Com 48 seleções, três países-sede e expectativa de audiência bilionária, torneio amplia fronteiras do futebol e reúne culturas de todo o planeta
A bola vai rolar. A partir desta quinta-feira (11), México, Estados Unidos e Canadá recebem a Copa do Mundo de 2026, edição que entra para a história antes mesmo do apito inicial. Pela primeira vez, o principal torneio do futebol mundial será disputado em três países simultaneamente e contará com 48 seleções participantes, ampliando o número de vagas e tornando a competição a maior já realizada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Mais do que uma disputa esportiva, a Copa volta a mobilizar bilhões de pessoas ao redor do planeta. A expectativa da entidade é repetir ou até superar os números alcançados no Catar, em 2022, quando cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam o torneio em diferentes plataformas. A final entre Argentina e França, vencida pelos argentinos nos pênaltis, registrou mais de 1,5 bilhão de espectadores, tornando-se a partida esportiva mais assistida da história.
Agora, com mais seleções, mais jogos e um alcance territorial sem precedentes, a edição de 2026 pretende consolidar o Mundial como o maior evento esportivo do planeta.
Mundial ganha novo formato
A principal novidade desta Copa é a ampliação do número de participantes. O torneio deixa para trás o modelo com 32 seleções, utilizado desde 1998, e passa a reunir 48 equipes nacionais.
A mudança abre espaço para países que historicamente encontravam dificuldades para garantir classificação, aumentando a representatividade de continentes como África, Ásia e América Central.
Para a Fifa, a ampliação reforça o caráter global da competição e permite que mais nações participem da principal vitrine do futebol internacional.
O presidente da entidade, Gianni Infantino, tem defendido a expansão como forma de tornar o torneio mais inclusivo e representativo.
Três países, uma Copa
Outra marca histórica da edição de 2026 é a realização conjunta entre México, Estados Unidos e Canadá.
Ao todo, o Mundial será disputado em dezenas de cidades espalhadas pela América do Norte, exigindo uma complexa operação logística para deslocamento de atletas, delegações e torcedores.
A distribuição das sedes também promete transformar a competição em um grande intercâmbio cultural. Cada país traz tradições, costumes e identidades distintas, ampliando a experiência para quem acompanha o torneio dentro e fora dos estádios.
A expectativa é que milhões de visitantes circulem pelas cidades-sede ao longo das próximas semanas, movimentando o turismo, a economia e os setores de serviços.
Azteca entra para a história
A partida de abertura será disputada no tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, palco de momentos históricos do futebol mundial.
Com isso, o estádio mexicano se torna o primeiro da história a receber três jogos inaugurais de Copa do Mundo. O local já havia sediado as aberturas dos Mundiais de 1970 e 1986, ambos realizados no México.
O confronto inicial também chama atenção por repetir um duelo já visto em outra edição do torneio: México e África do Sul, adversários que abriram a Copa de 2010.
Cerimônia reúne estrelas internacionais
A abertura da Copa será marcada por uma série de apresentações musicais organizadas pela Fifa em diferentes cidades da América do Norte.
A entidade promoveu uma contagem regressiva inédita com eventos simultâneos na Cidade do México, em Toronto e em Los Angeles, conectando os três países-sede por meio de transmissões integradas.
Entre os artistas anunciados estão nomes de projeção internacional como Shakira, J Balvin, Katy Perry, Burna Boy, Michael Bublé e a cantora brasileira Anitta.
As apresentações também destacam elementos culturais dos países anfitriões, com espaço para manifestações tradicionais, artistas locais e referências às identidades nacionais.
Copa busca unir culturas
Além da disputa esportiva, a Copa do Mundo é reconhecida por promover encontros entre diferentes povos e culturas.
Nas ruas das cidades-sede, nos estádios e nas zonas de convivência criadas para os torcedores, a competição costuma reunir pessoas de diferentes idiomas, religiões e nacionalidades em torno de uma paixão comum.
A experiência foi marcante no Brasil durante a Copa de 2014 e deve se repetir agora em escala ainda maior, graças à participação recorde de seleções e ao formato multinacional.
Polêmicas marcam os bastidores
Apesar do clima de celebração, a Copa de 2026 também começa cercada por controvérsias.
As políticas migratórias adotadas pelos Estados Unidos, responsáveis pela maior parte das partidas do torneio, têm gerado críticas de federações, delegações e organizações ligadas ao esporte.
Relatos de dificuldades na emissão de vistos, retenções em aeroportos e restrições de entrada para atletas e profissionais credenciados foram registrados nos meses que antecederam o Mundial.
Um dos casos de maior repercussão envolveu o atacante iraquiano Aymen Hussein, submetido a horas de interrogatório ao desembarcar no país. Outro episódio atingiu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que teve sua entrada negada pelas autoridades americanas, apesar de estar credenciado pela Fifa.
A delegação do Irã também enfrentou obstáculos em razão das tensões diplomáticas entre os dois países. Inicialmente impedida de permanecer hospedada em território norte-americano, a equipe precisou transferir sua base para a cidade mexicana de Tijuana.
As dificuldades também atingiram torcedores iranianos, que relataram cancelamentos de ingressos e problemas relacionados à entrada nos Estados Unidos.
Expectativa de espetáculo
Mesmo diante das polêmicas, a expectativa é de que a Copa do Mundo de 2026 estabeleça novos recordes de público, audiência e engajamento digital.
Com mais seleções, mais jogos e uma abrangência geográfica inédita, o torneio inicia uma nova fase da competição e promete transformar a América do Norte no centro das atenções esportivas do planeta pelas próximas semanas.
Foto: Manuel Velasquez – FIFA




















