Ao olhar o perfil de um profissional, é fácil usar o número de seguidores como medida de sucesso. Quem está tentando conquistar espaço nas redes também costuma começar a comparação por ali, mas esse número deixa muita coisa de fora. Um empresário com poucos seguidores pode ser acompanhado por pessoas que contratam seus serviços e indicam seu trabalho. Saber quem são essas pessoas e como elas se relacionam com o negócio precisa fazer parte da avaliação da sua presença digital.
Os dados do Media Reactions 2026, da Kantar, ajudam a ampliar essa conversa. Na pesquisa, 66% dos profissionais de marketing entrevistados incluem microcriadores nos seus planos de investimento, e 61% incluem nanocriadores. Os percentuais superam os de macro e megainfluenciadores, de 48% e 42%, respectivamente. São intenções de investimento, ainda sem garantia de resultado, mas que mostram o interesse das marcas por criadores que se relacionam com públicos mais específicos.
Para empresários e especialistas, esses dados são extremamente relevantes, uma vez que hoje existe uma preocupação compreensível em aumentar o alcance, fazer o perfil crescer e chegar a novas pessoas, mas o problema é quando a comparação com grandes perfis faz o profissional desconsiderar quem já acompanha o seu trabalho. Uma audiência pode parecer pequena e reunir justamente as pessoas que precisam do seu conhecimento. Antes de concluir que sua comunicação não está funcionando, é importante entender se ela está gerando conversas e aproximando possíveis clientes.
Imagine um consultor de empresas familiares que publica sobre a entrada dos filhos na gestão. O assunto talvez receba poucas curtidas, mas pode chegar a um fundador que está vivendo essa situação e ainda não sabe como conduzi-la. Ao ler uma análise que considera as dificuldades da empresa e da família, ele começa a conhecer a forma de pensar daquele consultor, pode se identificar com a abordagem, acompanhar outras publicações e, em algum momento, procurar ajuda. Avaliar esse conteúdo apenas pelas curtidas deixaria uma parte importante da sua contribuição de fora.
O posicionamento ajuda a fazer essas escolhas, afinal ter clareza sobre o público que se deseja atender, permite reconhecer quais assuntos merecem ser aprofundados e que experiências vale compartilhar, além disso evita que o profissional mude constantemente sua comunicação para acompanhar as trends do momento que apesar de gerar maior alcance, possuem pouca relação com o trabalho pelo qual deseja ser contratado.
Ter poucos seguidores, claro, não torna uma audiência automaticamente qualificada. Um perfil pequeno pode estar com dificuldade para alcançar possíveis clientes, assim como um perfil grande pode reunir muita gente interessada no serviço oferecido. O tamanho, sozinho, não permite essa conclusão, o que vale é observar quem envia mensagens, quais dúvidas aparecem e o que as pessoas dizem quando procuram você. Às vezes, existe uma distância entre aquilo pelo que o profissional quer ser reconhecido e o que o público entendeu sobre seu trabalho.
O mesmo cuidado vale para o uso da palavra comunidade, acompanhar um perfil não significa, necessariamente, participar de uma. Esse vínculo se desenvolve conforme as pessoas encontram motivos para voltar, compartilhar experiências e contribuir com a conversa. Para um especialista, responder a uma dúvida com atenção e retomar um assunto trazido pelo público são formas de cultivar essa relação e com o tempo, ele pode se tornar alguém a quem o grupo recorre para compreender melhor determinadas questões.
Embora a pesquisa da Kantar trate do investimento de marcas em criadores, ela traz uma reflexão pertinente para quem vende conhecimento e experiência. Construir autoridade requer conhecer os problemas de quem se pretende atender e demonstrar capacidade para contribuir com eles. É nessa convivência, acompanhada de um trabalho bem feito, que o profissional tem a oportunidade de conquistar confiança e ser indicado.
Antes de definir quantos seguidores você quer conquistar, olhe para quem já acompanha seu trabalho. São pessoas que você quer atender? Elas entendem em que você pode ajudá-las? Eu considero essas perguntas ao construir um posicionamento, porque crescer sem saber quem queremos alcançar pode nos levar a investir em uma visibilidade que pouco contribui para o negócio. Por isso, vale voltar à pergunta inicial: você quer ser referência para quem?

















