana executando o que foi combinado e, na reunião seguinte, é cobrada por não ter feito de outra forma. Sem uma explicação sobre o que mudou, as pessoas ficam sem entender qual orientação deveriam ter seguido. Se isso se repete, passam a pedir confirmação para tudo, com receio de serem responsabilizadas novamente. Explicar a mudança e reconhecer a decisão anterior ajuda a equipe a seguir com mais segurança.

É em situações assim que o discurso sobre liderança encontra seus maiores desafios. Falar de autonomia requer aceitar que alguém pode resolver uma questão de um jeito diferente do seu e incentivar a participação envolve ouvir sugestões que você talvez não queira adotar. Isso não retira do empresário a responsabilidade de decidir, mas pede disposição para explicar seus critérios e considerar o que a equipe tem a dizer.

Ao pensar no posicionamento de um empresário, considero importante olhar também para essas relações. Se ele deseja ser reconhecido como alguém que desenvolve pessoas, sua equipe consegue perceber isso na rotina? Há espaço para aprender e assumir responsabilidades? Se fala sobre respeito, como trata um funcionário que errou ou um fornecedor que precisa resolver uma dificuldade?

Essas perguntas ajudam a perceber se aquilo que ele comunica encontra exemplos na sua forma de trabalhar. E isso é essencial, porque funcionários, parceiros e fornecedores também participam da construção dessa reputação. Podem indicá-lo com segurança, reconhecer suas qualidades e contar situações que confirmam sua competência, mas também podem ter vivido situações que contradizem essa imagem, por isso, a percepção de quem está próximo merece fazer parte da atenção que se dedica à marca pessoal.

  Quanto mais um profissional compartilha conselhos sobre liderança, maior tende a ser a expectativa sobre sua própria atuação. Por isso, vale ter cuidado com a imagem de quem parece ter todas as respostas. Falar de uma decisão revista, de algo que precisou aprender ou de uma mudança que ainda está conduzindo pode ser mais fiel à sua experiência e mais útil para quem o acompanha.

Antes de preparar uma nova publicação sobre liderança, pode ser útil retomar a última conversa importante com o time. O que você se comprometeu a fazer? Houve algum retorno sobre as dificuldades apresentadas? Ficou algo pendente que as pessoas ainda estão esperando? Talvez exista ali uma providência simples, adiada pela rotina, que tenha bastante importância para quem depende dela.

Para quem deseja ampliar sua autoridade, esse olhar precisa acompanhar o investimento em comunicação. Ser admirado pelo mercado traz oportunidades, e a confiança de quem trabalha com você ajuda a confirmar a reputação que está construindo. Por isso, volto à pergunta do título: sua equipe reconhece, no dia a dia, o líder que aparece nas redes?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Letícia Ribeiro

Letícia Ribeiro

Estrategista de Crescimento de Negócios, fundadora e CEO da BPM Group, especialista em transformar negócios em marcas fortes, lucrativas e preparadas para escalar. Com sólida experiência em gestão, branding e estratégia de expansão, ajuda negócios a unirem estrutura, lucro e percepção de valor, através de métodos próprios como a Arquitetura de Autoridade e a Engrenagem Lucrativa. | @aleticiaribeiiro