Nenhum país chega a uma crise de ética e de moral de uma hora para outra. Tudo é construído a partir de pequenas concessões. É importante termos clareza de que antes dos grandes escândalos, existiram pequenas escolhas que foram normalizadas.
Mais uma vez o nosso país encontra-se de joelhos diante da corrupção sistêmica que se instalou em nossa nação. São práticas ilícitas que deixaram de ser desvios isolados e passaram a fazer parte do funcionamento de instituições públicas e privadas. Não é para menos… Essas práticas têm gerado indignação e questionamentos sobre o dinheiro público, o papel das instituições e suas responsabilidades. E o que dizer dos “representantes do povo” eleitos a cada quatro anos?!
O que tudo isso tem a ver com a educação?
Tem tudo a ver. Porque antes de existir o adulto que rouba, desvia, frauda, suborna ou se beneficia de algo que pertence ao povo, à sociedade, existiu uma criança. E esta, diferente do que muitos pensam, tem uma percepção muito aguçada e o seu aprendizado está mais ligado ao que vê, ouve e experiencia na família, na escola e nos grupos sociais dos quais faz parte. É onde os valores como respeito, responsabilidade, honestidade e disciplina são moldados por meio da observação.
É fundamental compreendermos que caráter não se forja somente com palavras, com livros, com leis e decretos, mas por meio de vivências em família e na sociedade, por meio de exemplos práticos e rotinas saudáveis. O primeiro livro que a criança lê são as atitudes dos pais, da família, dos professores e de todos os adultos que a cercam.
Aqui está a razão pela qual a família e a escola precisam olhar para a educação de nossas crianças e adolescentes para além de notas escolares, de avaliações nacionais e internacionais, de ENEM, de vestibulares e mercado de trabalho.
É tempo de ensinar através de leituras, de debates isentos de ideologias e de projetos práticos que o dinheiro público é de todos e deve ser usado em benefício da sociedade como saúde, segurança, educação, transporte e estruturas de qualidade. Que responsabilidade, honestidade, respeito, caráter devem existir em nossas práticas independentemente de fiscalizações ou quando ninguém está nos vendo. Que não vale a pena levar pequenas vantagens e que aquilo que não é nosso, continua não sendo nosso, mas do outro e para o outro.
O mais interessante é que a CGU – Controladoria Geral da União lançou alguns projetos voltados exclusivamente para estudantes no que diz respeito à ética e cidadania. Essa iniciativa tem como objetivo apoiar a comunidade escolar e estimular a educação para a cidadania em todo o Brasil. Dentre eles, temos:
- Concurso de desenho e redação;
- Um por todos e todos por um;
- Game da cidadania;
- Eu, você e a nossa cidadania e,
- Turma da cidadania.
Além de curso à distância em parceria com a UFG sobre “Educação cidadã – Ética, cidadania e combate a corrupção” para todos os cidadãos e servidores públicos e capacitação do programa “Um por todos e todos por um” em parceria com o Instituto Maurício de Sousa voltado para o público infantojuvenil.
A família e a escola têm uma responsabilidade que não pode ser terceirizada, qual seja, formar cidadãos capazes de compreender que suas escolhas individuais podem levantar ou destruir uma coletividade, uma sociedade. E essa formação deve ser para além de livros e programas educacionais, deve ser prática, pois é a vivência que realmente ensina.
Talvez a pergunta que devamos fazer diante desse quadro de corrupção sistêmica em nosso país não seja: “Quem ou quais pessoas fizeram isso?” Mas sim, “Que tipo de sociedade estamos formando?” É evidente que essa corrupção precisa ser investigada, responsabilizada, punida e combatida pelas instituições competentes, porém a família e a escola precisam urgentemente trabalhar sobre esse assunto muito antes. Do contrário, continuaremos tendo nuvens de fumaça, indignações passageiras e uma sociedade refém de poucos, à mercê de migalhas, num país abençoado por Deus por tantas riquezas aqui existentes e um povo trabalhador que não tem mais forças nem conhecimento para lutar por seus direitos. Quem detém o conhecimento, detém o poder.
Encerro com a frase que sempre uso: O conhecimento nos liberta de muitas amarras.














