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Busca por planejamento reprodutivo aumenta entre mulheres mais jovens, enquanto fertilização in vitro registra alta de 51,5%; adiamento da maternidade e avanços tecnológicos explicam tendência

A procura por técnicas de reprodução assistida segue em expansão no Brasil, impulsionada principalmente pelo aumento do congelamento de óvulos e da fertilização in vitro (FIV). Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mostram que o número de ciclos de congelamento de óvulos mais que dobrou nos últimos cinco anos, refletindo mudanças no comportamento reprodutivo das brasileiras e o avanço das tecnologias disponíveis.

Entre 2020 e 2025, os ciclos de coleta de óvulos para criopreservação passaram de 7.872 para 18.631, crescimento de 136,7%. No mesmo período, os procedimentos de fertilização in vitro aumentaram de 41.586 para 62.997, alta de 51,5%.

Os números indicam uma tendência crescente de planejamento reprodutivo em um cenário marcado pelo adiamento da maternidade, maior acesso à informação e avanços nos tratamentos de fertilidade.

Mulheres mais jovens impulsionam crescimento

Embora as mulheres com mais de 35 anos ainda representem a maior parte das pacientes que recorrem ao congelamento de óvulos, o crescimento mais acelerado tem ocorrido entre as mais jovens.

Segundo os dados da Anvisa, os ciclos realizados por mulheres com menos de 35 anos saltaram de 2.193 em 2020 para 6.142 em 2025, aumento de 180,1%. Na prática, o número quase triplicou em cinco anos.

Para o médico especialista em reprodução humana Oscar Duarte, diretor médico do Fertgroup, o movimento demonstra uma mudança importante na forma como as mulheres encaram o planejamento familiar.

“É um bom sinal, pois o momento no qual uma mulher congela seus óvulos importa muito para as chances de ter um bebê no futuro”, afirma.

Apesar do avanço entre as mais jovens, Duarte observa que a maior demanda continua concentrada entre mulheres que já se aproximam do período de redução da fertilidade.

“Em 2025, as mulheres acima de 35 anos ainda representavam aproximadamente dois terços de todos os procedimentos realizados no país. Isso indica que a maior demanda segue concentrada entre aquelas que se aproximam ou já ultrapassaram a fase de maior fertilidade biológica”, diz.

O peso do relógio biológico

Especialistas apontam que a idade continua sendo um dos principais fatores que influenciam o sucesso reprodutivo feminino.

Segundo Duarte, a partir dos 35 anos ocorre uma aceleração na perda dos folículos ovarianos, reduzindo tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos disponíveis.

“Por volta dos 35 anos, a perda dos folículos acelera, e os óvulos remanescentes tendem a apresentar menor qualidade, o que torna mais desafiadora a gestação, devido ao aumento da incidência de perdas gestacionais e de síndromes genéticas”, explica.

O procedimento de congelamento de óvulos busca justamente preservar células reprodutivas em uma fase de maior qualidade biológica.

O tratamento envolve estimulação hormonal dos ovários durante cerca de dez a doze dias para permitir o amadurecimento simultâneo de múltiplos óvulos. Em seguida, os folículos são aspirados por meio de um procedimento minimamente invasivo guiado por ultrassom.

Após a coleta, os óvulos passam por avaliação laboratorial e são congelados por vitrificação, técnica que evita a formação de cristais de gelo e aumenta as chances de preservação das células.

Fertilização in vitro também avança

O crescimento da reprodução assistida no país não se limita ao congelamento de óvulos.

Os ciclos de fertilização in vitro também registraram expansão significativa nos últimos anos. Segundo o SisEmbrio, o número de procedimentos aumentou 51,5% entre 2020 e 2025.

Para especialistas, o adiamento da maternidade é um dos principais fatores por trás desse avanço.

Dados do Censo mostram que a idade média das mulheres ao terem filhos passou de 26 anos em 2000 para 28 anos em 2022. Paralelamente, aumentou a participação de mães entre 35 e 39 anos nos registros de nascimento do país.

“O relógio biológico feminino torna a gestação mais difícil a partir dos 35 anos. Nessa idade, a probabilidade de a mulher engravidar de maneira natural no decorrer de um ano de tentativas é de 55%, contra 86% aos 25 anos”, afirma Duarte.

Além da idade, especialistas destacam o aumento dos diagnósticos de infertilidade, a ampliação do acesso aos tratamentos e o aperfeiçoamento das técnicas laboratoriais como fatores que ajudam a explicar a alta procura.

Casais homoafetivos ampliam demanda

Outro grupo que tem contribuído para o crescimento da reprodução assistida no país é o de casais homoafetivos.

Segundo dados do LabSaúde Reprodutiva, ligado ao Fertgroup, os casais femininos responderam por metade das importações de sêmen realizadas em 2025 para procedimentos de fertilização in vitro.

A procura por esse tipo de serviço cresceu 33% em comparação com 2016.

O movimento acompanha mudanças sociais observadas nos últimos anos, com maior acesso a tratamentos reprodutivos por diferentes configurações familiares e ampliação dos direitos relacionados à parentalidade.

Foto: Magnific

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